Ultima atualização 07 de janeiro

O papel da cultura organizacional na sustentabilidade da empresas de seguros

Neste artigo, Regina Dell’Aera analisa por que a cultura organizacional deixou de ser um tema abstrato e passou a ocupar papel central na estratégia das empresas de seguros

Em um setor como o de seguros, cada vez mais desafiado por transformações tecnológicas, exigências regulatórias e mudanças no comportamento dos clientes, a cultura organizacional é um fator estrutural que segue determinante para a perenidade das empresas desse mercado extremamente competitivo e que vive um período acelerado de mudanças. Mais do que um conceito abstrato, ela é o alicerce que sustenta decisões, orienta comportamentos e conecta pessoas à estratégia de negócio.

Colocar as pessoas no centro da estratégia deixou de ser um mero discurso para se tornar uma necessidade concreta. Afinal, são elas que executam a estratégia, interpretam regras, constroem relações de confiança e materializam o propósito da organização no dia a dia. Empresas que reconhecem esse papel investem de forma consistente na formação de times engajados, diversos e alinhados aos valores corporativos, colhem resultados mais sólidos e sustentáveis ao longo do tempo.

A cultura organizacional funciona como um pilar fundamental da companhia. É ela que define como a empresa reage a riscos, lida com dilemas éticos, toma decisões sob pressão e se posiciona diante de clientes, parceiros e da sociedade. Em um mercado fortemente regulado como o de seguros, esse aspecto ganha ainda mais relevância, pois a cultura interna influencia diretamente a qualidade da governança e o grau de conformidade com normas e processos.

Diante desse cenário, fortalecer a governança não é apenas uma exigência regulatória, mas um exercício contínuo de responsabilidade corporativa. E a governança só é efetiva quando encontra respaldo em uma cultura sólida, baseada em transparência, integridade e accountability. Políticas, códigos de conduta e estruturas formais perdem força se não forem vivenciados pelas pessoas no cotidiano da organização.

É nesse contexto que as lideranças exercem papel central. Gestores são os principais agentes de disseminação da cultura. Eles são responsáveis por traduzir diretrizes estratégicas e transformá-las em práticas concretas. Por isso, investir no desenvolvimento de líderes preparados para conduzir pessoas, tomar decisões éticas e equilibrar performance com responsabilidade é um passo essencial para construir organizações mais resilientes.

Além disso, a cultura organizacional deve ser tratada como um ativo intangível estratégico, capaz de gerar valor no longo prazo. Empresas que promovem ambientes de confiança, colaboração e aprendizado contínuo tendem a apresentar menor rotatividade, maior produtividade e mais capacidade de adaptação a mudanças regulatórias, econômicas e tecnológicas. Esses fatores impactam diretamente a sustentabilidade financeira e operacional das companhias.

Em um cenário de crescente atenção a critérios ESG, a cultura também exerce papel primordial na sustentabilidade do negócio. É ela que dá materialidade às práticas sociais e de governança, garantindo que compromissos públicos se traduzam em ações concretas. Uma cultura forte sustenta relações duradouras, protege a reputação corporativa e fortalece a licença social para operar.

Sugestão para mudar o parágrafo anterior para este: Quando falamos de Sustentabilidade, esse tema ganha ainda mais força. A cultura é o que dá materialidade aos compromissos sociais e de governança. É ela que garante que o discurso vire prática, que os compromissos públicos se traduzam em ações concretas e consistentes. Uma cultura forte protege a reputação, fortalece relações de longo prazo e sustenta a licença social para operar.

Não há dúvidas de que, em um mundo do trabalho cada vez mais dinâmico, a cultura atua ainda como elemento de coesão. Ela mantém as pessoas conectadas à estratégia e aos valores da empresa. Quando pessoas, governança e cultura estão alinhadas, a organização se torna mais resiliente, preparada para enfrentar incertezas e crescer de forma consistente.

Mais do que um diferencial competitivo, a cultura organizacional é um pilar de sustentabilidade do negócio. Empresas que colocam pessoas no centro da estratégia, fortalecem sua governança e cultivam ambientes éticos e colaborativos constroem bases sólidas para resultados duradouros e para a geração de valor no longo prazo. Afinal, qualquer negócio é feito por pessoas.

*Regina Dell’Aera, Diretora de Pessoas, Cultura e Sustentabilidade da Newe Seguros.

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