Ultima atualização 06 de janeiro

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Swiss Re Corporate Solutions: Operação brasileira será empoderada

Conversamos com executivos da Swiss Re Corporate Solutions para saber o que muda com a nova gestão na LIMEA (América Latina, Espanha, África e Oriente Médio).

Guilherme Perond, Head Ibero-America, Middle East & Africa | Swiss Re Corporate Solutions

Revista Apólice – Quais são as perspectivas de negócios para 2026, tanto para o Brasil quanto para a América Latina?

Guilherme Perondi:
De acordo com um estudo do Swiss Re Institute, publicado em novembro/2025, acreditamos que a América Latina deve crescer cerca de 2,1% em 2026, com a região observando temas como uma queda gradual da inflação, políticas monetárias menos restritivas e recuperação parcial de investimentos, embora abaixo do seu potencial de crescimento, limitado por desafios estruturais como baixa produtividade, déficits fiscais e vulnerabilidade externa.

A expansão do mercado de seguros deve ser novamente acima do PIB, com projeção de 4% de crescimento real dos prêmios em 2026. A expectativa é de crescimento de 4,6% no segmento de Vida e Saúde, impulsionado pela maior demanda por proteção, saúde suplementar e produtos de poupança/previdência, enquanto os Ramos Patrimoniais e de Danos (P&C) devem crescer 3,2%, impulsionado pelos ramos patrimoniais e automóvel.

No Brasil, a estimativa é que o PIB cresça 1,7% em 2026, abaixo da média da América Latina, com o país enfrentando menor flexibilidade orçamentária e investimentos ainda moderados. Para o mercado de seguros, esperamos crescimento de 3,8%, com destaque para Vida (+4,3%), Saúde (4%) e Ramos Elementares (5%) no próximo ano. Por um lado, acreditamos que a maior digitalização na oferta de seguros vai apoiar a expansão, porém desafios como crescimento econômico moderado e inflação ainda elevada, combinada com a necessidade de ampliar a inclusão e a penetração de seguros no país, limitarão a expansão potencial do mercado.

Revista Apólice – O que muda nas suas funções a partir do próximo ano?

Guilherme Perondi:
Neste ano, tive o privilégio de ser convidado para assumir a Região LIMEA (América Latina, Espanha, África e Oriente Médio) da Swiss Re Corporate Solutions, que será gerenciada a partir do Brasil. Meu foco seguirá sendo priorizar o Brasil, pelo seu tamanho e potencial de crescimento, e trabalhar com os líderes dos demais países da região explorando sinergias de negócio nessa nova região.

Fico muito feliz pela oportunidade e acredito que vale destacar que, assim como outras companhias do nosso setor, à medida que o Brasil e a América Latina ganham prioridade, mais empoderamento vem sendo dado para nossos executivos/as, abrindo novos caminhos de desenvolvimento profissional para nossos talentos.

Revista Apólice – Como o Brasil se posiciona regionalmente e qual é a importância da operação brasileira para a região?

Guilherme Perondi:
A América Latina e, particularmente o Brasil, tem papel estratégico para a Swiss Re Corporate Solutions. Temos uma presença relevante e tradicional na região e um modelo de negócios abrangente, combinando três operações de seguro no Brasil, Colômbia e México com uma operação de “Wholesale” em Miami, oferecendo soluções para os demais países da América Latina e Caribe.

Com esse modelo, e considerando que temos mais de 500 colaboradores na região, oferecemos soluções em riscos Patrimoniais, Responsabilidades, Agro, Transportes, Garantia, Engenharia, além de produtos estruturados como Paramétricos e Soluções Estruturadas para riscos complexos e cativas.

No Brasil, temos uma sociedade com a Bradesco Seguros desde 2017, nos permitindo acessar tanto o segmento de grandes riscos quanto atender corretores e clientes em todo o país, contando com a força do Grupo Bradesco. Esta parceria estratégica nos posiciona entre as maiores seguradoras de riscos corporativos, com destaque para Patrimoniais, Engenharia, Energia, Garantia e Agro.

Seguiremos investindo em pessoas, tecnologia e produtos para estar cada vez mais perto e acessíveis para corretores e clientes brasileiros.

Glaucio Toyama, Head Agro Brazil | Swiss Re Corporate Solutions

Revista Apólice – Quais são as perspectivas para o Seguro Rural em 2026?

Glaucio Toyama:
O setor agropecuário seguirá enfrentando volatilidade, marcada por riscos climáticos, endividamento elevado e custos mais altos de financiamento. Ainda assim, 2026 tende a ser um ano de reorganização positiva.

