EXCLUSIVO – No terceiro e último dia do 24º Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros foi marcado por discussões regulatórias e pela forte participação da Superintendência de Seguros Privados (Susep). Os debates abordaram as mudanças na distribuição, a autorregulação dos corretores e os novos mercados abertos pela regulamentação da Proteção Patrimonial Mutualista (PPM) e das cooperativas de seguros.
O primeiro painel, “Autorregulação e PDMIS – A ponte para o futuro do corretor de seguros”, apresentou o Plano Diretor do Mercado de Intermediação de Seguros como um “raio X” da distribuição. Mediador do debate, o consultor da Escola de Negócios e Seguros (ENS), Augusto Coelho Cardoso, afirmou que o documento deve ser atualizado continuamente para capacitar os corretores e acompanhar as mudanças do mercado.
O economista Claudio Contador classificou o plano como uma “bússola confiável”. Segundo ele, o PDMIS busca alinhar corretores, seguradoras e entidades em torno de objetivos claros e mensuráveis. Contador também informou que a receita anual da corretagem de seguros no Brasil varia entre R$ 52 bilhões e R$ 55 bilhões.
A diretora da Susep Júlia Normande Lins destacou que o corretor permanece como elo de confiança entre seguradoras e consumidores. Segundo ela, a digitalização deve ser utilizada para ampliar a cesta de produtos, atrair novas empresas e facilitar o acesso da população às ofertas.
Júlia também defendeu a participação dos corretores nas discussões sobre o Open Insurance. “Esse é o futuro e precisamos trazer os corretores para essa discussão. Não podemos fechar os olhos para esse movimento”, afirmou.
O diretor da Susep Marcílio Otávio Nascimento Filho explicou que a autorregulação não substitui a atuação da autarquia, mas funciona de forma complementar. Ele destacou que a Resolução CNSP nº 493 unificou 13 normas e modernizou as regras aplicáveis ao segmento.
Entre os benefícios apontados estão maior segurança jurídica, agilidade no cadastramento e na fiscalização dos corretores e garantia do direito de defesa em eventuais sanções. Marcílio alertou ainda que, quando uma corretora pessoa jurídica ingressa em uma autorreguladora, seus diretores e sócios também precisam acompanhar esse movimento.
A presidente do Ibracor, Maria Filomena Magalhães Branquinho, lembrou que a Lei Complementar nº 147 iniciou o reconhecimento da maturidade dos corretores para a autorregulação. Para ela, as novas normas ampliam as possibilidades de organização e desenvolvimento da atividade.
Proteção mutualista e cooperativas
“O mercado de seguros brasileiro poderia ser três vezes maior do que é”. A avaliação foi feita pelo diretor da Susep, Carlos Queiroz, no painel seguinte sobre “Novos Mercados de PPM e Cooperativas de Seguros” que discutiu as oportunidades abertas pela regulamentação dessas modalidades.
O diretor da Autarquia afirmou que o Brasil estava atrasado na regulamentação do segmento. Segundo ele, o novo marco criou outros modelos para a oferta de proteção e fortaleceu a estrutura da autarquia, com mais recursos e capacidade de supervisão.
Queiroz ressaltou ainda, que o corretor precisará conhecer as diferenças entre seguro, proteção patrimonial mutualista e produtos oferecidos por cooperativas. Mesmo que não pretenda atuar nessas modalidades, o profissional deverá estar preparado para explicar ao cliente como cada modelo funciona, além de suas vantagens e limitações.
O diretor também defendeu maior proximidade entre a Susep e os corretores, com mais diálogo sobre a implementação das novas regras. Para ele, ouvir quem está na ponta será fundamental para melhorar a regulação e fazer o novo mercado funcionar.
Mediador do painel, o assessor da ENS Marcelo Augusto Camacho Rocha afirmou que o corretor foi contemplado pelas novas regras e poderá ocupar novos espaços na distribuição.
O presidente do Sicoob Credseguro, João Armando de Castro Santos, explicou que o aumento dos custos para as cooperativas de crédito levou o segmento a buscar atuação em outros mercados, incluindo o de seguros. Segundo ele, a distribuição dos resultados e a gestão democrática, na qual os cooperados participam das decisões, podem atrair os corretores. Como exemplo do potencial, Santos afirmou que as cooperativas respondem por 72% dos seguros comercializados na Finlândia.
O coordenador de Ramos da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Hugo de Castro Andrade, informou que o país possui cerca de 1,4 mil cooperativas. Com a entrada dos seguros, a atividade passou a representar o oitavo ramo do cooperativismo brasileiro.
Para Andrade, a agenda regulatória será um dos principais desafios dessa nova etapa. Ele também defendeu que os corretores estudem a legislação e compreendam o funcionamento do cooperativismo antes de atuar no segmento.
O presidente do Conselho Consultivo da MAG e do Fórum Mario Petrelli, Marco Antonio Gonçalves, afirmou que aproximadamente 8 milhões de veículos estão vinculados a associações de proteção veicular. Segundo ele, essas estruturas avançaram diante de uma demanda que o mercado tradicional não conseguiu atender. “O mundo mudou, nós temos que mudar, e o corretor de seguros será o grande protagonista dessa revolução do mercado segurador”, declarou.
Os dois painéis convergiram sobre a necessidade de preparar o corretor para um mercado com novos produtos, modelos de proteção e canais de distribuição. A expansão, segundo os participantes, dependerá da combinação entre regulação, capacitação e maior diálogo entre a Susep e os profissionais que estão na ponta.
Nicholas Godoy, do Rio de Janeiro







