Ultima atualização 23 de fevereiro

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Colaboradores confiam mais em IA na saúde que empresas

O avanço da inteligência artificial (IA) na saúde corporativa já conta com a confiança dos colaboradores, mas encontra ritmo mais lento de adoção por parte das empresas. É o que revela o Relatório Global sobre Saúde Corporativa 2026, realizado pela corretora Howden. De acordo com a pesquisa, 68% dos funcionários afirmam que confiariam em IA para assistência médica, enquanto 48% dos empregadores desejam que essas ferramentas sejam adotadas de forma mais ampla.

A diferença de percepção ocorre em um contexto de pressão crescente sobre os custos da saúde e como a tecnologia pode amenizá-la, tanto no Brasil quanto globalmente. Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), extraídos do World Economic Outlook Database, projetam que a inflação médica global alcance 10,6% em 2026, superando a inflação geral e reforçando a preocupação das empresas com a sustentabilidade dos benefícios oferecidos. No Brasil, a projeção é 10,8% em 2026, com inflação geral estimada em 4%, resultando em um aumento real de 6,8%, segundo o FMI. Regulação, aumento de utilização e incorporação obrigatória de novos tratamentos de alto custo impulsionam os custos.

Além da pressão orçamentária para as organizações, a escalada dos custos médicos afeta diretamente o acesso dos colaboradores ao cuidado. Segundo o relatório global da Howden, 54,2% dos funcionários afirmam que o custo já impediu seu acesso a tratamento ou assistência médica ao menos uma vez. “Mesmo entre aqueles que contam com plano de saúde, despesas do próprio bolso seguem sendo uma barreira relevante, especialmente em tratamentos contínuos ou com especialistas, o que pode levar ao adiamento do cuidado e ao agravamento de quadros que poderiam ser resolvidos de forma mais simples e menos onerosa”, analisa Cláudia Machado, VP de Benefícios da Howden Brasil.

O relatório global destaca que a IA pode contribuir para triagem mais eficiente, redução de exames e procedimentos desnecessários, aceleração de autorizações e melhor identificação de riscos de alto custo, ajudando a tornar o sistema mais preditivo e menos reativo.

No Brasil, a confiança dos colaboradores na tecnologia é ainda mais elevada: 81,5% afirmam confiar no uso de IA em saúde, percentual superior às médias regional e global. Além disso, 33% já tiveram alguma experiência com IA em sua jornada de cuidado, especialmente em processos administrativos, telemedicina e auditoria de sinistros.

Além de apoiar o controle de custos e a eficiência do sistema, os benefícios de saúde também exercem papel estratégico na atração e retenção de talentos. De acordo com o relatório, 74% dos empregadores afirmam que oferecer um bom plano de saúde é essencial para a retenção de profissionais, enquanto 60% dos funcionários dizem ser mais propensos a permanecer em empresas que oferecem um pacote robusto de assistência médica.

“O dado reforça que, mais do que um item do pacote de remuneração, a saúde corporativa influencia diretamente no engajamento, produtividade e estabilidade das equipes”, analisa a executiva da Howden Brasil.

O estudo da Howden aponta ainda que, em todas as regiões analisadas, três grupos de condições concentram os maiores desafios para empregadores e funcionários: problemas musculoesqueléticos, transtornos de saúde mental e doenças cardiovasculares. Essas condições estão associadas tanto ao aumento de custos quanto à piora da experiência de cuidado, especialmente quando há atraso no diagnóstico e no início do tratamento.

A saúde mental, em especial, aparece como um dos pontos mais sensíveis do cenário global de saúde corporativa. Metade dos funcionários buscaram algum tipo de apoio psicológico no último ano, mas quase um em cada cinco (16%) ainda evita utilizar os benefícios oferecidos pelas empresas, principalmente por receio de estigma, impacto na carreira ou falta de confiança na confidencialidade.

No Brasil, esse mesmo perfil se reflete de forma concreta nos afastamentos do trabalho. Dados do INSS mostram que, em 2025, doenças osteomusculares, transtornos mentais e enfermidades do sistema circulatório lideraram os afastamentos de trabalhadores, evidenciando um paralelo direto entre os desafios globais mapeados pelo relatório e a realidade do mercado de trabalho brasileiro.

“A convergência reforça a importância de estratégias de saúde corporativa focadas em prevenção, acesso rápido ao cuidado e manejo precoce dessas condições, capazes de reduzir afastamentos prolongados, perdas de produtividade e custos de longo prazo”, conclui Cláudia.

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