Ultima atualização 05 de novembro

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Swiss Re lucra US$ 4,2 bilhões em nove meses

Resultado de Vida e Saúde avançou 43%, enquanto o lucro em resseguros de Danos e Responsabilidades caiu 6% diante da maior concorrência
Andreas Berger, CEO do Grupo Swiss Re
Andreas Berger, CEO do Grupo Swiss Re

A Swiss Re registrou lucro líquido de US$ 4,17 bilhões nos nove primeiros meses de 2026, crescimento de 3% em relação aos US$ 4,04 bilhões apurados no mesmo período do ano passado. O resultado foi impulsionado principalmente pela operação de resseguros de Vida e Saúde, que apresentou alta de 43% no lucro, enquanto a maior concorrência no segmento de Danos e Responsabilidades pressionou a rentabilidade dos novos negócios.

Somente no terceiro trimestre, o grupo suíço obteve lucro líquido de US$ 1,3 bilhão. No acumulado do ano, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) permaneceu em 22,5%, mesmo patamar registrado nos nove primeiros meses de 2025.

O desempenho também foi favorecido por perdas com grandes catástrofes naturais inferiores às inicialmente previstas e pelos resultados dos investimentos financeiros. A Swiss Re mantém a meta de alcançar lucro líquido de US$ 4,5 bilhões em 2026.

Apesar do avanço no lucro, a receita de seguros recuou 3%, passando de US$ 32 bilhões para US$ 31,2 bilhões. Em contrapartida, o resultado dos serviços de seguros, indicador que reflete o desempenho das operações de subscrição, cresceu 7%, para US$ 5,13 bilhões.

A unidade de resseguros de Danos e Responsabilidades (P&C Re) encerrou setembro com lucro líquido de US$ 2,16 bilhões, queda de 6% na comparação anual. A receita de seguros da operação diminuiu 9%, para US$ 12,8 bilhões, refletindo os resultados das renovações de contratos e a redução dos volumes de negócios cedidos pelas seguradoras.

O índice combinado ficou em 77,3%, ligeiramente abaixo dos 77,6% registrados no mesmo período de 2025. O indicador mostra que a operação manteve resultado técnico positivo, apesar da pressão competitiva sobre os preços. As perdas de grande porte somaram US$ 941 milhões nos nove primeiros meses do ano, dos quais US$ 640 milhões foram relacionados a catástrofes naturais.

Entre os principais eventos estiveram o terremoto registrado na Colômbia, em agosto, e a tempestade Kristin, que atingiu Portugal em janeiro. As perdas de grande porte provocadas por eventos de origem humana totalizaram US$ 301 milhões.

O volume de perdas catastróficas ficou abaixo do orçamento de US$ 1,6 bilhão previsto para os nove primeiros meses de 2026. Outro indicador que reflete o ambiente mais competitivo é a margem de serviço contratual (CSM) dos novos negócios de P&C Re, que caiu de US$ 2,5 bilhões para US$ 1,8 bilhão.

A métrica representa a margem de lucro esperada dos contratos de seguros e resseguros, a ser reconhecida ao longo da prestação dos serviços.

A unidade de resseguros de Vida e Saúde (L&H Re) apresentou o maior crescimento entre as operações da Swiss Re. O lucro líquido avançou 43%, passando de US$ 1,07 bilhão para US$ 1,53 bilhão nos nove primeiros meses de 2026. Segundo a companhia, o desempenho foi favorecido pelas margens da carteira de contratos existentes e por uma experiência de mortalidade mais favorável nos Estados Unidos.

O resultado dos serviços de seguros da unidade cresceu 56%, alcançando US$ 1,64 bilhão, enquanto a receita avançou 7%, para US$ 12,9 bilhões. A expansão da receita foi influenciada por efeitos cambiais positivos e pela contribuição de novos negócios relacionados à longevidade.

Apesar do desempenho operacional, a margem de serviço contratual dos novos negócios recuou de US$ 833 milhões para US$ 488 milhões. A Swiss Re atribuiu a redução ao menor número de grandes transações e a uma postura mais seletiva na contratação de novos riscos, especialmente na região da Ásia-Pacífico. Para o conjunto de 2026, a unidade mantém a meta de lucro líquido de US$ 1,7 bilhão.

Corporate Solutions registra lucro de US$ 714 milhões

A Corporate Solutions, unidade de seguros corporativos da Swiss Re, encerrou os nove primeiros meses do ano com lucro líquido de US$ 714 milhões, crescimento de 3% em relação aos US$ 693 milhões registrados no mesmo período de 2025.

O índice combinado melhorou de 87,1% para 86,4%, enquanto o resultado dos serviços de seguros avançou 4%, alcançando US$ 863 milhões.

A receita da unidade recuou 3%, para US$ 5,5 bilhões, influenciada principalmente pela decisão anteriormente anunciada de não renovar os negócios da operação Irish Medex, cujo impacto foi de aproximadamente US$ 400 milhões.

As perdas de grande porte relacionadas a eventos de origem humana somaram US$ 219 milhões. Já as perdas por catástrofes naturais chegaram a US$ 54 milhões, com impactos associados ao terremoto na Colômbia, à tempestade Fern, na América do Norte, e a um tornado no Texas.

A unidade também anunciou uma parceria estratégica com a Old Mutual Insure, na África do Sul, sujeita às aprovações regulatórias. A iniciativa integra a estratégia de expansão por meio de parceiros locais, modelo que já contempla acordos com a GNP Seguros, no México, e a Bajaj General Insurance, na Índia.

Swiss Re anuncia nova liderança comercial

Além dos resultados financeiros, a companhia anunciou a nomeação de Lori Goltermann como diretora comercial global da Corporate Solutions, em um cargo recém-criado. A executiva assumirá a função em 11 de janeiro de 2027, com base em Chicago, e responderá diretamente a Ivan Gonzalez, CEO da unidade.

Com mais de 30 anos de experiência na Aon, Goltermann será responsável pela estratégia comercial voltada a clientes corporativos, governos e parceiros de distribuição.

A reorganização também prevê a centralização da função global de subscrição da Corporate Solutions, enquanto as unidades regionais terão maior foco no relacionamento com clientes e na identificação de oportunidades comerciais.

O resultado dos investimentos da Swiss Re também contribuiu para o desempenho consolidado. O retorno sobre investimentos ficou em 4% nos nove primeiros meses do ano, com receitas recorrentes de US$ 3,1 bilhões. A rentabilidade das receitas recorrentes avançou de 4,1% para 4,2%, enquanto o retorno dos reinvestimentos atingiu 5,6% no terceiro trimestre.

A companhia também mantém seu programa de redução de despesas operacionais, com meta de economizar US$ 500 milhões até 2028. O objetivo foi ampliado neste ano, substituindo a previsão anterior de redução de US$ 300 milhões até 2027.

Em relação à posição de capital, a Swiss Re apresentou índice estimado de solvência SST de 259% em 1º de outubro, acima da faixa-alvo de 200% a 250%.

Para Andreas Berger, CEO do grupo, a diversificação das operações e a disciplina na subscrição serão importantes para enfrentar as mudanças nas condições do mercado.

“Nosso desempenho nos primeiros nove meses nos coloca firmemente no caminho para atingir ambos os objetivos. Olhando além de 2026, nossas bases sólidas e a diversificação proporcionada pelas três unidades de negócios nos dão confiança em nossa capacidade de navegar com sucesso por diferentes ciclos de mercado”, afirmou, em tradução livre.

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