Durante muito tempo, o seguro de vida foi tratado quase exclusivamente como uma proteção em caso de morte. Essa leitura ajudou a limitar a compreensão sobre o tema e fez com que ele fosse visto, muitas vezes, como algo distante da vida cotidiana.
Em um cenário de maior pressão sobre o orçamento das famílias, instabilidade econômica e preocupação crescente com planejamento, o seguro de vida precisa ser encarado como uma ferramenta de segurança financeira. Isso se dá pelo fato do seu baixo o custo e pela disponibilidade muita rápida dos recursos em caso de ocorrência de um evento indenizável com o segurado, que nesse caso diminui a preocupação com a necessidade urgente de recursos quando se mais precisa.
O relatório Insurance Barometer Study 2024, desenvolvido pela LIMRA em parceria com a Life Happens sobre o mercado dos EUA, onde lá a percepção de necessidade do seguro vida é muito maior que a do Brasil, indicou que 42% dos norte-americanos precisavam de seguro de vida ou outras coberturas. O dado sinaliza um aumento da preocupação com a falta de proteção diante de riscos que afetam diretamente a estabilidade da família.
No Brasil, os números também mostram que o seguro de vida deixou de ser apenas uma proteção eventual e passou a ocupar um papel cada vez mais relevante no planejamento financeiro das famílias. A pandemia ampliou a percepção de risco e acelerou a consciência sobre a necessidade de proteção da renda, do patrimônio e da família.
Segundo estudo da CNseg, os seguros de pessoas arrecadaram R$ 78,8 bilhões em prêmios em 2025, crescimento de 8,3% sobre o ano anterior. No mesmo período, os benefícios pagos às famílias seguradas chegaram a R$ 17,5 bilhões, alta de 9,3%, sendo que mais da metade desses pagamentos ocorreu em seguros de vida, individuais e coletivos.
Proteção da renda e continuidade da rotina
A discussão atual sobre seguro de vida precisa partir do ponto de que em muitas famílias, o maior patrimônio não está apenas nos bens acumulados, que é importante, mas não são transformados automaticamente em valor, e sim na renda mensal que sustenta moradia, alimentação, saúde, educação e planejamento de longo prazo. Quando essa receita é interrompida, a vulnerabilidade e necessidade aparece de forma imediata.
Isso porque os efeitos de perda de uma pessoa vão muito além do impacto emocional. Quando uma pessoa responsável por sustentar a casa adoece, perde a capacidade de trabalhar ou falece, o que entra em risco é toda a estrutura monetária dessa família.
As despesas seguem existindo, os compromissos não desaparecem e a renda deixa de entrar como antes. Nesse contexto, o seguro de vida cumpre um papel prático, que é o de dar proteção em um momento de desorganização e ajudar a preservar a estabilidade com o dinheiro que irá faltar de imediato e futuramente.
Por isso, o debate sobre esse tipo de seguro precisa amadurecer. Planejamento financeiro não é apenas acumular patrimônio, mas também proteger os ganhos e reduzir o impacto de rupturas inesperadas. Hoje, o seguro de vida está menos ligado à ideia de um evento distante e mais à necessidade de garantir continuidade, organização e proteção para quem depende daquela renda específica para seguir em frente.
No fim, falar de seguro de vida é falar sobre responsabilidade financeira. É reconhecer que imprevistos acontecem e que atravessá-los com alguma facilidade, em termos financeiros, pode fazer toda a diferença entre reestruturar a vida ou perder o controle dela.
* Duarte Vieira é Gerente de Vida da Sancor Seguros.







