Ultima atualização 29 de junho

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Gestão de riscos ganha espaço na aviação pública

Encontro brasileiro da aviação de segurança pública, o ENAVSEG 2026 reúne especialistas para discutir os desafios do setor e sua aproximação com o mercado segurador

EXCLUSIVO – A aviação de segurança pública brasileira vive um processo de modernização impulsionado pela incorporação de novas aeronaves, drones, sensores inteligentes e sistemas de comando e controle. À medida que essas tecnologias ampliam a capacidade operacional de missões policiais, de resgate e defesa civil, também aumentam os desafios relacionados à gestão de riscos, à segurança operacional e à proteção dos ativos envolvidos.

Esse cenário estará em debate na nona edição do ENAVSEG (Encontro Nacional de Aviação de Segurança Pública), realizada entre os dias 30 de junho e 2 de julho, em Brasília (DF). Considerado um dos principais encontros do segmento no país, o evento reunirá operadores aéreos, pilotos, tripulantes operacionais, gestores de segurança operacional, bombeiros, policiais, profissionais de resgate aeromédico, fabricantes, fornecedores de tecnologia e especialistas para discutir os rumos da atividade aérea voltada à segurança pública.

Para entender como essa transformação será refletida na programação deste ano, a Revista Apólice conversou com a organização do congresso, que detalhou os principais eixos da edição de 2026 e os desafios que hoje mobilizam o setor.

A expansão acompanha a evolução da própria aviação de segurança pública no Brasil. O número de participantes passou de 760, em 2023, para 1.136 em 2024 e 1.463 em 2025. Para esta edição, a expectativa da organização é superar novamente esse patamar, reflexo da profissionalização das operações e da ampliação do intercâmbio entre as unidades aéreas de diferentes estados.

Na avaliação da organização do encontro, esse crescimento acompanha mudanças estruturais observadas na atividade. “O próprio crescimento do evento é um termômetro do setor. Há profissionalização crescente da segurança operacional, expansão do emprego de drones e maior integração doutrinária entre as unidades”, afirma a organização do ENAVSEG.

Ao longo de três dias, a programação reunirá mais de 24 horas de conteúdo distribuídas em quatro trilhas simultâneas, além da Competição Nacional de Aviação de Segurança Pública, área de exposição, encontros temáticos e espaços voltados ao intercâmbio entre profissionais do setor.

Entre os principais assuntos estão a modernização das operações aeromédicas, novos modelos de gestão e disponibilidade das frotas, segurança operacional e o uso de drones em atividades de monitoramento, busca, salvamento e apoio às forças de segurança.

Além da apresentação de equipamentos e novas tecnologias, a programação dedica espaço às discussões sobre padronização de procedimentos, qualificação técnica e compartilhamento de experiências entre instituições que atuam diariamente em operações aéreas de alta complexidade. “O ENAVSEG é um espaço de atualização técnica, integração entre unidades de diferentes estados e contato com as principais empresas e tecnologias do mercado”, destaca a organização.

A gestão de riscos aparece como um dos principais eixos da edição deste ano. Entre os destaques está o Encontro dos Gestores de Segurança Operacional, voltado à disseminação de boas práticas, padronização de procedimentos e compartilhamento de lições aprendidas em operações reais.

Outro eixo da programação será o Encontro Drone Policial e Drone.GOV Pocket, dedicado às aplicações práticas das aeronaves remotamente pilotadas em operações de busca e apreensão, uso de sensores térmicos, comunicação entre equipes em solo e demonstrações de bases móveis de comando e controle.

Segundo a organização, a programação reflete uma mudança no perfil das discussões envolvendo a aviação pública, em que segurança operacional e gestão de riscos passaram a ocupar posição estratégica. “A programação inclui o Encontro dos Gestores de Segurança Operacional, dedicado às boas práticas, à doutrina e aos desafios da gestão do risco nas operações aéreas, além de palestras de tripulantes operacionais relatando lições aprendidas em ocorrências reais”.

