EXCLUSIVO – O mercado de seguros brasileiro entra em 2026 em um novo estágio de maturidade, após um ciclo marcado por crescimento acelerado, mudanças regulatórias, maior concorrência e pressão sobre margens. Na avaliação da Seguradora ALM, o próximo período tende a ser de consolidação, exigindo ajustes na forma de crescer, precificar riscos e estruturar operações, com maior peso para estrutura técnica, capital adequado e visão de longo prazo.
“Entramos em 2026 em uma fase de consolidação e expansão qualificada. Nossa principal prioridade estratégica é crescer com disciplina técnica, mantendo o equilíbrio entre inovação, rentabilidade e solidez regulatória”, afirma Alexandre Dominguez, CEO da companhia.
Segundo o executivo, o movimento não representa uma retração do mercado, mas uma mudança de postura. A lógica de crescimento baseada apenas em volume perde espaço para estratégias mais seletivas, ancoradas em precificação adequada, governança e capacidade de retenção de riscos.
Dentro desse contexto, os ramos de Vida e Garantia aparecem como prioridades no plano estratégico da ALM para 2026. A companhia pretende ampliar sua capacidade de retenção, aprofundar o uso de dados e revisar seus modelos atuariais, em linha com um ambiente mais exigente do ponto de vista técnico. “O fortalecimento da nossa atuação em Vida e Garantia passa pela evolução dos modelos atuariais e pelo uso intensivo de dados para uma precificação cada vez mais precisa”, destaca Dominguez. Segundo ele, o recente aporte de capital realizado pela seguradora amplia a capacidade de assumir riscos de forma mais estratégica, sem comprometer os parâmetros de solvência e segurança exigidos pelo mercado.
Na leitura da ALM, segmentos mais sensíveis ao ciclo econômico devem passar por um processo de ajuste mais claro. “Esperamos um ambiente de maior racionalidade na precificação, especialmente em linhas como garantia e seguros financeiros”, diz. Para ele, o amadurecimento do mercado tende a reduzir distorções observadas nos últimos anos, quando a competição acirrada pressionou margens e aumentou a exposição a riscos.
Crescimento institucional e proximidade com os canais
Outro pilar da estratégia da empresa em 2026 é a expansão geográfica e institucional, com foco na operação em São Paulo. Mais do que ampliar presença, a proposta envolve aprofundar o relacionamento com corretores, parceiros financeiros e estruturas alternativas de distribuição. “Acreditamos em um crescimento próximo do mercado, baseado na escuta ativa dos canais e na construção conjunta de soluções”, afirma Alexandre. Segundo ele, o papel dos corretores e parceiros tende a se tornar ainda mais estratégico em um ambiente mais seletivo, no qual a qualidade da distribuição passa a influenciar diretamente a sustentabilidade do negócio.
Na avaliação da companhia, o fortalecimento institucional também está relacionado à capacidade de dialogar com diferentes perfis de clientes e adaptar produtos e processos às necessidades específicas de cada canal, evitando soluções padronizadas em excesso.
A transformação tecnológica aparece como outro ponto relevante, mas com uma abordagem que vai além da digitalização de processos. Para Dominguez, a tecnologia deve ser tratada como parte da estratégia central. “Não enxergamos a tecnologia apenas como uma ferramenta operacional. Ela faz parte do nosso DNA estratégico”, afirma. A seguradora pretende avançar no uso de inteligência artificial, automação de processos, underwriting assistido por dados e integração digital com parceiros.
Essas iniciativas, segundo o executivo, já impactam áreas como subscrição, gestão de sinistros, prevenção a fraudes e relacionamento com clientes. Ainda assim, ele pondera que a vantagem competitiva não estará apenas na adoção de novas tecnologias. “O diferencial estará em quem conseguir unir tecnologia com critério técnico, governança e responsabilidade”, diz.
Ambiente regulatório mais exigente
Do ponto de vista regulatório, a expectativa da ALM é de um ambiente mais sofisticado e exigente em 2026, com foco em solvência, governança, proteção de dados e transparência. Para a companhia, esse movimento tende a fortalecer o mercado como um todo.
“Enxergamos a evolução regulatória de forma positiva, porque ela eleva o nível do setor e fortalece a confiança do consumidor”, afirma Dominguez. Segundo ele, a seguradora busca tratar a regulação como parte integrante da estratégia, e não como um fator meramente operacional.
Na avaliação do CEO, esse cenário deve favorecer seguradoras com estrutura técnica sólida e visão de longo prazo. “Após um período de forte crescimento e entrada de novos players, o setor tende a passar por uma seleção natural”, afirma.
As mudanças no comportamento do consumidor também aparecem como um vetor relevante para 2026. O cliente, segundo a ALM, busca produtos mais simples, flexíveis e personalizados, além de jornadas digitais mais eficientes e comunicação mais clara. “O consumidor quer entender o que está contratando, ter respostas rápidas e perceber que o seguro faz parte da sua vida, e não apenas um contrato esquecido”, explica. Isso exige, segundo ele, produtos modulares, processos menos complexos e maior transparência na relação com o cliente.
Nesse contexto, cresce a integração entre seguros, serviços e conteúdo. “Há uma tendência clara de aproximação entre proteção, educação financeira e novas experiências de relacionamento”, pontua o CEO. Para a ALM, esse modelo híbrido tende a ganhar espaço nos próximos anos, exigindo das seguradoras uma atuação mais conectada ao cotidiano do consumidor. Para a companhia, 2026 deve consolidar uma mudança estrutural no mercado de seguros brasileiro: menos foco em crescimento acelerado e mais atenção à consistência técnica, governança e aderência às transformações do ambiente econômico e regulatório. Um movimento que, na avaliação da ALM, tende a redefinir o perfil competitivo do setor no médio e longo prazo.
Nicholas Godoy, de São Paulo.




