Ultima atualização 11 de abril

Edição 181

opinião

por Giovani Agostini Saavedra*

Compliance e prevenção à lavagem de dinheiro

“STF – Maior preocupação é com novo entendimento sobre lavagem de dinheiro. Jurisprudência do mensalão deixa bancos e empresas apreensivos” – essa era uma das principais manchetes do jornal Valor Econômico do dia 12 de novembro de 2012. De fato, não há a menor dúvida que, desde o ano passado, está-se a observar um processo de mudança profunda na forma de “combate” aos ilícitos empresariais e/ou econômicos: no âmbito dos crimes econômicos, como é o caso do crime de lavagem de dinheiro, aos poucos, não se está mais procurando a responsabilização penal do indivíduo que praticou o crime, mas, supreendentemente, o foco está sendo direcionado para aqueles dirigentes que, no âmbito da empresa, têm poder de administração; por outro lado, no âmbito cível e administrativo, especialmente com a promulgação da nova Lei Anticorrupção, está em curso um processo de generalização da responsabilidade objetiva da pessoa jurídica.
Esse processo de mudança de estratégia se desenvolveu, basicamente, em duas fases: na década de noventa, o Brasil assistia ao início de um processo sem precedentes de promulgação de leis, que criariam os chamados crimes “empresariais” ou crimes “econômicos”.
Essa fase é marcada pela criação de novos ilícitos, que ampliam o controle penal da atividade empresarial e da ordem econômica, sem, porém, mudar a forma desse controle. Uma transformação desse tipo somente começa a ser observada e concretizada a partir da promulgação da nova Lei de Lavagem de Dinheiro e da nova Lei Anticorrupção, através das quais se completa um ciclo de mudança profunda na forma do controle estatal da atividade empresarial, inaugurado, no final da década de noventa, com a promulgação da Lei 9.612 de 3 de março de 1998.
Essa nova fase caracteriza-se pelas seguintes diretrizes básicas de controle estatal da atividade econômica: em primeiro lugar, o Brasil acabou cedendo à pressão internacional e começou a disseminar, num primeiro momento, em setores sensíveis do meio empresarial e, recentemente, em praticamente todos os ramos do mercado, os chamados “deveres de compliance”. Paralelamente,
para viabilizar a punição do não cumprimento dos deveres de compliance, surgiu uma tendência de generalização do uso de conceitos como omissão imprópria, dolo eventual e de novas teorias da responsabilidade penal de organizações, com o objetivo de desvincular a responsabilização penal da ação do indivíduo que, de fato, praticou o crime, para passar a responsabilizar os dirigentes da empresa. Apenas para dar um exemplo do alcance dessa mudança: no caso do Mensalão, quando da discussão sobre a controvertida aplicação da Teoria do Domínio do Fato, os ministros deram a entender que quem comanda um crime praticado por subordinados poderia ser condenado ainda que sem provas diretas e concretas de seu efetivo envolvimento, pois sua posição hierárquica levaria à conclusão de que teria o chamado “domínio do fato”. Sem entrar no mérito do acerto da aplicação desta teoria pelo Supremo Tribunal Federal, aplicando-se esse entendimento para o mercado dos seguros, isso poderia significar que o dono de uma seguradora cujos gerentes, na busca por atingir o cumprimento de metas e receber bônus, aceitassem novos clientes que pudessem expor a empresa ao risco de ser utilizada para a prática do crime de lavagem de dinheiro, poderia ser condenado pelo crime de lavagem de dinheiro simplesmente por ocupar cargo hierarquicamente superior. Se aplicássemos ao caso também os novos entendimentos do Supremo no que diz respeito ao dolo eventual e à omissão imprópria, chegaríamos a resultados igualmente alarmantes: nesse caso, o dirigente da empresa poderia responder pelo crime de lavagem, porque teria violado um dever de garantia, previsto na nova lei de lavagem, ou por ter assumido o risco do cometimento do crime ao não ter trabalhado consistentemente no sentido de promover, dentro da empresa, a criação de um sistema de compliance eficiente.
Como se essas novidades já não fossem assustadoras o suficiente, a “nova Lei Anticorrupção” completou esse ciclo de mudança na forma do controle estatal da atividade empresarial, à medida que ela generalizou a responsabilidade de pessoas jurídicas pela prática de ilícitos de corrupção (Art. 2º.), não excluindo a responsabilidade individual “de seus dirigentes ou administradores ou de qualquer pessoa natural, autora, coautora ou partícipe do ato ilícito” (Art. 3º.). As multas aqui podem chegar ao montante assustador de até 20% do faturamento bruto do último exercício anterior ao da instauração do processo administrativo movido contra a empresa. Além disso, a nova Lei Anticorrupção consolida definitivamente a exigência de que empresas criem programas de compliance, porque estabelece que, apenas se a empresa acusada dispuser de tal programa à época da prática do ilícito, este fato poderá ser considerado na aplicação das sanções como fundamento para redução ou até mesmo não aplicação da pena.
Na verdade, no Brasil, a Lei de Lavagem de Dinheiro é uma das leis precursoras, que há mais tempo trata de compliance. Os deveres de compliance estão elencados, basicamente, nos arts. 10 e 11 da Lei 9.613/98. Eles poderiam ser resumidos e sistematizados nos seguintes quatro deveres: 1) identificar e cadastrar clientes; 2) registrar operações; 3) prestar informações requisitadas pelas autoridades financeiras; e, principalmente, 4) comunicar, independentemente de provocação pelas autoridades, a prática de operações suspeitas de lavagem de dinheiro ou simplesmente valor elevado. A nova lei de lavagem ampliou esse rol de deveres e obrigações de compliance. Agora a lei também obriga expressamente a ter um programa de compliance. A nova lei de lavagem também aumentou o número de atividades que tem obrigação de ter um programa de compliance. No âmbito do mercado de seguros, a principal modificação é aquela que prevê a inserção das entidades de capitalização no rol das pessoas obrigadas.
A regulamentação da nova Lei de Lavagem foi feita pela Susep através da Circular SUSEP, nº 445, promulgada em 2 de julho de 2012. Ela, textualmente, define que todas as empresas de seguro do mercado devem desenvolver e implementar um sistema de compliance com vistas à prevenção da lavagem de dinheiro, promovendo através dele a criação de procedimentos de controles internos, efetivos e compatíveis com a natureza, complexidade e riscos das operações realizadas e que contemplem a identificação, avaliação, controle e monitoramento dos riscos de a empresa ser envolvida em situações ilícitas relacionadas, direta ou indiretamente, à lavagem de dinheiro. Além disso, essa circular da Susep determina que todos os procedimentos do programa deverão ser manualizados, bem como deverão ser elaborados programas de treinamento para qualificação dos funcionários da empresa na implementação das medidas de prevenção à lavagem de dinheiro constantes do programa de compliance da empresa.
Porém, ainda que a regulamentação da Lei de Lavagem de Dinheiro, no âmbito do mercado de seguros, venha sendo cada vez mais detalhada, através de novas circulares da Susep e de resoluções do CNSP, nem sempre essa regulamentação tem se revelado de fácil aplicação dentro das empresas do mercado de seguros. Na verdade, o mercado é muito mais dinâmico do que aquilo que os órgãos de regulamentação, no caso, especialmente a Susep, conseguem contemplar em suas circulares. Por outro lado, como vimos, o risco de exposição a processos penais aumentou agressivamente e, portanto, hoje, nenhum dirigente de empresa pode mais se dar ao luxo de não ter um sistema de compliance na sua empresa, sob pena de ter de conviver com o risco eminente de responder processos penais pelo crime de lavagem por omissão na criação ou por eventuais ilícitos praticados por seus funcionários.
Nesse contexto, parece que, para se adaptar à nova realidade, faz-se necessária uma nova fase da implementação do compliance no mercado de seguros: não será suficiente ter um corpo técnico que tente criar controles internos a partir das normativas da Susep. De agora em diante, o sistema de compliance terá também de ser concebido de tal forma que proteja também seus dirigentes de eventuais atos ilícitos de seus funcionários, clientes ou colaboradores. Em outras palavras: não se pode mais pensar o compliance sem uma avaliação dos riscos penais envolvidos e das medidas necessárias para elidi-los. Eis aí o novo desafio do compliance para o mercado de seguros.

* Giovani Agostini Saavedra é advogado especializado em seguros

congresso brasileiro | corretores

De olho nas oportunidades

Congresso Brasileiro dos Corretores, organizado pela Fenacor em outubro, abordou as tendências e perspectivas para o mercado,
considerando o atual cenário econômico menos favorável, e como o corretor pode aproveitá-las

Jamille Niero, do Rio de Janeiro

O 18º Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros acontece em um momento importante para o mercado, uma vez que vários projetos que concernem ao setor estão em tramitação no Congresso Nacional e devem ser votados ainda em 2013, como a Lei Geral do Seguro (que está em análise final na Câmara dos Deputados), e os que tratam da legalização do desmonte de veículos e o microsseguro.
Foi desta forma que o presidente da Fenacor, o deputado federal Armando Vergílio, iniciou seu discurso de aberturado evento, que reuniu mais de 3 mil corretores, na noite do dia 16 de outubro. Ele destacou ainda a luta dos corretores de seguros para incluir a categoria no Simples Nacional. “Participar do Simples seria a correção de uma grande injustiça. Nossa inclusão já foi vetada em três ocasiões e a justificativa para o veto foi que reduziria a arrecadação. Mas contestamos com estudos, mostrando que isso não ocorreria”, frisou Vergílio. Ele salientou que a classe, formada por cerca de 25 mil empresas corretoras pelo país, dá capilaridade ao setor, que já representa 5% do PIB brasileiro. A categoria comemorará, no ano que vem, 50 anos de regulamentação.
Vergílio ainda criticou a proposta do agente de seguros, dizendo que o mercado de seguros e previdência dobrou de tamanho em apenas quatro anos corretor independente. “O corretor independente é responsável, atualmente, por mais de 85% das receitas de prêmios de seguros”, informou.
O presidente da Fenacor também observou que o mercado precisa que o órgão regulador – a Susep – funcione como uma agência de fomento. “O setor anseia por uma nova estrutura de gestão que esteja embasada em fatores mais atuais. Estudos internacionais apontam que o órgão regulador deve mudar para um formato mais moderno e dinâmico”, apontou.
Para Robert Bittar, presidente da Escola Nacional de Seguros, o propósito do congresso, ao debater o que será o mercado no século XXI, é potencializar as chances do corretor de seguros. “Não tenho dúvidas de que, com as palestras, muito conhecimento será utilizado pelos profissionais”, disse.
Já o presidente da CNseg e da Bradesco Seguros, Marco Antonio Rossi, destacou a oportunidade de discutir assuntos relevantes para o mercado e estreitar a parceria entre corretores e seguradores. Ele reiterou também a importância de simplificar a relação com o consumidor e o papel do corretor neste movimento.
O Brasil vive um processo de envelhecimento da população e a indústria do seguro tem acompanhado esse aspecto em ritmo acelerado, com crescimento de 16% anualmente. “Se existe algo no Brasil que cresce como a China é o mercado de seguros. Saímos de uma representação de 0,8% no PIB para 5,7% em alguns anos. Mas ainda há espaço para ampliar este índice” analisou. De acordo com Rossi, os mais de 60 mil corretores ativos no Brasil são estratégicos para vender os produtos e serviços fundamentais para o crescimento e desenvolvimento econômico do país.
A expansão do mercado de seguros foi destacada também pelo representante do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira. “Gostaria que todas as indústrias no Brasil apresentassem indicadores de crescimento como esse”, brincou.
Oliveira mostrou alguns números da economia brasileira. Segundo ele, o PIB deve crescer cerca de 2,5% em 2013. A inflação acumulada está na casa dos 5,8%. As vendas no varejo expandiram 5% em volume. Os investimentos em capital fixo ampliaram 6%. O total de investimentos no país deve somar 60 bilhões de dólares. Em 2012, 3,5 milhões de brasileiros saíram da extrema pobreza. “São números que favorecerão o mercado de seguros”, opinou, frisando que a corretagem de seguros deverá acompanhar este desenvolvimento. A atividade, destacou Oliveira, é fundamental para a evolução do setor e para fazer chegar ao consumidor os produtos adequados e que ele realmente necessita.
Outro ponto abordado pelo representante do Ministério da Fazenda foi a regulamentação, pela Susep, da comercialização de seguros por meios remotos. “É a realidade da sociedade moderna, o comércio pela internet de todos os tipos de produtos e serviços. Os corretores devem buscar oportunidades nesse espaço. É um grande desafio, mas acredito que com criatividade e força de trabalho eles encontrarão um caminho”, concluiu.