Mercado acompanha transformação das operações

A modernização da aviação de segurança pública também começa a mobilizar o mercado segurador. O seguro aeronáutico ainda representa um segmento especializado, e a incorporação de novas tecnologias mais o aumento da complexidade das operações têm ampliado a necessidade de soluções voltadas à proteção de aeronaves, equipamentos embarcados e demais ativos utilizados pelos órgãos públicos.

Mais do que acompanhar a evolução tecnológica das frotas, corretoras e seguradoras especializadas passaram a observar como drones, sensores inteligentes, sistemas de comando e controle e novos modelos operacionais alteram o perfil dos riscos enfrentados pelas instituições responsáveis por missões policiais, de resgate, combate a incêndios e defesa civil.

Fátima Monteiro, da Flanci Corretora

Empresas que atuam nesse segmento também acompanham essa transformação de perto. Entre elas está a Flanci Corretora de Seguros, especializada no atendimento a órgãos públicos e com atuação no mercado de seguro aeronáutico. Para a CEO da empresa, Fátima Monteiro, a evolução tecnológica da aviação de segurança pública vem modificando as necessidades apresentadas pelas instituições.

“O segmento passa por importantes transformações tecnológicas e operacionais, e acompanhar essa evolução é essencial para compreender as novas demandas da aviação de segurança pública”, comenta.

Na avaliação da executiva, eventos técnicos como o ENAVSEG desempenham um papel importante ao aproximar operadores, gestores públicos, fabricantes e empresas especializadas, permitindo que diferentes segmentos acompanhem a evolução das operações e compartilhem experiências sobre segurança operacional e gestão de riscos. “Esse contato direto é essencial para compreender a evolução das operações e dos riscos, permitindo desenvolver soluções de seguro cada vez mais adequadas às necessidades dos órgãos públicos”, destaca.

Segundo Fátima Monteiro, a própria transformação das operações já começa a alterar o perfil das demandas apresentadas pelos órgãos públicos. Se antes a preocupação estava concentrada na proteção das aeronaves, hoje as discussões também envolvem sensores embarcados, equipamentos eletrônicos, drones e outros ativos incorporados às missões.

“Hoje há uma preocupação maior em estruturar programas de seguro mais completos, aderentes à realidade operacional de cada instituição e compatíveis com a complexidade das missões desempenhadas”.

Essa mudança acompanha um cenário em que aeronaves tripuladas e remotamente pilotadas assumem funções cada vez mais estratégicas em operações de policiamento, combate a incêndios, defesa civil e atendimento aeromédico. Nesse ambiente, a gestão de riscos deixa de estar restrita à aeronave e passa a considerar toda a infraestrutura tecnológica necessária para garantir a continuidade das operações.

Embora o seguro aeronáutico ainda tenha participação restrita na programação do ENAVSEG, a presença de empresas especializadas e a inclusão de uma palestra dedicada ao tema evidenciam uma aproximação gradual entre a aviação de segurança pública e o mercado segurador.

Mais do que acompanhar a incorporação de novas tecnologias, o desafio passa a ser compreender como essas transformações alteram o perfil dos riscos enfrentados pelos órgãos públicos e exigem soluções cada vez mais alinhadas à realidade operacional dessas instituições. Nesse contexto, encontros como o ENAVSEG consolidam-se como ambientes de integração entre operadores, fabricantes, gestores públicos e empresas especializadas, favorecendo a troca de experiências e o amadurecimento de um segmento que acompanha a evolução da própria aviação de segurança pública.

Para Fátima Monteiro, esse processo depende da aproximação entre quem desenvolve soluções e quem vivencia diariamente os desafios das operações. “Queremos compreender os desafios da aviação de segurança pública e contribuir para o fortalecimento da cultura de prevenção, segurança e profissionalização da aviação pública no Brasil”, conclui

Nicholas Godoy

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