EXCLUSIVO – Um novo capítulo na gestão de riscos cibernéticos no Brasil se desenha com o lançamento do seguro cyber pela Telefônica Corretora de Seguros (TSC), em parceria com a Kovr Seguradora. O produto no qual uso na Europa, foi apresentado oficialmente ao mercado brasileiro durante o evento Cyber Reality, em São Paulo, reunindo executivos, risk managers e especialistas do setor. A iniciativa tem como objetivo não apenas oferecer uma solução de proteção contra incidentes cibernéticos, mas também fortalecer a governança de riscos em toda a cadeia de fornecedores das empresas, tema que vem ganhando cada vez mais relevância no ambiente corporativo nacional.
Desenvolvido com foco em simplificação e escalabilidade, o novo seguro cyber foi desenhado para atender desde pequenas e médias empresas até grandes organizações. A contratação envolve apenas cinco perguntas de enquadramento, e os planos disponíveis oferecem limites de cobertura entre R$ 600 mil e R$ 6,1 milhões. “Elaboramos uma solução simplificada justamente para enfrentar uma dificuldade clara do mercado hoje: a complexidade de acesso ao seguro cyber para PMEs”, explicou Elizângela Bayer, Head of Insurance and Risk Manager da TSC.
Segundo Bayer, a proposta é que o produto seja amplamente distribuído no mercado brasileiro, com comercialização aberta a corretores parceiros e brokers, além da atuação direta nos fornecedores da própria Telefônica. “Já iniciamos a comercialização com vários canais, inclusive brokers. É um produto aberto ao mercado”, afirmou a executiva.
A Telefônica aproveitou o lançamento para reforçar seu programa de gestão de riscos de fornecedores, que complementa a estratégia corporativa global. Em vigor desde 2015, essa política exige que parceiros e terceiros apresentem apólices de responsabilidade civil adaptadas ao risco de suas atividades. “Nesse ecossistema interconectado, não basta proteger apenas a empresa principal. É preciso proteger toda a cadeia”, observou Bayer, destacando que a exposição cibernética muitas vezes se materializa por meio de terceiros.
A Head of Cyber Insurance da Telefónica Seguros na Espanha, Carmen Gutierrez Lorenzo, destacou a crescente agressividade dos ataques digitais e a facilidade que cibercriminosos têm de comprometer informações e ativos tangíveis e intangíveis. “É muito mais fácil roubar uma empresa de forma digital do que realizar um roubo físico”, afirmou, citando casos recentes que ilustram a magnitude dos prejuízos potenciais. Ela alertou ainda para o fato de que vazamentos de dados,muitas vezes subestimados pelas empresas, podem causar danos tão significativos quanto ataques que levam à interrupção de operações. O painel também refletiu sobre a evolução do mercado brasileiro frente ao risco cibernético.
Nesse sentido, o COO da Kovr Seguradora, Eduardo Viegas, reforçou que a segurança contratual sozinha não é suficiente para mitigar riscos complexos. “A exposição não está necessariamente coberta apenas por um bom contrato com fornecedores. A responsabilidade acaba se limitando à capacidade financeira deles”, disse. Para ele, a diferença está na combinação de cobertura securitária com suporte técnico especializado, que auxilia as empresas não apenas na indenização, mas na gestão efetiva de incidentes.
Viegas avaliou que o país ainda enfrenta um desafio cultural quando se trata de seguro: muitas empresas enxergam a proteção como um custo, e não como mitigador de risco estratégico. “A primeira leitura do brasileiro frente ao seguro ainda é de despesa. Mas no caso do cyber, acredito que essa curva de aprendizado será mais curta, dada a exposição digital que vivemos hoje”, comentou.
Ele mencionou a comparação com outros produtos de responsabilidade, como D&O, que demoraram a ser plenamente compreendidos pelo mercado. “No caso do cyber, essa evolução pode ser mais rápida, justamente pelo ritmo dos ataques e pela maior conscientização pós-pandemia”.
Embora tenha nascido a partir de uma necessidade interna da Telefônica, o seguro cyber foi desenhado para ser competitivo no mercado aberto. A TSC e a Kovr trabalham na distribuição por corretores independentes e parceiros, ampliando o alcance e posicionando o produto como uma opção robusta para empresas que buscam proteção diante de riscos cada vez mais frequentes. Executivos envolvidos no lançamento reforçaram que a proposta vai além de um requisito contratual: é uma peça estratégica no conjunto de governança de riscos corporativos. “Hoje, proteger dados, sistemas e operações não é mais uma escolha. É uma condição de continuidade de negócios”, resumiu Viegas, sintetizando o entendimento que vem ganhando espaço entre líderes de risco e seguradores no Brasil.
Nicholas Godoy, de São Paulo.