Cenário econômico
O economista Carlos Thadeu de Freitas Gomes, chefe do Departamento Econômico da Confederação Nacional do Comércio (CNC), destacou que o cenário externo mais volátil afetará as atividades no País, com provável desaceleração, formando um quadro macroeconômico menos favorável aos negócios, inclusive para o seguro.
O comércio, por exemplo, que conviveu com taxas chinesas de crescimento, em torno de 10% ao ano, agora tem de se contentar com 4,5%.
Os juros maiores, tanto aqui quanto nos Estados Unidos, e o dólar em alta no próximo ano, afetam o crescimento mundial e condenam o Brasil a conviver com taxas reduzidas de crescimento, devolvendo parte dos ganhos acumulados nos anos anteriores, afirmou. “Ou o País se ajusta ou voltará a apanhar de novo, como ocorreu no primeiro semestre”, reforçou ele, ao prever que o PIB brasileiro fique na casa de 2% tanto este ano quanto em 2014.
Para ele, o Brasil perdeu a chance de efetuar as reformas necessárias no ciclo de alta do crescimento mundial, incluindo a reforma da Previdência e Fiscal, e agora não tem muita margem de manobra para proporcionar alta relevante do PIB. Na sua análise, o segundo semestre do ano será melhor, mas os problemas estão à espreita.
O economista Claudio Contador, diretor de Ensino Superior da Escola Nacional de Seguros, e Rodrigo Constantino, colunista da revista Veja, também viram um cenário negativo para o Brasil.
Contador apontou as principais fontes de crescimento do mercado de seguros: ampliação da classe média, inflação controlada e produtos voltados para estes novos consumidores. Na visão dele, esses fatores contribuirão menos no futuro. “O crescimento pode ocorrer, mas não há garantia de que a renda continuará a avançar”, analisou.
A prioridade agora é elevar a produtividade das indústrias e empresas. Constantino concordou e acrescentou que “a prosperidade veio do crescimento chinês e da exportação de poupança externa para os emergentes”, destacando que este modelo está esgotado.

Perspectivas para o mercado de seguros
Uma das expectativas do setor para elevar as vendas da maior carteira do mercado, a de automóvel, é a aprovação do seguro auto popular. A criação deste seguro será possível com a regulamentação da utilização de peças usadas no reparo de veículos, conforme projeto que tramita no Senado. A medida, justificam os especialistas do mercado, reduzirá o número de roubos de veículos (“rouba-se muito carro porque existe um mercado paralelo de peças”), diminuirá o descarte de peças que hoje poluem o meio ambiente, e o custo do reparo automotivo, entre outros benefícios. Este último, principalmente, refletirá positivamente no mercado de seguros, reduzindo também o valor do seguro automóvel, especialmente no caso de automóveis com mais de 4 anos. Com o seguro auto popular, a frota de veículos segurados no Brasil deve passar de 16 milhões para 30 milhões.
Aprovado o uso de peças usadas (e certificadas) pelo Senado, haverá ainda a necessidade de regulamentação por parte do CNSP, o desenvolvimento de produtos pelas seguradoras e a aprovação da venda destes pela Susep. A estimativa é que o seguro auto popular esteja no mercado em 2014. “Teremos que fazer novas apólices para o seguro auto popular, inclusive usando uma linguagem mais acessível. Porque não adianta fazer um seguro que tenha custo reduzido com linguagem complexa”, relatou o presidente da FenSeg, Paulo Marracini, destacando que o papel do corretor será importante para explicar o que muda à faixa da população que provavelmente renunciou ter um seguro porque era muito caro.
Já no segmento de seguros corporativos, Antonio Cássio dos Santos, CEO de Seguros Gerais para a América Latina da Zurich, destacou o recente grande desenvolvimento das empresas brasileiras e o cenário atrativo para investidores estrangeiros. “Hoje, no Brasil existem 5 milhões de micro e médias empresas, 100 mil empresas grandes e 1 mil que podem ser consideradas empresas globais. É um mercado atrativo para qualquer seguradora do mundo querer ingressar”, disse, reforçando a importância do setor brasileiro na América Latina – que representa 45% do mercado da região.
Para João Francisco Borges, presidente da HDI, os desafios atuais do mercado são “responder de maneira efetiva as rápidas mudanças das necessidades dos consumidores, adaptar-se às novas medidas regulatórias que cada vez demandam mais capital e atrair e manter talentos em um ambiente mais competitivo”. O consumidor está ficando mais exigente e um dos motivos é a melhoria da escolaridade da população. A conclusão de Borges é que a qualidade de atendimento passa a ter um peso tão importante quanto o preço. Além disso, a comunicação deve ser efetiva e que gerencie as expectativas crescentemente mais exigentes.
Osvaldo do Nascimento, presidente da FenaPrevi, ressaltou as oportunidades e desafios a enfrentar em função das dinâmicas
demográfica, de renda e de consumo.
As oportunidades são: a maior parte da população está em idade economicamente ativa, há maior nível de empregabilidade, aumento da renda per capta e melhor distribuição da renda. Os desafios são o envelhecimento populacional e o aumento da longevidade. “Para se posicionar, o mercado deve conhecer e se adaptar rapidamente a um cenário em constante e rápida mutação,
estruturar e ofertar produtos de forma adequada a esse cenário e agregar valor a esses produtos por meio de serviços”, frisou Nascimento.
Nesse cenário, os produtos que se destacam são os voltados ao financiamento da saúde suplementar; o seguro de vida de longo prazo com formação de reserva; as “anuidades” (compra de rendas através de pagamento único); e o microsseguro, destinado à camada da população atendida pelo programa bolsa família, com subsídio do governo, a exemplo da experiência internacional.
O aproveitamento do exponencial crescimento da internet foi um dos fatores de sucesso levantados por Renato Terzi, vice-presidente de segmentos da SulAmérica. Para ilustrar o potencial da rede, ele mostrou dados como o número de sites, que aumentou 33 mil vezes de 1995 a 2012 e o número de brasileiros (83 milhões) que acessam a internet nas residências ou no trabalho. “Uma pesquisa mostrou que a disponibilidade e o atendimento dos corretores são itens mais valorizados na compra de um seguro”, assinalou Terzi. O levantamento é da IBM e apontou que 80% dos entrevistados prezam pela disponibilidade deste profissional 24 horas por dia e sete dias por semana, pelo corretor que “tem tempo para minhas demandas” (71%) e pelo atendimento (66%). Porém, outra pesquisa, da consultoria Ernst & Young, demonstrou que só a tecnologia não resolve. 78% dos consumidores brasileiros consideram contato pessoal importante no processo de contratação de um seguro e 30% dos clientes atuais, em média, foram perdidos por falta de atendimento pessoal.

Perfil do corretor e do consumidor de seguros
Duas pesquisas recentes, uma sobre o perfil do corretor e outra sobre o perfil do consumidor, foram apresentadas no Congresso.
Dirceu Tiegs, vice-presidente comercial da Mapfre Seguros, expôs o perfil do consumidor traçado por pesquisa feita pelo Ibope a pedido do BB Mapfre. O estudo analisou, de fevereiro a junho de 2013, 10.010 entrevistas com homens e mulheres, com mais de 16 anos, de todas as regiões do Brasil. “O resultado mostra que o seguro de vida é o mais presente no Brasil, seguido pelo seguro auto”, indicou Tiegs.
A penetração de três tipos de seguros (Vida, Auto e Residencial) é bastante baixa, sendo que existe grande potencial de crescimento para todos eles. Quase 70% dos donos de automóveis não possuem seguro e 46% dos seguros de vida foram adquiridos por iniciativa própria.
O perfil do corretor brasileiro foi investigado pelo consultor econômico Francisco Galiza, a pedido da Fenacor. Foram mais de 1,9 mil respostas de corretores de todo o país. Em média, no país, de 60% a 70% da receita da carteira das corretoras pertencem a corretores pessoas físicas. “Existe uma homogeneidade muito grande nas carteiras ao longo do país. Entretanto, pelos dados da amostra, nas regiões Norte e Centro-Oeste, o percentual de cliente pessoa física é um pouco superior (pouco acima de 70%)”, exemplificou Galiza.
Em média, a carteira de automóvel é a maior das corretoras de seguros. Varia de 45% a 60% da receita dessas empresas, com um valor médio de 56%. Em corretoras menores, a participação desse ramo é um pouco maior. “Ou seja, podemos dizer que, ao crescer, isso se dá por influência da diversificação de operações”, observou. Em seguida, em segundo lugar, vêm os seguros de ramos elementares (RE), com aproximadamente 15% da receita, e o seguro de vida, um pouco abaixo. Em algumas regiões do país, a participação do automóvel é maior, como no caso do nordeste. Nesse caso, quase 70% das corretoras têm uma receita maior do que 60% derivada do ramo auto.
Das regiões do país, a Sudeste é a que tem a carteira mais diversificada. Por exemplo, nessa região, 10% das corretoras já obtêm da sua receita mais de 40% do ramo saúde.
“Temos um grau elevado de renovação das carteiras. Atualmente, 58% das corretoras renovam anualmente mais do que 90% da sua carteira, e 24% renovam de 81% a 90% da carteira. Isto é, mais de 80% dessas empresas renovam, no mínimo, 80% da sua carteira anualmente”, continuou Galiza.
Em média, uma corretora padrão tem quatro funcionários, com um familiar trabalhando nela. 66% das corretoras possuem até cinco pessoas trabalhando (incluindo familiares e os próprios corretores). 15% das corretoras têm dez ou mais funcionários. Na maioria das corretoras, só há um corretor habilitado.
Em média, no país, o faturamento das corretoras foi de R$ 471 mil/ano. Contudo, a grande maioria destas tem uma receita bem menor, de R$ 150 mil/ano.
Outro tema abordado foi o relacionamento com as seguradoras. De um modo geral, 75% a 80% das corretoras trabalham com até cinco seguradoras. A liquidação mais rápida e o relacionamento pessoal são os fatos que mais preocupam todas as corretoras na escolha de uma seguradora.

