Ultima atualização 27 de abril

Especialista afirma que herdar o comando da corretora não significa sucesso garantido

Os processos sucessórios nas organizações são complexos e, geralmente, acabam sendo desgastantes por falta de conhecimento dos executivos envolvidos. Diversas são as dificuldades encontradas no momento de mudança da cúpula administrativa da empresa. Tal fato torna-se ainda mais delicado quando a organização em questão é uma empresa familiar, visto que, na maioria dos casos, está associado com desentendimentos e brigas entre os herdeiros e sucessores. O que o corretor de seguros deve ter em mente é a garantia que a empresa continue nas mãos das próximas gerações da família.
?Os processos sucessórios são momentos de mudança na direção de uma empresa familiar. Quando são iniciados sem uma definição de objetivos em relação ao perfil desejável para o sucessor, estimula-se uma competição entre os familiares, o que resulta em conflitos na maioria dos casos?, explica Pedro Podboi Adachi, consultor em empresas familiares.
Existem casos em que o tema ?planejamento sucessório? é tratado como tabu. ?Pelo fato de muitas pessoas associarem a sucessão com o falecimento, este assunto costuma ser evitado. Simplesmente não se comenta a respeito do assunto, apesar de todos serem conscientes da sua importância.?, diz Adachi.
Outro grande problema na hora da sucessão está relacionado aos herdeiros. Muitos fundadores ficam tranquilos em relação a este assunto porque acreditam que seus herdeiros serão seus sucessores. ?Neste caso, surge um grande problema. Para muitos executivos, a sucessão fica estacionada porque estas empresas não possuem na família herdeiros com idade suficiente para assumir uma presidência, ou são herdeiros que optaram por outra profissão e não desejam administrar o negócio da família?, conta o consultor.
Segundo Adachi, ser um herdeiro não significa que a sucessão está pronta, ou que será concretizada quando o fundador não estiver mais no comando. ?Existe uma grande confusão entre herdeiro e sucessor. Enquanto herdeiro é a pessoa para qual será transmitida a propriedade de bens ou direitos em função do falecimento, seja por força de lei ou por disposição testamentária, o sucessor é a pessoa incumbida para ocupar um cargo de outrem, após comprovar sua capacidade e habilidade para assumir a função. São situações diversas, que devem ser tratadas de forma distintas, apesar de comumente estarem relacionadas com uma mesma pessoa?, ressalta o consultor.
É compreensível ocorrer essa distorção nos papéis envolvendo o sucessor e o herdeiro. A própria legislação brasileira, através do Código Civil utiliza o termo Direito das Sucessões para disciplinar as normas que regem a herança, e mais ainda, a legislação determina que o inventário somente pode ser iniciado após o falecimento de alguém.
Compreender a distinção desses conceitos facilita o início do planejamento sucessório na empresa e costuma, inclusive, ter reflexos positivos no relacionamento das pessoas envolvidas, já que é comum encontrar fundadores que desejam deixar a empresa para seus filhos, imaginando que a única forma disto ocorrer é fazendo do seu filho o próximo presidente da empresa. Ao perceberem a possibilidade de seus descendentes continuarem com um vínculo com a empresa, em virtude de serem os futuros sócios, sem que exista a obrigatoriedade de serem os gestores do negócio, os fundadores se tornam mais complacentes para com os filhos, permitindo que estes busquem satisfazer suas próprias expectativas e anseios profissionais, ao invés de serem persuadidos a continuar o sonho do pai.
Assim, verifica-se que, dependendo de como seja conduzido esse processo, a sucessão pode representar tanto uma vantagem competitiva como uma desvantagem, podendo, no último caso, levar a empresa ao fracasso. De qualquer forma, o processo de sucessão na empresa familiar é sempre arriscado e pode ser um período muito confuso e complexo, tanto em termos financeiros quanto emocionais. ?É durante esse período que as empresas correm alto risco de não sobreviverem, sendo muitas delas vendidas ou fechadas pelos herdeiros. Tais processos, sem planejamento e mal conduzidos, são os principais responsáveis pela vida curta de empresas familiares brasileiras?, completa Adachi.

JN
Revista Apólice

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