Ultima atualização 24 de fevereiro

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80% das seguradoras já utilizam soluções de Inteligência Artificial

EXCLUSIVO – Com investimento médio estimado em R$ 2,3 bilhões em 2025, o mercado de seguros começa a ver pequenos retornos mensuráveis da aplicação da Inteligência Artificial, principalmente nas áreas de atendimento ao cliente e operações. Esta é uma das conclusões do Estudo Inteligência Artificial e o Mercado de Seguros, realizado pela CNseg – Confederação Nacional das Seguradoras – com o apoio da consultoria EY, que entrevistou 26 seguradoras, que representam 50,7% do market share do setor.

Segundo a pesquisa, cerca de 80% das empresas já implementaram algum tipo de solução baseada em IA em seus processos, enquanto as demais estão em fase avançada de testes ou implantação. O levantamento envolveu questionários quantitativos e entrevistas com executivos de seguradoras, entidades reguladoras e representantes do mercado financeiro. 

A principal motivação para a adoção da tecnologia é o aumento de produtividade, apontado por 100% das empresas entrevistadas. Em seguida aparecem a melhoria da experiência do cliente (80%), automação de tarefas (70%) e redução de custos (65%). 

“As áreas mais impactadas até agora são atendimento ao cliente, operações e tecnologia da informação, refletindo a busca por eficiência operacional e melhoria na jornada do segurado”, explicou Alexandre Leal, diretor Técnico, de Estudos e de Relações Regulatórias da entidade. Segundo ele, embora o impacto direto na receita ainda seja modesto, o estudo indica resultados operacionais relevantes. Algumas seguradoras relataram redução de 30% a 50% no tempo de resposta ao cliente e ganhos expressivos de produtividade nas equipes de tecnologia. 

Também foram observados avanços na precificação e na subscrição, com empresas registrando aumento no volume de cotações processadas após a adoção de modelos baseados em IA. Alexandre ressalta que a maioria das organizações descreve os efeitos atuais como “incrementais”, ou seja, melhorias de eficiência sem alteração profunda no modelo de negócios. “Apenas uma pequena parcela reportou impactos substanciais ou disruptivos”.

Os aportes financeiros acompanham a prioridade estratégica. Em 2025, aproximadamente 78% das seguradoras investiram até 1% da receita em iniciativas de IA, o que representa cerca de R$ 2,3 bilhões considerando a amostra analisada. Para 2026, a expectativa é de expansão desses investimentos, podendo alcançar R$ 2,6 bilhões. 

Apesar do avanço, o setor ainda enfrenta obstáculos relevantes, como mostra o Estudo. A integração com sistemas legados, muitos deles baseados em tecnologias antigas, aparece como um dos principais desafios, ao lado da escassez de profissionais especializados, custos de implementação e preocupações com precisão e confiabilidade dos modelos. É importante ressaltar que estes desafios não são exclusivos do mercado brasileiro, conforme ponderou Nuno Vieira, sócio da EY.

O Brasil possui um nível elevado de adoção de IA, cerca de 80%, que se aproximam de países como os Estados Unidos, com 84%. “A principal diferença está no estágio de desenvolvimento. Enquanto no Brasil os casos de uso concentram-se em operações, atendimento e análise documental, o mercado norte-americano já explora aplicações mais avançadas, como gestão preditiva de riscos, cross-selling e detecção de fraudes”, analisa Vieira.

Essa defasagem também se reflete no impacto econômico. No Brasil, a maioria das empresas reporta ganhos incrementais modestos, geralmente inferiores a 1% de receita. Nos Estados Unidos, parcela significativa já registra impactos substanciais, resultado de investimentos mais elevados e contínuos.

As barreiras enfrentadas são semelhantes nos dois países. Integração com sistemas legados, qualidade dos dados e escassez de profissionais especializados continuam sendo os principais obstáculos à expansão da IA. Outro desafio recorrente é demonstrar o retorno sobre o investimento, condição essencial para destravar novos orçamentos e reduzir o chamado “fear of missing out (FOMO)”, a pressão por investir apenas porque concorrentes também o fazem.

Ainda assim, executivos do setor apontam que o próximo ciclo não será de adoção, mas de escala. A expectativa é ampliar o uso da tecnologia com maior governança, ética e foco no consumidor, migrando de iniciativas pontuais para processos estruturais que transformem efetivamente o modelo operacional das seguradoras. 

Kelly Lubiato

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