Saúde suplementar
Durante esta edição do Congresso Brasileiro ocorreu também o 2º Congresso Brasileiro de Saúde Suplementar, com palestras sobre o ramo. Uma delas teve a participação do sócio-diretor do Instituto Data Popular, Renato Meirelles, que relacionou a nova classe média emergente ao consumo de planos de saúde.
De acordo com ele, hoje 43% das pessoas que têm seguro saúde pertencem à classe C. E este número ainda deve aumentar. Nos próximos anos, 8 em cada 10 novos usuários de planos de saúde serão das classes C, D e E. Segundo Meirelles, uma prova de que o cenário está mudando pode ser vista nos gastos da população com saúde, que aumentaram 54% de 2002 a 2013. 24% de brasileiros têm plano de saúde e, destes, 6% correspondem a pessoas da classe baixa, 26% a classe média e 66% são das classes A e B. A penetração do seguro saúde é maior na região Sudeste do país. Porém, o crescimento é maior no interior dos estados e nas regiões Nordeste e Centro-Oeste. “É mais fácil crescer onde a penetração de seguros é menor”, recomendou Meirelles aos corretores. Pesquisas realizadas pelo Data Popular apontaram que quanto menor é a renda da população, mais recente é a contratação do planos de saúde. “Mais de um terço dos usuários da classe C tem plano de saúde há menos de três anos. Eles ainda estão aprendendo a lidar com a utilização do produto”, observou.
Dos 48 milhões de brasileiros que possuem plano de saúde, 19% relataram que precisaram de atendimento médico nos últimos 15 dias e 16% usaram o serviço público e não a assistência médica privada. Do total de pessoas que têm plano de saúde, 54% contam que já usaram o SUS mesmo após adquirir o plano.
Outro ponto a ser considerado é a comunicação com o consumidor da classe C. A percepção dos novos consumidores é diferente. “O grande desafio para conquistar o novo mercado é romper o que separa o mundo corporativo da classe C. O papel do corretor é fazer com que o consumidor entenda o que está comprando. A lógica, o repertório e a educação do mundo corporativo são diferentes das do consumidor”, demonstrou Meirelles. Conforme ele, boa parte das reclamações sobre plano de saúde tem a ver com a falta de entendimento sobre o que foi vendido e o que foi comprado.
Outro grande público com potencial para consumir saúde suplementar são as pequenas e médias empresas. Elas já são responsáveis por 30% do PIB brasileiro e representam, segundo análise dos seguradores que discutiram o assunto, o maior público com potencial para consumir seguro saúde. “É um novo mundo para explorar, considerando que boa parte dessa população ainda não é atendida pela saúde suplementar”, observou o presidente da SulAmérica e vice-presidente da FenaSaúde, Gabriel Portella.
Na análise do executivo, o mercado de saúde suplementar precisa se comunicar melhor com os consumidores. Apesar de pesquisas recentes indicarem alto nível de satisfação dos usuários com seus seguros e planos de saúde (levantamento da ANS mostra que 72% dos consumidores estão satisfeitos com seu plano de saúde), o setor ainda tem imagem negativa. Isso porque alguns problemas com usuários saem na mídia e tomam grande dimensão, suplantando os dados positivos.
“O corretor é fundamental para explicar para o cliente que ele pode ajudar na contenção do custo com despesa assistencial, com o incentivo a prevenção e conscientização para usar o seguro ou plano de saúde com consciência”, acrescentou Portella.
O presidente da FenaSaúde, Marcio Coriolano, apresentou dados do mercado de saúde suplementar brasileiro, que gera cerca de R$ 95 bilhões de receita anualmente. O Brasil é o décimo mercado mundial de saúde e representa 2% do PIB mundial da saúde, com gastos estimados em R$ trilhões. O setor privado concentra 53% deste gasto. Estima-se que o gasto do governo com o SUS corresponda a R$ 900 reais por pessoa por ano. O gasto privado é três vezes maior. Em 2012, 25% da população brasileira possuía plano de saúde. Em 2017, espera-se que esse índice eleve para 30%. “Além do crescimento da renda e do emprego, ocorre uma desconcentração da população, que está migrando para o interior dos estados e do Brasil. Tudo isso colabora para a saúde suplementar crescer”, indicou Coriolano. O executivo ainda destacou que o Brasil passa por quatro tipos de transições: epidemiológica, tecnológica, demográfica e etária.

seguradoras | conseguro

2025 virá com números positivos

Este foi cenário apresentado pela Confederação Nacional das Seguradoras aos cerca de 500 participantes do evento

Kelly Lubiato, de Brasília

Segundo estimativas da CNseg, o mercado de seguros deverá crescer 185% até 2025, período em que a saúde suplementar poderá ter 89,9 milhões de usuários e os seguros garantia devem atingir a marca de R$ 1,6 bilhão em prêmios.
Números tão expressivos motivaram a discussão das perspectivas e desafios do mercado segurador em 2025, debatidos durante os dois dias do evento, entre representantes de seguradoras, corretores, operadores de saúde e membros do governo.
Durante a abertura, o superintendente da Susep, Luciano Portal Santanna, afirmou que pensando em 2025, em parceria com CNseg e demais entidades, a autarquia tem elaborado inúmeros normativos, como o do microsseguros e a contratação por meios remotos. “A Susep tem a função de ser promotora de debates de novas propostas. E obrigação de investir na ampliação do acesso ao setor de seguros”, afirmou.
“Apesar de algum excesso de pessimismo, é importante mostrar alguns números e ver que a economia se desenvolve de forma equilibrada”, ressaltou o secretário executivo adjunto do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira, avisando que a mensagem é de confiança na economia brasileira. Ele adiantou que não teremos nenhum tipo de sobressalto num futuro próximo e que devemos investir na visão de longo prazo para o desenvolvimento pleno.
O presidente da Fenacor, Armando Vergilio dos Santos, comentou sobre a necessidade de maior interação dos atores que protagonizam a história do mercado de seguros. “Acredito que temos que dar as mãos na melhoria dos marcos regulatórios, pois os corretores estão na linha de frente do setor, atuando junto ao consumidor”.
Para Marco Antonio Rossi, presidente da CNseg, todo o conhecimento adquirido em um evento deste porte é para “modelar os produtos que irão proteger a sociedade no futuro”. Ele reafirmou que os modelos de governança também irão mudar, porque o mundo está em transformação e há que se construir um mercado ainda maior para o consumidor multicanal. “Afinal, só depende de nós”, refletiu.
O pensamento estratégico para 2025 foi apresentado pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal, Luis Roberto Barroso, que, entre muitos argumentos, afirmou que o Brasil não valoriza o empreendedorismo e não investe em educação. “Temos muitos alunos brilhantes que são pouco desafiados”, ponderou. Ele lamentou o fato de o País sofrer com o preconceito ao empreendedorismo, porque fomos criados em um processo de industrialização tardia e de capitalismo atrasado. “A história já nos mostrou que a iniciativa privada é melhor administradora de recursos do que o Estado”.
Mas, a sua frase mais marcante foi dita ao conclamar as pessoas a trabalharem juntas, discutindo novas possibilidades em todos os níveis da vida: “quem discorda de mim não é meu inimigo, é meu parceiro na construção de um mundo plural. Precisamos melhorar a capacidade de conviver com a divergência, pois o respeito e a civilidade fazem parte da democracia”. Ele ainda ressaltou que mais importante do que a velocidade do crescimento é seguir pela direção correta.
Pelo viés econômico, o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, citou alguns economistas para dizer que o Brasil escolheu o modelo econômico errado, em que o Estado se envolvia em inúmeros setores, como sistema financeiro e mineração, sem foco em produtividade e educação. “Há vinte anos tínhamos 20% das crianças fora da escola e não houve nenhum desenvolvimento social. Faltou previsibilidade econômica”, lamentou.
Hoje, apesar do Brasil investir menos, ela gasta mais com o lado social. Mesmo com os atropelos da economia, o País deverá continuar crescendo, mas num ritmo muito mais lento e atento ao retorno da inflação. “Precisamos de um governo que libere o empreendedor, com legislação mais estimulante”, avisou Fraga.
Para falar de 2025 é preciso examinar os exemplos positivos e negativos de previsões, segundo o sociólogo Bolivar Lamonier. Para ele, “prever o futuro consiste no exercício de pensar em economia, sociedade e governo”.

Painéis
Oito painéis de temas concernentes ao mercado de seguros foram apresentados durante os dois dias, sempre com temas ligados a uma das quatro federações que compõem a confederação.
Um dos mais interessantes mostrou as Megatendências da Indústria de Seguros no Mundo, apresentado por Jamie Yoder, líder global na prática de seguros da PWC Advisory, que abriu a palestra avisando que o ambiente para o qual os executivos dedicaram a maior parte de sua carreira, senão toda, está mudando. Para estimar os números desta alteração, ele criou um marco chamado STEEP – social, tecnologia, economia, ambiente e político (em tradução livre).
Para um dos 32 motores deste marco, é preciso ver qual é o cenário de mudança e como ele se manifesta em nosso setor e na vida de cada um. “Apresentar um cenário é bom para reconhecer que o futuro é difícil de prever, mas é possível se preparar para ele”, sentenciou Yoder.
Apenas para citar alguns exemplos de mudanças, na área social teremos mais de 1,2 bilhão de pessoas no mundo dentro da classe média, com crescimento principalmente na China e na Índia, em 2030. Em termos tecnológicos, em 2015, o volume de tráfego de dados na internet alcançará 966 exabytes, de acordo com a Cisco. Dispositivos eletrônicos conectados já superam a população mundial. Em 2010 eram 12,5 bilhões, e crescendo. Até 2020 podem chegar a 50 bilhões.
Os eventos climáticos continuarão crescendo tanto em frequência quanto em severidade. Devido ao adensamento populacional e às obras cada vez mais caras e complexas, cada catástrofe provocará prejuízos sempre maiores.
Na economia, de 2012 a 2020, os países emergentes (E-7) contribuirão 1,7 vezes mais para o crescimento global do que o G7, tendo a China como principal país (37% de participação). Os riscos políticos também aumentam e terroristas atacam, em média a cada 4 dias, a cadeia de suprimentos.
Baseado nestas informações, Yoder definiu que estas megatendências mudam a forma como as seguradoras competem e como repensam suas atuação em termos geográficos, produtos, segmentos de clientes e canais de distribuição. “O poder está passando para as mãos dos compradores, criando uma necessidade de resposta rápida e satisfatória, orientada para o cliente e que seja eficiente”.
Acompanhando o tema de Megatedências, o economista Eduardo Gianetti destacou que a transição demográfica é um momento único na biografia da nação, durante o painel sobre a “Transformação do Consumidor”. “Passamos pelo período de bônus demográfico. O que no Brasil demorou 18 anos para acontecer, nos países desenvolvidos levou quase 60 anos”, informou Gianetti.
Esta é a chance do país criar uma prosperidade duradoura. Mas, para isso, é necessário investir em educação, para que os profissionais brasileiros sejam mais produtivos.
Por outro lado, uma empresa de serviços deve fazer melhor o que os outros estão fazendo. “A mágica do mercado é ser inovador ou ser melhor”, pontuou Gianetti. Ela avisou que, passada a fase inicial de consumo, o brasileiro vai começar a olhar para frente e terá seu horizonte decisório ampliado.
A secretária da Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça, Juliana Pereira da Silva, ressaltou que proteger o consumidor não é benéfico apenas para ele, mas para o País. “Essa proteção nasce em países desenvolvidos e de uma agenda convergente”. Porém, ela reconhece que o consumidor ainda não é atendido na totalidade de suas necessidades.
Seguindo o mote do evento, Juliana acredita que o consumidor, em 2025, será um poderoso formador de opinião. “Queremos agregar valores e ter sustentabilidade no mercado de consumo no Brasil”, concluiu.

