Ultima atualização 27 de fevereiro

Go Sellers debate IA nas vendas de seguros e crédito

Time Go Sellers
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EXCLUSIVO – A inteligência artificial deixou de ser apenas tema de inovação para ocupar espaço estratégico nas áreas comerciais do setor de seguros e crédito. Em meio à pressão por eficiência operacional, redução de custo de aquisição e ganho de escala, a Go Sellers realizou a primeira edição seu evento evento que reuniu cerca de 60 executivos, entre presidentes e diretores, para debater como agentes inteligentes podem redesenhar a lógica da venda digital no mercado financeiro.

O encontro marcou a apresentação formal da salestech ao mercado e foi estruturado em dois momentos: um bloco técnico, realizado em auditório, com demonstrações práticas das soluções, e uma etapa de relacionamento, em formato de happy hour no rooftop, voltada à troca de experiências entre os participantes.

Fundada em 2025, a Go Sellers surgiu com foco na aplicação de inteligência artificial às vendas de seguros e produtos financeiros. A proposta central é enfrentar um dos principais gargalos do setor: transformar vendas complexas, tradicionalmente baseadas em relacionamento e consultoria especializada, em operações digitais escaláveis sem perder personalização.

Marcelo Lourenço, sócio-fundador da Go Sellers, contextualizou a estratégia adotada pela empresa ao longo do último ano. Segundo ele, a companhia optou por direcionar esforços para grandes clientes e concentrar sua atuação em um único desafio: estruturar vendas digitais com performance e consistência. “Replicar o comportamento de um vendedor experiente é um desafio muito difícil”, afirmou o executivo. Ele acrescentou que “não se trata apenas de automatizar respostas, mas de entender contexto, intenção e momento de decisão do cliente”.

Para Lourenço, o avanço da IA no setor não deve ser visto como substituição da força comercial tradicional, mas como evolução de modelo. “A tecnologia precisa ampliar a capacidade do time comercial, não eliminar a inteligência humana do processo”, disse.

O debate ganha relevância em um mercado no qual a distribuição representa parcela significativa dos custos das seguradoras e instituições financeiras, especialmente em linhas mais técnicas e de maior ticket médio. O bloco técnico foi dedicado às simulações em tempo real das ferramentas desenvolvidas pela empresa. Durante a apresentação, a Go Sellers demonstrou como sua plataforma concentra, em um único ambiente digital, a gestão de ligações, retornos e contatos, além da condução ativa de diálogos com potenciais clientes ao longo de toda a jornada comercial.

Os agentes inteligentes apresentados operam com alto nível de personalização. A tecnologia permite adaptar abordagem e argumentação conforme o perfil do consumidor, identificar oportunidades de oferta a partir de dados contextuais e integrar-se aos sistemas internos das companhias. Também foi demonstrada a possibilidade de customização da voz, com variações regionais e traços comportamentais, buscando aproximar a interação digital da realidade comercial de cada público.

Um dos pontos centrais da apresentação foi o modelo conhecido como Human in the Loop. Nesse formato, a inteligência artificial gerencia o fluxo de atendimento e, quando necessário, transfere a interação para um operador humano, preservando continuidade e rastreabilidade do processo. “IAcom alma de vendedor e precisão de engenheiro”, sintetizou Maurício, ao explicar a arquitetura das soluções. Segundo ele, “a inteligência artificial consegue manter padrão, escala e controle de dados, enquanto o humano entra quando há necessidade de sensibilidade ou negociação mais complexa”.

No momento dedicado aos casos práticos, a empresa buscou demonstrar a aplicabilidade da tecnologia em diferentes frentes. Em produtos de crédito, foram simulados atendimentos envolvendo cálculo de saldo devedor, orientações relacionadas ao saque e geração automatizada de propostas de financiamento e refinanciamento com base no histórico ativo do cliente. De acordo com os executivos, “a ideia é reduzir fricção no processo de decisão e acelerar a jornada sem comprometer a clareza das informações”.

Outro exemplo apresentado foi um assistente inteligente voltado ao agronegócio, capaz de apoiar produtores rurais e agrônomos com esclarecimentos técnicos sobre plantio e condições regionais. “Estamos falando de um público que precisa de informação objetiva, muitas vezes em campo, e que não pode esperar por atendimento tradicional”, foi destacado durante a demonstração.

A empresa também exibiu a estrutura de gestão comercial integrada, na qual agentes inteligentes centralizam interações, organizam fluxos de contato e se conectam a sistemas de CRM e plataformas corporativas já existentes nas companhias. Segundo a Go Sellers, “a venda digital não pode ser um canal isolado; ela precisa estar integrada à estratégia comercial da empresa”.

Parceiros e apoiadores

O presidente da Seguros SURA destacou que a sede da companhia continuará sendo um espaço aberto para iniciativas voltadas à inovação e ao fortalecimento dos negócios no setor. “Acreditamos que a evolução da distribuição passa necessariamente por tecnologia e colaboração”, afirmou.

Ivan Aragão, do Grupo FIT, ressaltou a importância estratégica da Go Sellers dentro do ecossistema do grupo. “É muito importante ver esse projeto ganhar forma e reunir parceiros que acreditaram desde o início”, declarou.

Já Felipe Aragão, sócio e integrante do Go Sellers, chamou atenção para o custo e a complexidade da distribuição de seguros atualmente no Brasil. “Sabemos o quanto a venda de seguros é estruturada, técnica e custosa para as seguradoras. A tecnologia pode ajudar a tornar esse processo mais eficiente e mais transparente para o cliente”, afirmou.

Encerrando o evento, os sócios-fundadores reforçaram a visão de que a transformação da distribuição já está em curso. “O futuro das vendas digitais começa agora”, afirmou. “Estamos convidando o mercado a construir esse novo modelo junto conosco”.

A avaliação predominante entre os participantes foi de que a inteligência artificial tende a deixar de ser diferencial competitivo para se tornar parte estrutural das operações comerciais no setor de seguros e crédito nos próximos anos.

Nicholas Godoy, de São Paulo.

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