Pressionadas por sistemas legados, ciclos longos de desenvolvimento e pela necessidade de lançar produtos com mais agilidade, seguradoras vêm se destacando na adoção de plataformas low-code no Brasil e no exterior. O movimento acompanha a rápida expansão desse mercado, que deve crescer de US$ 28,75 bilhões em 2024 para US$ 264 bilhões até 2032, segundo estimativa do Fortune Business Insights.
No setor de seguros, a tecnologia tem sido utilizada como uma alternativa para acelerar a modernização de sistemas sem comprometer operações críticas. A Gartner estima que, até o fim de 2026, entre 70% e 75% das novas aplicações corporativas serão desenvolvidas com ferramentas low-code ou no-code, em 2020, esse percentual era inferior a 25%.
“O que impulsiona esse mercado não é só a promessa de velocidade. É a necessidade de transformar demandas do negócio em software com menos fricção”, afirma Paulo Cacciari, head da Deyel, plataforma low-code criada pela Optaris. “Hoje, as empresas precisam modernizar sistemas e lançar novas aplicações sem travar a operação. O low-code reduz o tempo entre a ideia e a execução”.
Além da agilidade, o retorno financeiro tem pesado nas decisões de adoção. Estudo da Forrester aponta que projetos baseados em low-code podem gerar retorno sobre investimento (ROI) de 188% em menos de seis meses, fator relevante em um cenário corporativo marcado por busca de eficiência e controle de custos.
“A discussão deixa de ser restrita ao time de TI e passa a envolver lideranças de negócio, que começam a olhar para o desenvolvimento como parte direta da estratégia de eficiência e competitividade”, explica Cacciari.
Outro ponto que impulsiona o uso da tecnologia é a convivência entre sistemas antigos e aplicações mais recentes. Em vez de substituir plataformas inteiras, muitas empresas optam por soluções que facilitem integrações e ajustes frequentes, reduzindo a dependência de projetos extensos e complexos.
Segundo Cacciari, a maior parte da demanda atual está relacionada à adaptação de processos já existentes, e não à criação de sistemas do zero. “Hoje, o desafio está em conseguir mudar rápido. Quando cada ajuste vira um projeto, a empresa perde agilidade. O low-code permite encurtar esses ciclos e responder com mais velocidade às mudanças do negócio”.
Presente em oito países, a Deyel é utilizada por empresas que buscam lançar produtos digitais ou atualizar sistemas legados, com redução de custos e prazos de desenvolvimento. Para Cacciari, o avanço do low-code não elimina o desenvolvimento tradicional, mas redefine seu papel. “A tendência indica que o desenvolvimento tradicional não desaparece, mas passa a ser exceção. O padrão, cada vez mais, será construir, ajustar e escalar aplicações com menos código”.