Saúde
O presidente da Fenasaúde, Marcio Coriolano, apresentou o “Cenário Macroeconômico e Perspectivas para a Saúde Privada no Brasil”. Neste setor, o País ocupa a oitava posição no mundo, gastando cerca de US$ 1 mil/ano. O setor público responde por 46% dos atendimentos. “No cenário global, o Brasil ainda é um sistema em desenvolvimento, com baixo gasto per capita e baixo nível
de eficiência”, sentenciou.
Um dos pontos defendidos por Coriolano durante todo o evento foi o custo das pesquisas tecnológicas ligadas ao setor de saúde. Citando um estudo realizado pela revista The Economist, ele mostrou que apenas 3% das descobertas tecnológicas são aproveitadas pelo mercado. Por outro lado, é justamente a aplicação de novas tecnologias que aumenta sobremaneira o custo dos planos de saúde. O grande desafio deste setor é aplicar as novas tecnologias de acordo com a necessidade de cada usuário. Um dos caminhos poderia ser a criação de planos com coberturas mais restritas, de acordo com as possibilidades dos usuários.
“O Brasil tem conserto”, resumiu o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco. Ele afirmou que o quadro macroeconômico
coloca uma questão que é a divisão do trabalho público e privado, com ênfase no populismo regulatório. “O Estado cobra da iniciativa privada obrigações que vão além da sua capacidade de oferecer serviços com mercado regulado e exigente”.

Tecnologia e redes sociais
As tecnologias sociais são capazes de criar arquitetura cognitiva e todos os aspectos do nosso cotidiano estão interligados a esta forma de comunicação. Assim, o professor doutor Massimo Di Felice abriu sua apresentação, acrescentando que, se antes tínhamos uma comunicação analógica biderecional, partimos agora para o modelo comunicativo em rede.
“A arquitetura do conhecimento não possui mais um centro construtor do conhecimento. Ele está distribuído em diversos locais e, por isso, a universidade precisa buscar uma linguagem comum, tentando oferecer um panorama das discussões que as redes sociais estão gerando no meio acadêmico”, ensinou Felice.
A comunicação digital é caracterizada pela troca de todos para todos, com desconstrução e manipulação de cada mensagem. “Vivemos num mundo no qual a interatividade é o princípio de tudo, sem pontos de vista centrais. Qualquer informação pode ser trocada através da interação”, completou Felice.
A tecnologia revoluciona a distribuição por canais digitais segundo o jornalista especializado no tema, Ethevaldo Siqueira. Entre vários conceitos, ele mostrou que o custo do armazenamento de informações tende a zero, justamente pela evolução da capacidade de armazenamento.
O jornalista afirmou que as empresas vivem atualmente sob o impacto de quatro forças: redes sociais – que forçam o maior relacionamento humano; mobilidade – o homem um ser móvel; nuvem – a computação em qualquer lugar; e informação – big data e internet. “A internet cresce de forma impressionante. Em 2014, serão 3 bilhões de usuários e, em 2019, 5 bilhões”, avisou Siqueira.
“Temos um desafio inexorável de presença neste mundo. O mercado financeiro brasileiro cresceu em cima da tecnologia e o brasileiro não é hipossuficiente. É um caminho sem volta, que já está regulamentado, seja pela economia ou pela sustentabilidade”,
comentou Eugenio Velasques, diretor da Bradesco Seguros.
O usuário é um ser multicanal, que quer se relacionar com o mundo de várias formas. “Temos que entender este comportamento para atendê-lo da melhor forma”, completou Gilberto Lourenço de Aparecida, diretor comercial da Brasilcap.

IRB deve abrir capital nos próximos 5 anos
O presidente do IRB Brasil Re, Leonardo Paixão, prevê que a resseguradora estará pronta para realizar seu IPO em dois anos, apesar de ter o prazo de cinco.
Mesmo com a crise financeira mundial em 2008, com o consequente encolhimento do capital disponível no mercado, o IRB Brasil Re conseguiu manter uma trajetória positiva no mercado de resseguros brasileiro.
No modelo atual, União, BB Seguridade, Bradesco, Itaú e fundos de investimentos possuem ações da instituição, cujo patrimônio líquido está na casa dos R$ 2,5 bilhões. Segundo Paixão, o maior desafio foi fazer o projeto de reestruturação societária sem ser engolido pela concorrência. “Temos várias limitações para contratação de pessoal, aquisição de produtos e serviços e aplicação de ativo”.
Durante a 6ª Conseguro, a resseguradora lançou a sua nova logomarca.

gerência de riscos | abgr

Experiências globais e riscos emergentes

Seminário de Gerência de Riscos e Seguros foi palco de análises sobre as tendências e como os consumidores de seguros corporativos podem se proteger

Amanda Cruz e Jamille Niero

O tema “Gerência de Riscos no Cenário Globalizado” norteou as palestras do X Seminário Internacional de Gerência de Riscos e Seguros, organizado pela ABGR (Associação Brasileira de Gerência de Riscos), entre os dias 21 e 23 de outubro.
O seminário, que ocorre a cada dois anos e é considerado o mais importante do setor na América Latina, trouxe experiências de corretoras e seguradoras globais.
A regulamentação das leis de seguros e gerenciamento de riscos difere muito conforme o país. Empresas que atuam na União Europeia, por exemplo, têm que estar de acordo com 28 tipos de regulamentação.
Empresas latino-americanas, por exemplo, já dão mais atenção para gerenciar os riscos, olhando para as deficiências e oportunidades de seu mercado e desenvolvendo medidas de controles internos mais eficazes. Em palestra no primeiro dia, foi destacada a importância do preparo das empresas para lidar com compradores mais exigentes e necessidades mais específicas de ofertar produtos que se enquadrem nas necessidades dos clientes.
Javier Mirabal, da Alarys (Associação Latino-Americana de Administradores de Riscos e Seguros), falou da importância do profissional que gerencia os riscos ter uma boa comunicação com a diretoria e a presidência das empresas. A pessoa a quem ele se reporta é fundamental para o seu bom desempenho.
Mirabal destacou ainda que isso varia de acordo com a região. Nos EUA, a maioria dos gerentes de risco se reporta diretamente ao CEO. “Na Europa é diferente. Apenas 20% se reportam ao CEO. O resto trata com o CFO ou com o departamento jurídico”, contou. Para Jorge Luzzi, da Ferma (sigla em inglês para Federação das Associações Europeias de Gestão de Risco), “o setor para o qual eles se reportam depende do tipo de indústria em que atuam”. Já Frank Baron, da SOS, lembra que “não importa apenas a quem ele se reporta, mas ter quem possa trabalhar em conjunto na avaliação dos riscos”.
Outro desafio são as empresas familiares que, muitas vezes, recusam que alguém gerencie seus riscos. As pessoas que eles têm disponíveis para lidar com o assunto precisam ser conhecedores das regulações da região.
Eles precisam, ainda, estar prontos para cobrar do mercado coberturas que hoje não são divulgadas ou parecem não ter importância a determinados locais. É necessário um trabalho em conjunto entre governo, seguradoras, corretores e companhias.

Plano de continuidade de negócios
Grandes catástrofes naturais acontecem com frequência cada vez maior e podem afetar os mais diversos países.
Ao abordar o tema, Shinichi Nick Okabe, especialista internacional da área de Riscos da Tokio Marine no Japão, explicou os impactos e soluções para lidar com essas tragédias e como as empresas podem prosseguir com suas atividades após o ocorrido.
Um dos exemplos citados pelo executivo ocorreu durante o tsunami no Japão, em março de 2011, que invadiu o país e causou grandes perdas. Além das casas e empresas devastadas pela passagem da onda, houve problemas como vazamentos de usinas nucleares, deslizamentos de terra e escassez de energia elétrica que levou a um blecaute, com grande impacto à economia global.
Segundo o executivo, o Business Continuity Plan (BCP) é crucial para as empresas lidarem com a escassez de recursos eventuais, pois consiste em saber como agir quando é necessário priorizar as atividades para as quais devem ser encontradas soluções de funcionamento que minimizem os estragos.
Para um BCP eficiente, o gerenciador de riscos deve conhecer os dados físicos e operacionais e levar em conta todos os tipos de perigo, sem descartar os riscos menos prováveis. O ciclo PDCA (sigla em inglês para as etapas planejar, fazer, checar e agir) define os estágios de recuperação a serem seguidos e deve conter uma data mínima para que a atuação volte ao nível anterior à catástrofe. “O BCP é um investimento”, disse o especialista.

Riscos laborais
Para um plano de saúde direcionado aos funcionários ser bem utilizado e com os custos adequados, a empresa contratante precisa prestar atenção em alguns aspectos. Por exemplo: é necessário um plano com abrangência nacional em empresas com funcionários
que pouco viajam?
A perenidade na relação com a operadora de saúde também é importante, pois facilita a formação e a manutenção do histórico do paciente. Esse histórico favorece o gerenciamento de riscos. “As pessoas não têm conhecimento dos diferenciais de cada plano e o que buscam com eles”, analisou o mediador do painel, o corretor de seguros Jorge Eduardo Souza, da Única. Ele alertou para a necessidade de “conscientização e fiscalização” do uso do plano de saúde, pois o aumento repentino de sinistralidade implicará em
elevação dos custos.
Outro ponto importante são os exames admissionais e demissionais, que devem estar sempre em dia. “A má qualidade de gestão desses exames pode resultar em risco”, enfatizou Souza, lembrando que exames “bem feitos” podem esclarecer disputas judiciais e
evitar indenizações a ex-funcionários que certamente causariam sérios danos às finanças empresariais.
Para Claúdia Rizzo, da consultoria de riscos MDS, a “solução para uma melhor gestão está alinhada ao papel do corretor”. Ele é quem deve fazer o acompanhamento, não apenas durante a contratação, mas por toda vigência do plano. A gestão individualizada de cada ofensor da sinistralidade também é uma medida efetiva. O momento pede, antes de qualquer decisão sobre sinistralidade,
investimento em práticas de prevenção, que ajudará a separar e gerir melhor os casos de abuso na utilização.

Interdependência da produção globalizada
Hoje, são poucas as companhias que não estão, de alguma maneira, ligadas a outras ao redor do mundo. Por isso, elas estão constantemente sujeitas a riscos como falência de seus fornecedores ou falha nos serviços de terceiros. A boa primeiros passos para evitar grandes surpresas. Comunicar normas de contratação é essencial.
As estratégias que podem ser utilizadas são a implantação de sistemas de gerenciamento, estoque dos insumos essenciais e entendimento do risco como parte dos negócios. Rever riscos, comunicar expectativas, realizar auditorias, ações de conscientização e treinamento, além de monitoramento são maneiras de cercar as possíveis dificuldades.
Para Mukkader Erdoenmez, do XL Group, o Brasil é diferente e deve ser observado com atenção especial quando o assunto é gerenciamento de riscos. A principal atividade econômica do país está ligada à agropecuária e a exportação é essencial para o negócio. Por isso, se algumas normas forem ignoradas o prejuízo pode ser grande.
Um dos casos expostos traz à tona situações que muitas vezes não são pensadas. Como, por exemplo, empresas que não são exportadoras, mas que revendem para montadoras que poderão usar suas peças em produtos finais que irão para fora do país. Caso essa peça apresente algum problema, quem arcará com os custos se a empresa produtora não possui uma cobertura para riscos internacionais? Em casos como esse, dependendo da legislação dos países envolvidos, o processo pode ser demorado e haverá dificuldade para saber o que estava, de fato, coberto.
Alexandre Botelho, diretor da corretora Aon, ressaltou que “o pior risco é aquele que não conhecemos”. O fator cultural é muito forte durante as contratações. Desfazer-se dessas amarras que levam as empresas a acreditarem que “não irá acontecer com elas” pode ser difícil, mas trará a tranquilidade necessária para que o foco esteja em buscar conquistas e não em se livrar de uma culpa posterior.

