Ultima atualização 25 de outubro

Gestores avaliam a regulação na Saúde

Desafios e soluções para a Saúde Suplementar foram discutidos ao longo do Hospital Business

Terminou nesta quinta-feira (24), no Rio de Janeiro, a 19ª edição do Hospital Business. Organizado pela Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado do Rio de Janeiro (FEHERJ), o congresso reuniu os principais gestores, empresários e demais atores do mercado de saúde carioca, para debater “O Impacto Regulatório na Qualidade Assistencial e na Sustentabilidade do Sistema de Saúde Brasileiro”. Ao longo dos dois dias de evento, reflexões sobre a atuação das agências regulatórias e as consequências das normas e regras que regem o setor movimentaram a maior parte da programação. Temas como gestão e qualificação também estiveram presentes nas conferências.
“Somente através de um diálogo franco, construtivo e que agregue valor é que se encontrarão caminhos para um setor que responde por 9% do PIB e emprega três milhões de pessoas diretamente”, afirmou o presidente da FEHERJ e da Confederação Nacional de Saúde (CNS), José Carlos Abrahão, que defendeu as parcerias público-privado como uma direção para integração do sistema de saúde.
Presente na solenidade de abertura e na conferência que debateu modelos de gestão, o secretário estadual de Saúde, Sergio Côrtes, foi um dos que defendeu a diminuição da regulação do estado no setor.
“Intervenção do estado, além de afastar investimentos privados, prejudica a gestão estadual e municipal. Estamos com uma diminuição significativa de recursos federais na saúde, reduzidos nos últimos anos de 60% para 45%”, avaliou Côrtes, que acredita que se não houver mudanças nesse cenário a Saúde Suplementar passará pelas mesmas dificuldades que o SUS enfrenta atualmente.
Um dos destaques do primeiro dia, a mesa sobre “Assistência Médica Hospitalar Suplementar – dilemas, desafios e paradoxos” reuniu representantes das iniciativas público e privada, como os diretores Bruno Sobral, da ANS; José Cechin, da FenaSaude; Antônio Jorge Kropf, da Amil; além do superintendente Corporativo do Hospital Sírio Libanês, Gonzalo Vecina e a  Médica da Escola Nacional de Saúde Pública / Fiocruz, Thelma Battaglia Rezende. A atuação da ANS, a sustentabilidade das operadoras e a relação entre a agência, planos e hospitais foram as questões mais discutidas.
Cechin alertou que a sustentabilidade do setor está em risco devido à regulação da ANS no reajuste dos planos, que não cresce no mesmo patamar dos gastos das operadoras. Segundo dados da FenaSaúde, de2007 a2012, as empresas afiliadas à entidade observaram um aumento de 223% nos gastos com internação. Para o diretor da Amil, o futuro da Saúde Suplementar depende da discussão de que modelo de saúde o País quer ter.
“A Saúde Suplementar deveria ser complementar ao SUS, mas é duplicadora, enquanto esse modelo não for revisto teremos um desperdício de recursos. O resto é consequência desse modelo”, avaliou Kropf.
As conferências sobre “O papel do Estado na regulação da Saúde e da assistência médica e o impacto econômico dessa intervenção”, “O impacto regulatório e as perspectivas do complexo industrial da Saúde e da Economia Brasileira” completaram a programação do primeiro dia. No segundo dia, os seminários debateram questões como “A Reforma Regulatória pelo mundo e a necessidade de uma Reforma Regulatória na Saúde Brasileira”, “O desafio da Acreditação, do Programa QUALISS da ANS e seu impacto no Sistema Suplementar de Saúde Brasileiro”. O ex-economista de Saúde do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) André Medici encerrou o evento ao avaliar “Os cenários da economia mundial e as perspectivas brasileiras para 2014”.

A.C.
Revista Apólice

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