Ultima atualização 09 de abril

Risco declinável precisa ser aceito pelo mercado

De acordo com especialistas que participaram de painel no Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro, o risco declinável precisa ser gerenciado e melhorado até se tornar segurável

O corretor Ricardo Faria Garrido traçou um  histórico do problema dos Riscos Declináveis, que afetam diretamente o corretor de seguros e seus clientes. As dificuldades para enfrentar este problema estão ligadas à difícil identificação do ressegurador e das seguradoras, a realização das inspeções de risco, riscos sem coberturas, preços elevados, franquias elevadas, relacionamento com mercado internacional e falta de gerenciamento de risco.
“O gerenciamento de risco se resume em fazer com que o risco seja considerado bom. Mas é preciso que os riscos sejam mitigados para que o mercado possa absorvê-lo de forma confortável”, indicou Garrido.
O autosseguro é o pior dos mundos para o setor de seguros. A estratégia para avançar é fazer uma análise criteriosa e prestar serviços para diminuir os danos máximos prováveis. “O gerenciamento de risco leva em consideração o cliente investindo em segurança, mostrando que se importa com o negócio, sinalizando para o banco que está comprometido com o crescimento, conseguindo taxas de financiamento mais acessíveis, e consequente proteção securitária com melhores taxas”, enumerou Garrido.
A oportunidade surge com o crescimento da carteira em riscos corporativos dentro de nichos de mercado onde a competição é menor, e traz alternativas para todos os envolvidos no setor: corretor, corretor de resseguro, seguradora, resseguradora, empresa de prestacao de serviços.
O corretor tem que atuar no sentido de servir a sociedade, ajudando-a a ter consciência dos riscos a que está exposta e orientá-la a proteger seu patrimônio com responsabilidade. “Quando uma fabrica sofre um incendido, todos perdem: investidores, bancos, fornecedores, economia local, governos e famílias envolvidas”, concluiu Garrido.

A visão do cliente

A Limppano S/A enviou seu presidente Thomas  Buchheim para falar da sua experiência como consumidor de seguros. Empresa com 37 anos de vida e que sempre fez todos os seguros necessários (incêndio, Lucros Cessantes, RC). “Nos últimos quatro anos, o seguro se tornou uma coisa quase inacessível. Descobri hoje que sou parte de um risco declinável”, brincou o executivo.
“Chegamos ao ponto de pensar em nos juntar no Sindicato e montar um mutuo para cobrir os riscos. Vocês estão perdendo mercado. Meus amigos fora do País conseguem fazer. Então pensem nos declináveis, porque também temos direito a ter nosso seguro”, conclamou Buchheim.
Adilson Neri Pereira, representou a Fenseg para tratar do tema. Ele veio para trazer um experiência que aponte para uma solução. “Na minha época se fazia uma inspeção do risco, que ia avaliar cada ponto daquela planta que seria segurada. Era um trabalho delicado”, recordou Pereira.
O que diferencia o Dano Máximo Provável da Perda Máxima Possível, quando elas se equivalem e tornam o risco declinável, é o gerenciamento de risco. Em 2011, Pereira coordenou um grupo de trabalho que reuniu técnicos do mercado para discutir o problema. Entre os trabalhos esteve a avaliação da instruções técnicas do Corpo de Bombeiros, a avaliação de inspeção de riscos, a verificação de alternativas.
Os riscos indicados pelos corretores de seguros envolviam supermercados, depósitos e armazéns de brinquedos, plásticos, artefatos de madeira, alimentos industrializados e depósitos usados por transportadoras. “Verificamos que é preciso haver envolvimento de todos os players para transformar os riscos em aceitáveis”, sentenciou Pereira.
Diogo Ornellas Geraldo, coordenador de resseguro da Susep, disse que desafio é transformar os riscos em seguráveis, aumentando o nível de informações de qualidade sobre o risco. O processo constante de revisão dos guidelines do mercado e o refinamento do mercado, na medida em que os resseguradores internacionais tomem mais conhecimentos sobre os riscos locais, faz com que eles os taxem e aceitem dentro dos contratos.
“Com o acirramento da concorrência, vemos que a prática de desenvolvimento de produtos vem aumentando, o que favorece a aceitação de riscos mais gravosos ou com condições de aceitação excepcionais”, concluiu Geraldo.

Kelly Lubiato, do Rio de Janeiro
Revista Apólice

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