Seguros de energia: desafios e novos produtos
Para o Brasil passar dos atuais 121,1 MW de capacidade de geração de energia (conforme medição da Aneel em dezembro de 2012) para 182,4 GW até 2021, muito precisará ser investido. Especialmente na produção via usinas hidrelétricas, hoje responsáveis por 70% da capacidade de geração. O seguro deve acompanhar os investimentos, garantindo a execução de obras e a operação dos sistemas, comentou o vice-presidente da JLT Brasil Holding, Rodrigo Protasio.
Segundo o executivo, como uma das formas da venda de energia garante a receita, as empresas do ramo acreditam estarem completamente protegidas e deixam de lado o seguro de lucros cessantes. “Mas se houver dano físico em alguma turbina e entregar menos energia, será penalizada sim. O sistema verificará quais empresas entregaram energia e quais não e poderá penalizar de acordo com essa entrega”, considerou Protasio. De acordo com ele, apenas um segurado grande hoje no Brasil tem o seguro para
indisponibilidade de entrega com cobertura nas apólices patrimoniais.
O volume de prêmios estimado no Brasil gira atualmente em cerca de 3 bilhões de dólares para seguro de geração de energia. A cifra considera apenas riscos de eletricidade, como geração, produção e distribuição – óleo e gás estão fora da conta.
O lado positivo do mercado brasileiro são as taxas de seguros, mais baratas do que as cobradas no mercado internacional. Reflexo das perdas mundiais registradas em 2012, que ultrapassaram os 2 bilhões de dólares. “No Brasil, a maioria das seguradoras tem os riscos de power colocados nas carteiras de seguros patrimoniais, por isso as empresas conseguem acessar o mercado, que tem muito mais apetite para o ramo de property. Como o país não tem muitos riscos catastróficos, é atraente para o seguro”, analisou o
executivo.
A maior sinistralidade do setor é na distribuição, afirma Protasio. As empresas que tinham caixa muito positivo não se preocupavam tanto com o seguro, mas regras recentes mudaram esse cenário, o que deverá aquecer o apetite por compra de seguros e coberturas como indisponibilidade/derivativos de clima, seguro ambiental e responsabilidade civil.
Obras de infraestrutura: transporte e outros gargalos
O fluxo do comércio exterior brasileiro passou de R$ 50 bilhões em 1990 para R$ 430 bilhões em 2013, mas o investimento do país em infraestrutura não acompanhou essa expansão, analisou Christian Smera, advogado convidado da Allianz Seguros. Ele destacou os principais gargalos na infraestrutura brasileira, como planejamento atrasado (com modelos de concessão confusos),
baixa densidade das malhas, estruturas de acesso e escoamento de cargas asfixiadas, baixo nível de investimento público em portos e aeroportos, insegurança nas vias (tráfego e vigilância), entre outros. “Para nós, que lidamos com sinistros em transportes, é fundamental discutir a infraestrutura no País. Saber quais são as deficiências, os fatores de risco e as oportunidades, além de especular para onde podemos ir”, observou.
Silvia Vergara e Hernan Dario Uribe, especialistas da corretora Marsh, apontaram de que maneiras o mercado segurador pode contribuir para aprimorar a infraestrutura brasileira.
Silvia comentou sobre os vários projetos que necessitam sair do papel, especialmente relacionados ao transporte, setor que deverá receber R$ 242 bilhões de investimentos em rodovias, ferrovias, aeroportos e portos. Segundo ela, o BNDES continua sendo o financiador mais importante do mercado, mas a Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF), apelidada pelo setor de Segurobras, deverá participar com uma parte das garantias nos projetos de infraestrutura.
Uma das atuações previstas para a ABGF é participar como garantidora de custos imprevistos, que estarão segurados. Com capital inicial de R$ 50 milhões, a agência vai gerir um fundo para o financiamento de infraestrutura (FGIE), com recursos de até R$ 11 bilhões, e outro fundo para comércio exterior (FGCE), com capital de até R$ 14 bilhões.
Já Hernan Dario Uribe, especialista da Marsh baseado na Colômbia, destacou as garantias em seguros, que mudam de um país para outro e têm diferentes denominações. No mercado chileno, por exemplo, são usadas mais garantias do setor bancário do que do mercado de seguros. Já na Colômbia, 99% dos contratos são concretizados por meio de garantias de seguros. “É um produto que o mercado colombiano, e a maioria dos países da região, vêem como mais econômico, não diminuem a capacidade e tem maior facilidade de contratação”, disse.

Internacionalização das empresas brasileiras
Quando uma empresa latino-americana deseja ir para outro país, essa internacionalização deve passar por diversas etapas, para as quais é preciso que elas se preparem. Elas também estão mais expostas a novos regimes de responsabilidade, volatilidade da taxa de câmbio e riscos políticos em todo o mundo. Além disso, companhia da América Latina ainda tem que lidar com problemas típicos como investimento em infraestrutura, produção de energia e produção de alimentos.
Essas são algumas considerações realizadas por Iván Gonzáles, líder de Grandes Riscos da Swiss Re na América Latina, em palestra sobre o tema.
“É essencial para a empresa ficar tranquila com o programa de seguros que ela irá implementar”, afirma Pedro Rodrigues, superintendente de Relacionamento de Global Corporate da Zurich. Entre as avaliações necessárias estão fatores como
se o plano está dentro da legislação e das exigências fiscais, que o modo como as coisas estão montadas pode funcionar assim que seja necessário.
Em um país produtor o foco deve ser a contratação da cobertura e do resseguro, mas para os outros locais é preciso dar instruções, saber onde serão emitidas as apólices, quais são seus limites. Tudo precisa ser estruturado.

Sequestro e Extorsão
Sendo uma das preocupações quando o assunto é viagem, o sequestro ainda é um tipo de seguro muito pouco difundido, principalmente pelo sigilo que marca a carteira. Mas as coberturas que ele oferece são ideais para empresas que possuem funcionários em locais de risco iminente.
“A apólice de seguro sequestro é, por natureza, confidencial. Não podemos compartilhar com todo o quadro de funcionários a existência da apólice, principalmente no mercado brasileiro”, enfatiza Roberta Couto, responsável pela área de Riscos Financeiros da JLT. O mais indicado nessa situação é dar a entender que existe algum tipo de compreensão por parte da empresa de que uma situação de perigo possa ocorrer e que a empresa ajudará.
O mercado europeu já está mais avançado que o brasileiro nesse seguro e tanto pessoas físicas quanto jurídicas podem contratar. Por aqui, o foco são as empresas, principalmente pelo fato de que as apólices contratadas sempre têm cobertura a partir de R$ 1 milhão. Sendo assim, seria preciso declarar no imposto de renda a apólice, o que quebraria a questão da confidencialidade.
Não é apenas o evento do sequestro ou a indenização do resgate que estão cobertos. Mas todos os prejuízos, diretos ou indiretos, que a vítima venha a sofrer. Sequestros relâmpagos, bens pessoais levados na ação, ocorrências em trânsito (quando a pessoa estiver indo entregar o resgate), custeio de toda a operação de investigação de pessoas desaparecidas etc.
A confiança está muito presente na relação entre seguradora e segurado nessa carteira. Não há como comprovar, nem a seguradora poderia pedir que assim fosse feito, a quantia real exigida pelos sequestradores. Roberta ressalta que esse é um dos motivos que dificultam a disseminação do seguro na América Latina.

D&O: novos fatores de riscos
A aprovação da Lei Anticorrupção pelo legislativo brasileiro – que valerá a partir de janeiro de 2014 – e as recentes mudanças no CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que tornaram o órgão mais rigoroso, prometem aquecer a demanda pelo seguro D&O. Pelo menos esta é a analise dos seguradores que participaram de painel sobre o tema.
A gerente de Linhas Financeiras da Zurich Seguros, Ana Cristina Albuquerque, comentou que a mudança na legislação, que transformou o CADE em um órgão mais rigoroso, tem o objetivo de proteger a livre concorrência e atuar de forma preventiva, repressiva e educativa. “Tanto a empresa quanto o executivo podem responder por atos de prática lesiva”, lembrou. Segundo ela, em um ano de mudança, o Cade já julgou 23 processos e, destes, 11 foram condenados em apuração de prática de cartel.
Na análise de Gustavo Galrão, head de linhas profissionais da seguradora XL no Brasil, há grande relação entre a performance da empresa e o risco ao qual o executivo está exposto. Eles também estão expostos, principalmente, em casos de insolvência, falência ou recuperação judicial da empresa. “Todos os tributos podem ser direcionados para o executivo. Em termos de severidades, seria o maior risco para D&O”, disse.
O executivo observou que outro risco pode estar aumentando: o de insolvência. Isso porque o Brasil, com desaceleração de seu crescimento registrada no ano passado, já não é mais tão a bola da vez. Empresas estão voltando atrás nos investimentos programados para o país e medidas podem afetar os executivos. As recentes crises internacionais também são um fator a ser levado em conta. “Os maiores sinistros de D&O no Brasil foram decorrentes de crise internacional”, informou Galrão.
Apontado como o 69o país mais corrupto do mundo, o Brasil agora faz parte da comunidade de países que tem leis anticorrupção. Para Galrão, da XL, a ideia da legislação brasileira, ao estender a responsabilidade de atos ilícitos das empresas a seus executivos reforça a importância de existir princípios de compliance e regras claras dentro das empresas, para evitar fraudes.

pessoas | marketing

expectativas para o seguro de pessoas

Embora seja uma proteção de grande importância, os ramos de vida e previdência complementar ainda não têm a penetração ideal no mercado

Amanda Cruz

Entre as possibilidades de venda do corretor, o seguro de vida e os planos de previdência complementar aberta são opções que ainda não ocupam o espaço que poderiam ter no mercado de seguros.
Isso se deve, dentre diversos fatores, a problemas de ferramentas que deveriam ser aprimoradas, baseadas na relação entre seguradoras e corretores, que refletem imediatamente nos consumidores.
Por isso, evento realizado pela Fenaprevi em novembro contou com profissionais do mercado segurador debatendo questões que visam ampliar as possibilidades. Isso porque, embora seja possível ser um corretor “geral”, que trabalha com diversas carteiras, muitos participantes defenderam a segmentação por ramo, pois só assim o profissional consegue tornar-se especialista e atender melhor o cliente.
A pesquisa da IBM, apresentada por Pedro Luis Coelho, executivo de consultoria em seguros, apresentou os anseios e expectativas do mercado segurador. Dentre os resultados, o destaque fica para a mudança de comportamento dos clientes da seguradora que, de fato, hoje não acreditam que os preços dos produtos sejam o diferencial das companhias. Clareza e honestidade na apresentação das possibilidades de contratação são peças fundamentais para um bom negócio.
Mesmo assim, outro ponto abordado foi a credibilidade do mercado. “Há falta de confiança dos segurados nas seguradoras.
Embora eles tenham aprendido a utilizar múltiplos canais, para finalizar a compra do produto, especialmente o de vida e previdência, ainda querem contar com um corretor especializado e precisam acreditar que o resultado será
o que ele procura”, comentou Coelho.
É nesse momento que os esforços da seguradora no relacionamento com o corretor são essenciais, possibilitando
aperfeiçoamento e disponibilizando ferramentas que facilitem o processo que, nessa carteira, ainda são demorados.
Durante o painel, representando os corretores, Luiz Morales, presidente da União dos Corretores de Seguros,
entendeu que avaliar a tecnologia para o futuro é importante, mas o corretor crê que a seguradora deve “trabalhar
o presente para o corretor que quer e precisa vender”.