A possível aprovação do PL 2951 pode fortalecer o Programa de Subvenção do Seguro Rural e modernizar instrumentos de crédito, o que tende a abrir espaço para mais produtores se protegerem. O clima continuará sendo o principal vetor de risco, mas o avanço da tecnologia permitirá aprimorar precificação, monitoramento e gestão do sinistro, tornando a proteção mais eficiente e acessível.

Revista Apólice – Você acredita em uma retomada dessa carteira no Brasil?

Glaucio Toyama:
Sem dúvida. Os últimos anos exigiram grandes ajustes e todo o mercado — seguradoras, resseguradoras e canais de distribuição — se estruturou para oferecer uma carteira mais diversificada, sustentável e tecnicamente sólida.

Estamos consumindo mais tecnologia em toda a jornada, com uso intensivo de dados, satélites, sensores climáticos e ferramentas de modelagem. Isso melhora a precisão e permite oferecer soluções mais adequadas ao perfil de cada produtor, região e cultura.

Revista Apólice – O que a Swiss Re Corporate Solutions pode fazer para incrementar os negócios em um período de desafios maiores?

Glaucio Toyama:
Estamos investindo em diversificação de portfólio, ampliando coberturas e expandindo os canais de distribuição. Também fortalecemos a cultura de seguros rurais, trabalhando muito próximos de cooperativas, revendas, instituições financeiras e corretores especializados.

Outro ponto essencial é a simplificação da contratação e o avanço digital. Nosso foco é entregar produtos mais personalizados, com experiência fluida e processos de sinistro mais rápidos, especialmente em eventos climáticos severos. A tecnologia será decisiva para aumentar eficiência e escala.

Christian Zammit, Head E&C Brazil | Swiss Re Corporate Solutions

Revista Apólice – Quais são as oportunidades em 2026 para os riscos de engenharia, considerando principalmente projetos de infraestrutura e PPPs?

Christian Zammit:
O pipeline de engenharia para 2026 é robusto, com avanços em metrôs, rodovias, ferrovias e saneamento. São destaques a implantação da Linha 19 e a expansão da Linha 6 do metrô de São Paulo, a ampliação da Linha 1 do metrô de Salvador e obras estratégicas como o Contorno de Caraguatatuba.

Um marco será a construção do primeiro túnel submerso do Brasil, ligando Santos e Guarujá, um projeto emblemático do ponto de vista de engenharia. No setor ferroviário, a expectativa é de oito leilões e, no saneamento, investimentos na ordem de R$ 39 bilhões.

A Swiss Re Corporate Solutions tem longo histórico de atuação em projetos complexos e continuará apoiando estes projetos com capacidade técnica global e soluções de transferência de risco projetadas para garantir execução e estabilidade financeira.

Pedro Mattosinho, Head Surety Brazil & Colombia | Swiss Re Corporate Solutions

Revista Apólice – Quais são as oportunidades para o Seguro Garantia em 2026?

Pedro Mattosinho:
O Seguro Garantia continuará sendo um dos vetores de crescimento mais fortes do mercado brasileiro, impulsionado também pela necessidade de investimentos em infraestrutura.

Vemos grande potencial em garantias além das judiciais, como descomissionamento de barragens, garantias previdenciárias, garantias de M&A e arbitrais, além de modalidades amplamente utilizadas no exterior, como garantias para operações de crédito bancário.

Revista Apólice – Como o setor deve enfrentar os novos desafios e o surgimento de outras modalidades de garantia, como a capitalização?

Pedro Mattosinho:
Cada produto tem o seu espaço no mercado e vemos no Seguro Garantia uma opção muito interessante para o cliente, pois, ao não exigir depósito de recursos financeiros pelo tomador, acaba sendo uma solução eficiente ao não imobilizar recursos financeiros e não consumir limites de crédito.

O Seguro Garantia é um instrumento amplamente utilizado no Brasil e com potencial de crescimento, especialmente na medida em que o setor tem criado novos produtos atendendo as demandas dos clientes.

Revista Apólice – Quais setores dentro do Seguro Garantia devem ser mais promissores?

Pedro Mattosinho:
Além das obras de infraestrutura tradicionais, há grande potencial em setores como energia, óleo e gás, mineração, concessões metroferroviárias, previdência privada e operações logísticas.

Também estamos atentos à retomada das garantias de completion, amplamente utilizadas em outros países, e à expansão de garantias financeiras associadas a operações de crédito.

*Matéria originalmente publicada na Revista Apólice #315.

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