Os eventos climáticos de 2025 mostram que o risco climático já é um fator financeiro relevante para empresas e seguradoras. O mercado segurador passa a lidar com perdas mais frequentes, que afetam diretamente coberturas tradicionais.
Dados da Munich Re indicam que os desastres naturais em 2025 geraram aproximadamente US$ 224 bilhões em perdas econômicas globais, sendo US$ 108 bilhões seguradas. Mesmo sem grandes furacões nos Estados Unidos, incêndios florestais, tempestades severas e enchentes localizadas causaram impactos comparáveis a riscos tradicionais.
O Allianz Risk Barometer 2026, com a participação de mais de 3.300 especialistas em risco de quase 100 países, aponta a Interrupção de Negócios (Business Interruption) como um dos principais riscos corporativos. Apenas 3% das empresas consideram suas cadeias de suprimento muito resilientes, evidenciando vulnerabilidades operacionais frente a eventos climáticos extremos.
Iniciativas como o SONAR, da Swiss Re, destacam a crescente volatilidade climática, a ocorrência de eventos combinados e a pressão sobre modelos tradicionais de precificação e definição de limites de apólices.
Na prática, isso implica que:
- Apólices de riscos nomeados podem não cobrir eventos climáticos híbridos ou combinados;
- Limites definidos com base em históricos defasados podem não acompanhar a frequência e severidade atuais;
- Análises de risco desatualizadas prejudicam decisões sobre renovação, retenção e transferência de risco.
Para enfrentar esse cenário, a gestão de risco climático precisa ser operacional. A Lockton, por exemplo, desenvolveu metodologia própria que integra análise detalhada do negócio, exposição regional e cenários climáticos, permitindo definir gatilhos técnicos adequados e alinhar limites, coberturas e continuidade operacional.
No Brasil, discussões técnicas conduzidas pela CNseg reforçam que a resiliência climática exige integração entre seguro, ciência, planejamento territorial e gestão corporativa, tornando o risco climático elemento central da estratégia empresarial.
O risco climático já impacta balanços, operações e programas de seguros. A capacidade de absorver ou mitigar perdas depende da qualidade da análise de risco, definição de gatilhos e coerência entre exposição real e proteção contratada.