O mercado feminino
As mulheres também foram pauta durante o seminário. Maria Helena Monteiro, diretora de Ensino Técnico da
Escola Nacional de Seguros, tratou do papel feminino no mundo corporativo. Hoje, 37% das mulheres são provedoras financeiras de casa e buscam cargos executivos, embora ocupem apenas 21% desses. A renda média delas ainda é 61% do que recebem os homens.
No mercado de seguros as mulheres fazem a diferença, tanto como consumidoras quanto como corretoras. Os
detalhes não passam despercebidos por elas e esse novo público pede que o atendimento seja minucioso, trazendo novas expectativas para o mercado.
Além desses painéis, o evento contou com cases de sucesso de corretores e depoimento de uma beneficiária do
seguro de vida. Esses casos ressaltaram a importância de estar prevenido. A dedicação ao seguro de Vida e à Previdência trouxe para esses profissionais e clientes o apoio necessário para construírem carreiras sólidas ou reconstruírem suas vidas após perdas significantes.

tecnologia | insurance meeting

Novas revoluções tecnológicas afetarão o seguro

Especialistas em tecnologia mostraram ferramentas e soluções disponíveis para as seguradoras contornarem os entraves do cenário econômico mais nebuloso e aproveitarem as oportunidades geradas por novas tendências

Jamille Niero, de Angra dos Reis

No médio prazo, os países emergentes e menos desenvolvidos terão que focar seus investimentos em inovação e conhecimento, porque as commodities não têm mais o mesmo valor que tinham antes. “Vivemos na economia do conhecimento. Se sairá melhor o país que conseguir exportar trabalho mental e não mais manual”, previu o jornalista Andrés Oppenheimer em palestra no 7º Insurance Service Meeting, realizado pela CNseg entre os dias 8 e 10 de novembro em Angra dos Reis, Rio de Janeiro.
As empresas precisarão encontrar maneiras de vender produtos mais sofisticados e que agreguem valor ao consumidor. Levar isso em conta será muito importante para os países da América Latina, incluindo o Brasil. Segundo ele, esta tendência se intensificará nos próximos 5 ou 10 anos, devido a cinco revoluções tecnológicas e industriais que o mundo viverá neste período.
A primeira nova revolução industrial será na manufatura, com a intensificação do uso de impressoras 3D. Apesar de já existirem há três décadas, esses itens eram muito grandes, o que dificultava a utilização “massificada”. Agora, com impressoras menores, mais pessoas podem usar. “Elas vão impulsionar a evolução industrial, porque poderemos imprimir qualquer coisa. As marcas vão disponibilizar o design dos produtos na internet e poderemos comprar esse design, customizar de acordo com nosso gosto e imprimir em 3D”, apontou o jornalista.
A segunda revolução envolve transportes. Montadoras como Audi e Mercedes-Benz já ofertam carros com sensores que estacionam sozinhos. O Google já apresentou um carro que pode circular sem motorista e alguns estados norteamericanos já autorizaram testes com veículos sem condutores em suas ruas. É uma tecnologia que já existe e pode reduzir acidentes com automóveis – considerando que 95% destes ocorrem devido a falhas humanas. Com isso, o risco de acidentes seria menor e, consequentemente, o seguro de automóvel não precisaria cobrir este risco. Estudos indicam que os prêmios de seguro diminuirão 20% até 2017, e 80% de 2018 a 2022 com o uso desta tecnologia. “As seguradoras precisarão diversifi car mais seu portfolio”, brincou Oppenheimer. Mas por que essa tecnologia ainda não é aplicada de verdade nas ruas? “Ainda não fi cou decidido de quem seria a responsabilidade caso ocorresse algum acidente”, justificou.
Ainda em transportes, outra revolução será o uso de drones – veículos aéreos não tripulados. Hoje eles são usados majoritariamente pela polícia e guarda costeira, mas em breve, nos Estados Unidos, será possível o uso comercial. “A Domino’s (famosa rede de pizzarias norte-americana) está trabalhando para ter drones entregando suas pizzas”, sinalizou Oppenheimer, brincando que “as seguradoras recuperarão os prêmios que perderam em seguro de automóvel garantindo a alta circulação de drones nos céus”.
A terceira revolução tecnológica será a médica. Hoje, já temos relógios que medem nossos passos, batimentos cardíacos e até quantas horas dormimos à noite. Em breve, este mesmo relógio, ao perceber alterações na sua condição física, enviará os dados automaticamente para seu médico, que entrará em contato para verificar o que houve.
A quarta revolução será a da educação, com a educação individualizada e o auxílio da tecnologia. Os estudantes estudarão em casa e fazer o dever de casa na escola, com a ajuda dos professores.
A revolução espacial será a quinta. Empresas privadas já se articulam para o turismo espacial, que deverá acontecer muito em breve.
“Essas revoluções representam boas oportunidades para o mercado segurador”, complementou Oppenheimer. “Dessas ‘revoluções’, certamente as que mais causarão impacto no mercado de seguros são a revolução tecnológica em medicina e em transporte, com os carros inteligentes”, opinou o mediador do debate Antonio Cássio dos Santos, CEO de Seguros Gerais para a América Latina da Zurich Seguros, em entrevista à Revista Apólice.
A primeira, em medicina, deverá impactar diretamente a indústria no curto prazo, principalmente o mercado de saúde suplementar brasileiro. Já a questão que envolve os “carros inteligentes” já afeta mercados de seguros mais desenvolvidos, como o europeu, mas ainda demorará por volta de uma década para chegar ao Brasil. “Estamos um passo atrás nessa tecnologia”, considera Santos.
Na opinião do executivo, as seguradoras brasileiras e latino-americanas estão despreparadas para lidar com as novas revoluções. Isso porque, segundo ele, “as companhias são escravas dos sistemas legados”, caracterizados por usarem tecnologia ultrapassada e inflexíveis, dificultando a evolução da companhia no uso de novas ferramentas e na atuação com o elevado nível de informações disponíveis atualmente.
A boa notícia é que o mercado brasileiro dá um passo importante ao discutir esses problemas e desafi os, levando-se em conta que os outros mercados seguradores da América Latina ainda não iniciarem debates sobre o tema. Mesmo o mercado chileno, considerado o mais bem organizado na região, ainda não suscita esse tipo de discussão. “Somos o segundo mercado mais bem organizado da região, campeão em inovação e responsável por 45% dos seguros na América Latina. Acertamos ao fazer esses questionamentos”, avaliou o executivo.

Ferramentas e soluções
O impacto da adoção da telemática pelo setor automotivo no setor de seguros foi outro destaque. Hoje, apenas 1% dos carros do mundo possui o equipamento, mais comum na Itália, mas, nos próximos 15 anos, a ferramenta pode chegar a mais de 20 milhões de veículos. Segundo o Estrategista Sênior da Zurich Global, James Moffatt, os custos do equipamento já estão caindo, o que pode impulsionar a adoção em massa em veículos brasileiros. “Com a telemática, podemos ver a distância, o período e a forma de direção do motorista. O risco assumido pela seguradora será medido principalmente pela forma como o segurado dirige”, explicou.
7ª economia do mundo, o Brasil hoje é o 4º lugar onde mais se investe em tecnologia, com US$ 180 bilhões aplicados anualmente. Segundo a consultoria especializada em tecnologia IDC, entre 2013 e 2020, 90% do crescimento de TI será relacionado à terceira plataforma – formada por iCloud, big data, mobilidade e social business, que hoje representa 22%
dos gastos com TI no mundo. Segundo a empresa, em janeiro de 2013, 46,6% dos executivos consideravam usar a “nuvem”
como uma solução de negócios, contra 3,5% em janeiro de 2010. Alexandre Campos Silva, diretor do IDC, alegou que “o iCloud ajuda áreas de negócios a serem mais ágeis, mas a segurança e a rede ainda são barreiras a serem enfrentadas”.
Paralelamente às palestras, os congressistas puderam conferir em uma feira as novidades tecnológicas desenvolvidas por prestadores de serviços. Veja, nas próximas páginas, o que estas empresas oferecem ao mercado segurador.

tecnologia | insurance meeting

“A Bull percebe hoje no Brasil uma grande transformação da indústria de seguros. Há 42 milhões de novos brasileiros na classe C que são consumidores com novos hábitos. A companhia disponibiliza soluções como a gestão de apólices que atende toda cadeia de valor de seguros, sendo uma solução multirramos. O geomarketing, para entender onde está o cliente, qual o poder de consumo e se há espaços que não estão sendo atendidos. A outra solução é a venda guiada por canais mobile e internet, onde você capta as necessidades do cliente e recomenda produtos baseados nelas. Por último, há soluções para análise de prevenção à fraude que aumenta a capacidade de entender e fazer uma correta seleção de riscos.”
Carlos Oliveira, da Bull

“A SAP trabalha com diversos segmentos, mas no Brasil focamos muito no mercado segurador. A companhia tem um portfólio
completo, passando por configuração de produto, comissionamento, gestão de apólice e pagamento de sinistros. Estamos
prontos para atender o mercado de seguros.”
Giovanni Menegat, da SAP

“A CI&T é uma empresa de outsourcing de aplicações. Temos uma vertical especialista em seguros e trabalhos com clientes na área de tecnologia buscando alcançar os desafios das áreas de negócios.
O objetivo é apoiar a cruzada de inovação pela qual as empresas de seguro passarão nos próximos anos.
A nossa contribuição para a indústria é trazer inovação através da tecnologia.”
Solange Sobral, da CI&T

”A MJV tem forte enfoque em inovação onde aplicamos o design thinking, que é um processo baseado na forma de pensar do design. Aplicamos isso no setor de seguros auxiliando grandes seguradoras a inovarem. Além disso não só geramos ideias, como também implementamos, através de tecnologia, a gestão da informação. Ajudamos empresas a crescerem e se transformarem através da inovação.”
Maurício Vianna, da MJV

“A In Metrics é uma empresa de eficiência em TI. O nosso trabalho é conseguir uma TI mais eficaz nas dimensões de processo, gestão, infraestrutura e sistemas. Atuamos no mercado financeiro, de telecomunicação, de varejo e de seguros auxiliando o CIO na missão de levar aplicações para produção com menor índice de defeitos. Também auxiliamos os executivos a fazer
mudanças importantes em processos, aumentando a eficiência e diminuindo a complexidade. Temos o objetivo de facilitar a gestão e traduzir isso em números relevantes.”
Pablo Cavalcante, da In Metrics

“A Confitec é uma empresa de desenvolvimento de sistemas e nosso foco é atender o mercado segurador. O produto que apresentamos tem como missão final atender ao órgão fiscalizador, no caso a Susep. É uma ferramenta que consegue prover a geração das provisões técnicas de toda a parte legal exigida, dando tranquilidade à seguradora.”
Carlos Radicchi (à direita), da Confitec

