Embora 92% dos entrevistados considerem que a renda do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) será insuficiente para manter o padrão de vida na aposentadoria, 62% afirmam não possuir previdência privada. Os dados são de uma pesquisa realizada pela Icatu Seguros, em parceria com a Conversion, que aponta uma distância entre a preocupação com o futuro financeiro e a adoção de instrumentos de planejamento de longo prazo.
O levantamento ouviu 500 pessoas conectadas à internet, de diferentes regiões do Brasil, em maio de 2026. Entre os participantes, 63% disseram preferir receber uma renda mensal na aposentadoria, enquanto 24% optariam por retirar os recursos gradualmente, conforme a necessidade. Apenas 8% escolheriam sacar todo o patrimônio acumulado de uma só vez.
A pesquisa também identificou dificuldades para calcular quanto dinheiro será necessário no futuro. Entre os entrevistados, 58% afirmam ter apenas uma noção aproximada da renda mensal de que precisariam para manter o padrão de vida, 28% dizem conseguir estimar esse valor com precisão e 14% não sabem fazer a projeção.
Para Henrique Diniz, diretor de Previdência da Icatu Seguros, a preocupação com a aposentadoria nem sempre se transforma em medidas concretas.
“O brasileiro sabe que precisa se preparar, mas muitas vezes não consegue transformar essa preocupação em uma estratégia financeira estruturada. É nesse ponto que orientação, educação financeira e acesso a soluções adequadas fazem diferença”, afirma.
A preferência por pagamentos periódicos também aparece nos dados comerciais da seguradora. Segundo a Icatu, a procura pela conversão dos recursos acumulados em renda cresceu 47% em 2025, na comparação com 2024, atingindo o maior nível registrado pela companhia.
Diferenças de renda, idade e gênero
A insuficiência de recursos aparece entre os principais receios dos participantes. Segundo o levantamento, 30% mencionaram a possibilidade de precisar de dinheiro para emergências, 24% demonstraram preocupação com a falta de renda para despesas cotidianas e 23% temem que os recursos acabem antes do fim da vida.
Entre os entrevistados de 45 a 60 anos, apenas 18% afirmaram possuir uma reserva financeira significativa para a aposentadoria. O resultado chama atenção por envolver uma faixa etária mais próxima do encerramento da vida profissional.
A pesquisa também aponta diferenças entre homens e mulheres. Entre as entrevistadas, 29% disseram ainda não ter iniciado a preparação financeira para a aposentadoria, ante 14% dos homens. O levantamento indica ainda que as mulheres tendem a discutir o tema principalmente com familiares, enquanto os homens recorrem com maior frequência a assessores financeiros, gerentes de banco e outros profissionais.
A renda familiar também influencia a presença da previdência privada. Entre os participantes com renda mensal superior a R$ 28 mil, 71% afirmaram possuir o produto. Nas faixas de renda inferiores, a participação é menor.
“O desafio do país não é apenas ampliar o acesso a produtos financeiros, mas tornar o planejamento de longo prazo mais compreensível, acessível e conectado à realidade de cada pessoa”, afirma Diniz.
A pesquisa foi realizada com 500 respondentes de 18 anos ou mais, sendo 60% mulheres e 40% homens, residentes nas cinco regiões do país. Como a amostra foi composta por pessoas conectadas à internet, os resultados devem ser interpretados considerando esse perfil de participantes.







