Ultima atualização 22 de outubro

Longevos devem se manter ativos

Um mundo mais amigável ao idoso. O Fórum de Longevidade da Bradesco Seguros chegou a sua 10ª edição na última terça-feira, 20, abordando um tema que para muitos pode ser delicado e até tabu, com delicadeza e cuidado: envelhecer e como fazer para que os idosos tenham um mundo melhor a seu alcance, especialmente nas relações de trabalho, mas também na indústria, no turismo, com a imprensa e outros setores que sejam capazes de abraçar o idoso e também ver oportunidades na longevidade, já que eles hoje têm poder aquisitivo e disposição para participar do mercado econômico, seja como consumidor, seja como mão-de-obra. Além disso, o tema central do evento, “Inspirando um mundo melhor para todas as idades“, o que lembra que a preocupação tem que estar em toda a sociedade.

Alexandre Kalache, médico e gerontólogo, foi um dos palestrantes e apresentou o conceito de  Age friendly (amigo da idade, em tradução livre)  ressaltando a importância da inclusão de idosos na logística de transporte, no amparo social, mas também no entendimento do que será essa longevidade. “Não vai ser a vida monótona, feita para trabalhar até se aposentar. Hoje estudamos e trabalhamos por mais tempo, mas continuamos aposentando cedo. Temos que mudar e responder à revolução  da longevidade”, afirma. Depois das fases que hoje vivemos, os longevos terão a oportunidade de tirar um ano sabático, dedicar-se às novas possibilidades de carreira, manter a carreira sem amarras de outras responsabilidades. Inúmeras são as opções para essas pessoas.

Para falar mais a fundo sobre as necessidades e probabilidades de trabalho e relação com a cidade, Ruth Finkelstein, professora da Universidade de Columbia, em New York (EUA), e coordenadora do programa Cidade Amiga do Idoso, do prefeito Michael Bloomberg.

Como bem se sabe, a proporção de população jovem tem diminuído em relação à idosa. “Hoje essas linhas se cruzam, a população está envelhecendo. Cabe a nós descobrir como fazer as coisas de forma diferente. Se fizermos as coisas de maneira antiga elas não funcionarão bem. Mas se respondemos à transição demográfica, mudança de instituições, cidades, famílias, teremos oportunidade porque é o que os idosos são”, concluiu

A pesquisa desenvolvida em Nova York aponta que os idosos que deixam de trabalhar sentem falta dos amigos de profissão e de algo para fazer todos os dias, eles querem e precisam ocupar seu tempo. Além disso, a questão financeira também é crucial, já que o dinheiro da seguridade social acaba não sendo suficiente para que eles conduzam sua vida nessa nova fase.

Pensando nisso, o projeto começou um programa para mapear as empresas que valorizam todas as idades e que exaltam a troca de experiências e aprendizados. Hoje isso ainda é incipiente porque a mão-de-obra a partir dos 50 anos já começa a ser descartada e é preciso fazer um esforço para que essas empresas voltem a perceber o valor que tem um profissional com mais tempo de carreira. Além disso, muitas profissões têm se tornado mais escassa. “A situação é que os jovens também estão deixando de aprender muita coisa. Jovens não estão se tornando-se encanadores, pedreiros. Mas alguém precisa construir os prédios e precisa ser alguém que tenha habilidades para isso… Mas eles só querem ser empresários”, lamentou Ruth. Para ela, esses profissionais podem enriquecer e ajudar a empresa a ter mais sucesso com sua expertise.

Amanda Cruz
Revista Apólice

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