”A nossa atuação em 2013 se diversificou, saímos do lugar comum dos sistemas de seguros e entramos também no mercado de capitalização, previdência privada e resseguros. Nossa solução, na prática, se divide em cinco.
Foi um ano que nos mostrou que é possível crescer, mesmo com certa crise que o mercado enfrenta e, ao mesmo tempo, construir para uma realidade futura.”
Maurício Ghetler, da I4Pro

“A Imagem promove soluções de inteligência geográfica, que consistem em utilizar mapas dentro de processos de negócio. A inteligência geográfica permite que seja feita a integração dos dados. É possível saber onde estão clientes, mercados potenciais, a rede, histórico de sinistros e catástrofes. Tudo em uma mesma visualização. Mais de 80% dos dados de uma empresa de seguros depende da geografia e ela tem que fazer parte do processo. Desde meados de 2013 começamos a trazer essa solução para o mercado de seguros.”
Paulo Simão, da Imagem

”Somos capazes de suportar desde uma pequena empresa de seguros entrando no Brasil até empresas grandes como AIG. Para nós não existe limite de tamanhos. Na China, temos uma companhia com 20 milhões de apólices sendo processadas na mesma base de dados, no mesmo sistema.”
Viriato Leão, da eBaoTech

”A eBaoTech desenvolveu um sistema com configuração de produtos, criação e operação de sinistros, configuração de resseguros, gestão de apólices e toda a tecnologia por trás disso. A plataforma é baseada nos padrões de mercado e tem facilidade de integração com os legados das empresas. Entendemos que uma das demandas do mercado é velocidade. Por essas experiências conseguimos criar um pacote básico que incorpora todo esse conhecimento dentro de uma plataforma
pronta e pré-configurada, instalada em um prazo curto.”
Filipe Martins, da eBaoTech

”Nós trabalhamos no mercado de back office para seguradoras. Começamos implantando um ERP Contábil Financeiro. Hoje, estamos em 60 seguradoras com o SunSystems e começamos a desenvolver saídas para a Susep e Receita Federal, a partir da contabilidade com informação detalhada dos sistemas operacionais, gerando quadros estatísticos, RO’s, e cruzando todas essas informações para garantir a integridade entre elas.”
Sofia Vasconcelos, da ITG Brasil

”A Infor é a terceira maior fabricante de softwares do mundo, com 70 mil clientes, em 194 países. Estamos presentes no Brasil há mais de 20 anos. A ITG é nosso principal parceiro no segmento de seguros no país.
Aqui, estamos trazendo novas soluções para o mercado que complementam essa relação com o cliente. Desenvolvemos, junto com grandes seguradoras europeias, produtos que concentram as interações com o cliente em todos os canais, facilitando uma visão completa e aumentando o número de produtos adquiridos por clientes.”
Carlos Sena, da Infor

fórum | jornalistas

Brasil envelhece antes de ficar rico

Segundo especialistas, para superar o problema o país precisará aumentar sua capacidade econômica e sua produtividade, além de reformar o sistema de previdência social

Jamille Niero

O Brasil está envelhecendo antes de ficar rico. É uma situação preocupante pois as consequências do envelhecimento da população são muito relevantes para a situação econômica do país. Uma população envelhecida consome menos bens – e isso impacta indústrias e a arrecadação fiscal. Por outro lado, tem mais gastos com saúde. Quem pagará essa conta?
“Estudos do mundo inteiro demonstram que a tendência é preocupante e é uma situação na qual os setores público e privado precisam discutir juntos as soluções possíveis”, disse o então presidente da Allianz Seguros, Edward Lange, na abertura do 8º Fórum Internacional de Seguros para Jornalistas.
O Brasil está muito próximo do cenário já visto em países europeus, com seus sistemas de previdência social entrando em colapso financeiro. 11% da população mundial, perto dos sete bilhões de habitantes, já é formada por pessoas acima de 60 anos. Em 2050, esse índice subirá para 22% – com o número de habitantes no mundo pulando para nove bilhões. A taxa de fertilidade também está caindo. As mulheres estão tendo filhos mais tarde. A média de idade mundial passou de 30 para 38 anos (variando de acordo com o continente).
O país já soma mais de 200 milhões de habitantes e deve alcançar 230 milhões nos próximos 30 ou 40 anos. A taxa de fecundidade passará de 1,8 filhos por mulher para 1,5 filhos por mulher no mesmo período. Hoje já são cinco brasileiros economicamente dependentes para cada 10 ativos.
Para os especialistas presentes, para o Brasil superar o problema de envelhecer sem se tornar rico o sufi ciente para poder custear a população longeva, o país terá de focar em quatro fatores: manter ou aumentar sua capacidade econômica; reformar o sistema de previdência social; aumentar a produtividade, elevando o tempo de vida profissional de seus trabalhadores, e aceitar mais imigrantes qualificados.
O economista-chefe da Allianz SE, Michael Heise, foi o convidado internacional do fórum e apresentou números que comprovam essa tese. A população que mais irá crescer até 2020 será a mais velha. É uma situação que já ocorre em países europeus e traz encargos para a previdência social e a saúde.
Na análise do economista, o Brasil deverá ainda diminuir o valor gasto com previdência. O país gasta 8% do PIB para pagar pensões. Segundo Heise, não parece muito se comparar com o resto do mundo, mas é se levar em conta a dependência de idosos, que é mais alta em outros países. “O Brasil precisará corrigir o fator previdenciário. É uma medida desconfortável, mas necessária”, disse. Aqui, a taxa média de pensão equivale a 85,9% do salário original, contra 63,1% dos países da União Europeia, 42% da Alemanha e 36,3% do Japão.
O aumento da produtividade do brasileiro e o aprimoramento desta mão de obra são outros fatores cruciais. Afinal, com menos pessoas economicamente ativas, os salários deverão ser maiores para suportar os mais velhos. Mas a qualificação é importante. O Brasil tem poucas pessoas adequadamente qualificadas no mercado de trabalho. Reflexo do baixo investimento em educação.
Uma situação que pode surgir com o avanço de mais profissionais trabalhando até mais tarde é a permanência de pessoas mais velhas seguro saúde coletivo oferecido pela empresa aos trabalhadores. Felipe Gomes, diretor executivo de gestão de mercado e estratégia da Allianz, acredita que isso pode aumentar o custo do benefício. No entanto, existem ferramentas que podem ser utilizadas pelas seguradoras e operadoras de saúde para diminuir esse possível aumento de custo, que são ações com foco na prevenção de doenças. “São medidas de educação, acompanhamento e controle”, apontou Ingo Dietz, diretor executivo da seguradora. Ou seja, existem formas e ferramentas para tentar melhorar a qualidade de vida e evitar que chegue a uma situação crítica.
Um ponto positivo destacado por Heise foi o nível de desigualdade social e de pobreza, que foi reduzido nos últimos anos. Ainda não é o ideal, mas são passos importantes.
Andre Portella, pesquisador e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) frisou que o número de jovens atuantes no mercado de trabalho cresceu muito nos últimos anos. A presença da mulher também,especialmente da década de 1990 até os dias atuais. “Mas ainda estamos abaixo das taxas internacionais”, refletiu.
O especialista comentou que o aumento da produtividade do trabalho não depende apenas da qualificação do trabalhador atual, mas das futuras gerações também. Em 1960, a média de escolaridade do trabalhador brasileiro era de dois anos. Hoje, a média já é sete. “Cresceu, mas estamos abaixo de países como a Coreia do Sul, que saltou de três anos de escolaridade por habitante, em média, para 12 anos”, apontou Portella.
Ele ainda comentou sobre a questão da imigração. Segundo os números apresentados, o Brasil foi um “país de imigrantes” no início do século. Em 1900, 7,3% da população era composta por imigrantes. Nos dias atuais, o índice chega a 0,3%. “Isso mostra que somos fechados para pessoas qualifi cadas”, indicou. Na Suíça, quase um quarto da população (23%) é formada por imigrantes.
O economista e pesquisador do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) Marcelo Caetano focou seus comentários na formação de poupança necessária para custear os reflexos causados pelas mudanças demográficas. A Europa levou 50 anos para elevar a parcela da população formada por idosos de 10% para 20%. Já a América Latina levará de 20 a 25 anos para alcançar o mesmo índice. “Mas o padrão de renda dessas duas regiões são bem distintos”, ponderou.
O PIB europeu gira na faixa dos R$ 32 mil dólares per capita por ano. No Brasil, o índice é de R$ 12 mil. “Fica difícil imaginar um crescimento econômico mais acentuado com a população envelhecida, que estaria fora do mercado de trabalho e sem produzir. Para chegar ao mesmo nível de renda europeu, levaremos meio século”, considerou Caetano.
Para a economia crescer, explanou o pesquisador do IPEA, o Brasil precisa melhorar sua infraestrutura, investir em capital humano e físico, além de aumentar sua poupança. Para investir, é preciso ter fontes de recursos financeiros. “Tem que incentivar a formação de poupança privada”, insistiu. Isso porque o envelhecimento populacional gera o desafio do aumento da poupança privada. Se o brasileiro poupa pouco quando jovem, quando idoso poupa menos ainda, pois é o momento de usufruir o que acumulou. “Não faz sentido para a cultura brasileira poupar quando velho, pois somos diferentes de outros países, que têm a cultura de poupar quando mais velho para deixar herança para seus filhos”, articulou.
Outro ponto que deve ser levado em conta é o cuidado com os idosos. Em um país onde tendência do filho único é cada vez maior, quem cuidará dos idosos? Aqui, o padrão deste cuidado é privado e familiar e pesará no custo familiar.

prêmio 1 | sincor-sp

Reconhecida pelos corretores…

Matéria da jornalista Jamille Niero, publicada em junho, traz dicas para os corretores fidelizarem seus clientes

A Revista Apólice encerra o ano de 2013 comemorando novas conquistas. No Mosteiro de São Bento, no dia 30 de outubro,
a jornalista Jamille Niero recebeu o troféu do I Prêmio Sincor-SP de Jornalismo; ela foi vencedora com a matéria “Venda consultiva gera oportunidades e fideliza o cliente”, publicada na edição 176, em julho deste ano. O trabalho concorreu na categoria “José Logullo”, que abrangia os textos inscritos que narravam casos envolvendo diretamente corretores
de seguros ou empresas corretoras.
O trabalho trata de uma questão essencial para o profissional da corretagem: como adaptar-se a um mercado cada vez mais competitivo e que traz apresenta desafios no momento em lidar com o cliente. Trazendo dicas de seguradoras e corretores que obtiveram sucesso focando e se especializando em um determinado segmento para poder oferecer um serviço personalizado que esteja de acordo com as reais necessidades dos clientes. O tema é cada vez mais recorrente entre os corretores e a matéria mostra o início de um caminho que deve ser desenvolvido e aprimorado.
O intuito da entidade ao realizar o prêmio foi, além de prestigiar os membros da imprensa que se empenham na cobertura do mercado, ressaltar também a importância da corretagem de seguros para a sociedade.
Para Jamille, a premiação traz a satisfação de ter o trabalho como fonte relevante ao mercado. “Sinto-me honrada em ter o trabalho reconhecido pela primeira edição do prêmio. O corretor é o nosso principal público leitor e fico feliz em poder escrever sobre a profissão e ser recompensada por isso”, declarou.
Os jurados responsáveis pela escolha foram liderados por Antonio Penteado Mendonça, advogado e colunista de seguros e previdência do jornal O Estado de S. Paulo; o comitê contou com Paulo Marraccini, presidente da FenSeg, Marco Antonio Rossi, presidente da CNseg, Mauro César Batista, presidente Sindseg-SP, Eduardo Ribeiro, jornalista e diretor do Jornalistas & Cia (informativo dirigido aos profissionais de comunicação) e Felipe Moreira Paes Barreto, corretor de seguros.
A vitória mostrou a relevância da revista para o público e o valor que ela dá aos profissionais do mercado, que sempre participam e ajudam a fazer com que um conteúdo claro e comprometido chegue aos leitores.
“A repercussão positiva desta primeira edição comprovou o sucesso da iniciativa. Vamos criar novas categorias e tornar o prêmio ainda mais atraente e abrangente, tendo sempre como foco principal a valorização do corretor de seguros”, ressaltou o presidente do Sincor-SP, Mário Sérgio de Almeida Santos.

prêmio 2 | allianz

e também pelos seguradores

A editora Kelly Lubiato foi a vencedora da sétima edição, garantindo o quinto troféu da publicação

O já tradicional Prêmio Allianz Seguros de Jornalismo apresentou, no dia 6 de novembro, sua sétima edição e, mais uma vez, a Revista Apólice foi vencedora no tema Seguros, categoria Linguagem Escrita, sub-categoria Imprensa Especializada. A vencedora e editora da publicação, Kelly Lubiato, conquistou o troféu com a matéria “A palavra é eficiência”, publicada na edição 168 (de outubro de 2012). O tema liga diretamente as questões econômicas do momento com o impacto que isso causou tanto em seguradoras quando aos corretores de seguros. As quedas das taxas de juros no período representavam um alerta ao mercado, que precisou fazer uma reavaliação de precificações, e ajustes de preços para o consumidor final.
Essa foi a quinta vez que a publicação recebeu o troféu. A Revista Apólice já havia sido agraciada nas edições de 2008 e 2009, ambas com vitória de Kelly; em 2010, com o trabalho de Aline Bronzati, e 2011, com Jamille Niero.
O prêmio também trazia concorrentes no Tema Sustentabilidade, além de contemplar, nas duas categorias, matérias publicadas online, telejornalismo e radiojornalismo.
“Essas premiações contribuem muito para o mercado editorial de seguros porque estimulam os veículos a buscarem novas fontes, novos temas, assuntos diferentes que agregam muito mais conhecimento para os leitores. Não só no conteúdo, mas as premiações contribuíram para melhorar a apresentação das matérias, o que é benéfico para todo o setor”, destaca Kelly Lubiato.
O reconhecimento é de grande importância tanto para as jornalistas quanto para todos os membros da equipe. O Prêmio Allianz traz o interesse dos seguradores em entender como o mercado é percebido por seus clientes, tanto corretores quanto o consumidor final.
Os trabalhos selecionados passaram por análise de dois comitês, formados por pesquisadores e acadêmicos de instituições como INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), USP (Universidade de São Paulo) e Universidade Metodista de São Paulo, além de jornalistas atuantes em organizações como WWF (World Wide Fund for Nature) e SOS Mata Atlântica.
Durante a cerimônia, Max Thiermann, presidente do conselho de administração da Allianz Seguros, afirmou que a informação é um fator chave para qualquer mudança. “Foi uma verdadeira surpresa receber 2.157 inscrições nesta sétima edição do Prêmio. Somente quando a gente conhece as causas e consequências das nossas atitudes é que conseguimos mudá-las. Premiar o jornalista que se dedica, é investir na disseminação do conhecimento para a população, empresas e setor público”.

marketing | esporte

Brasileiros participam do extreme Sailing Series

A equipe brasileira teve o patrocínio do Grupo BB Mapfre, que dirige seu foco ao ramo náutico

Kelly Lubiato, de Florianópolis

O Extreme Sailing Series é um circuito de catamarãs 40, extremamente rápidos. São regatas curtas, muito próximas à terra e ao público. Ela utiliza um conceito de vela de estádio, que fez muito sucesso no mundo náutico e que foi incorporada a outras competições. As disputas são realizadas em várias regatas e contam com manobras mais radicais.
De acordo com o CEO da +Brasil, empresa organizadora da etapa brasileira, Carlos Col, a seguradora do Grupo BB Mapfre é responsável por todas as coberturas contratadas no mercado nacional, como a responsabilidade civil para os atletas e espectadores. Ele afirma que a seguradora, por ser patrocinadora da equipe brasileira, naturalmente foi escolhida para garantir outras apólices.
O time brasileiro foi especialmente convidado para esta etapa e tem como timoneiro Clínio Freitas, velejador campeão em várias modalidades. Freitas disse que estão para participar dentro dos limites de segurança e para fazer o melhor, mesmo com as limitações do momento. “Vamos aproveitar para desenvolver a tripulação e quem sabe ter uma participação mais consistente nos próximos anos”.
O coordenador técnico da equipe, Lars Grael, ressalta que a participação brasileira só foi possível graças à parceria com a Mapfre. “A vela é o esporte que mais medalhas olímpicas rendeu ao Brasil e, ainda assim, encontra dificuldades para ser praticada”. Para ele, a participação neste evento é uma grande oportunidade de viabilizar a criação de um time fixo brasileiro para a próxima temporada do Extreme Sailing Series.
Em 2014, segundo o organizador do evento, ainda não está totalmente certa a presença brasileira. “Há uma carta de intenções assinada, visando os próximos três anos, mas nada está fechado ainda”, ponderou Col. Segundo ele, o fator impeditivo para que uma equipe brasileira participe das oito etapas do circuito é o custo, que gira em torno de um milhão de euros por temporada.
Segmento em crescimento
O Grupo BB Mapfre encontrou no Extreme Sailing Series uma oportunidade de investir num segmento que cresce bastante dentro do ramo de cascos marítimos. “Damos uma atenção diferenciada aos veleiros porque normalmente seus proprietários possuem uma relação especial com as embarcações”, afirma Carlos Polízio, superintendente da carteira no Grupo BB Mapfre.
A oportunidade para patrocinar o Team Brazil vai ao encontro das estratégias da companhia de apoiar o esporte e mostrar isso aos amantes da vela. “O velejador é uma pessoa com conhecimento em navegação e, normalmente, é ele quem contrata o seguro e sabe de todas as condições”, explica Polízio.
A seguradora tem participação importante neste segmento, com cerca de três mil embarcações seguradas. No universo de barcos seguráveis está uma lista de aproximadamente 10 mil embarcações de recreio. O Grupo BB Mapfre atua neste setor desde o verão 2008/2009.
Um dos diferenciais dos produtos da seguradora é justamente a possibilidade de contratação online, realizada pelo corretor de seguros. A renovação não é automática, mas quem contrata o seguro pela primeira vez acaba renovando sua apólice. Por isso, o contato com o corretor de seguros é fundamental. Nesta carteira, quem toma a decisão é, na maioria das vezes, o proprietário.

homenagem | serafim gianocaro

Mercado segurador se despede de um líder

Durante 26 anos ele lutou pelos direitos dos securitários e, assim, tornou-se uma figura reconhecida e apreciada

Amanda Cruz

Em outubro, o mercado segurador perdeu uma figura importante, mas que deixa um legado para os securitários e para as lutas sindicais como um todo.
Serafim Gianocaro nasceu no dia 23 de dezembro de 1945, em São Paulo, e iniciou cedo sua carreira na área de seguros: em 1961, quando tinha 16 anos. Passou por empresas de grande peso para o mercado, como Lloyd Industrial Sul Americano, Companhia Central de Seguros, Campina Grande Cia de Seguros Gerais, entre outras.
Entrou no Sindicato dos Securitários do Estado de São Paulo em 1972 ocupando o cargo de secretário administrativo.
Tomou posse como presidente da entidade em outubro de 1987. Dentro do Sindicato lutou pelas melhorias da categoria, sendo de grande relevância também para os direitos trabalhistas de uma forma geral.
Por seu amplo percurso de luta sindical, assumiu importantes cargos de projeção estadual, nacional e internacional. Gianocaro foi juiz classista suplente do TRT da 15ª Região; presidente da Fenespic desde 2003; diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (Contec) desde 1990 e vice-presidente desde 2012;
presidente da Sociedade Brasileira de Ciências do Seguro (SBCS) desde 2010; secretário do Trabalhador Securitário da
União Geral dos Trabalhadores (UGT) e secretário Executivo (Cone Sul) da Federación Latinoamericana de Trabajadores
Bancarios de Seguros y Afines (Felatrabs).
Amplamente reconhecido por seus colegas de categoria, o presidente do Sindicato deixa boas lembranças. “Durante os dois períodos em que presidio Sindseg-SP, negociei com ele os termos dos acordos coletivos. Sempre apreciei a lisura de seus propósitos, firmes na defesa de seus representados, mas conciliadores no respeito aos objetivos das empresas de seguros”, afirmou Paulo Marracini, presidente da Fenseg.
A Sociedade Brasileira de Ciências do Seguro também lamentou a partida de Gianocaro, o advogado Plínio Machado Rizzi ressaltou o apoio que os membros receberam em um momento em que a entidade estava desacreditada e quase foi extinta: “Serafim marcou meu coração. Foi no dia em que realizávamos a assembleia que decretava a morte e o enterro da Sociedade Brasileira de Ciências do Seguro. De repente, com aquele jeito sereno que tão bem o caracterizava, vem ele e promove o resgate da entidade, pedindo ajuda a todos nós”, conta.
“A partida deste valoroso amigo e companheiro deixa um vazio de dificílima substituição”, afirmou Lourenço Prado, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores das Empresas de Crédito (Contec), da qual Serafim Gianocaro era o 1° vice-presidente.
Em sua partida, Gianocaro deixa esposa, filhos e netos, além de amigos e admiradores que vêem em seu trabalho grandes conquistas para o mercado.

palavra do especialista

por Luiz Antonio Oliveira*

Grande parte das empresas brasileiras desconhece os riscos ambientais

O caso recente do incêndio que ocorreu no depósito de fertilizantes, em São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina, estimulou um novo debate sobre a importância da responsabilidade civil ambiental (RC Ambiental). O local abrigava aproximadamente 10 mil toneladas de fertilizantes que continham nitrato de amônia, produto tóxico e inflamável. Com a grande proporção do incêndio, seis bairros próximos tiveram de ser evacuados por causa do risco de contaminação devido à fumaça tóxica.
É recorrente no Brasil acidentes como este envolvendo empresas. Porém, poucas, principalmente de médio porte, estão atentas aos riscos ambientais que podem impactar direta ou indiretamente nos seus negócios e também nas comunidades ao seu entorno. A maioria das empresas desconhece também os mecanismos de mitigação (mapeamento, identificação e prevenção) desses riscos. A poluição, decorrente da dispersão permanente e/ou gradual de poluentes, pode resultar na contaminação do solo ou água, causando danos às pessoas, fauna e flora.
Ao contrário do que ocorre nos EUA e Europa, no Brasil as empresas não são obrigadas a contratar um seguro ambiental para proteger as suas operações. Discute-se ainda a obrigatoriedade da apólice. Uma das iniciativas para tornar o seguro obrigatório no país foi a do Projeto de Lei 937/2003, que alterava a Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, para que o licenciador de projetos pudesse exigir a contratação da apólice.
No Brasil, existem outros instrumentos que têm chamado a atenção das empresas para os riscos ambientais. O artigo 40 da Lei nº 12.305/10, o qual trata do tema, salienta que no licenciamento ambiental de empreendimentos ou atividades que operem com resíduos perigosos, o órgão licenciador do SISNAMA (Sistema Nacional do Meio Ambiente) pode exigir a contratação do seguro de responsabilidade civil por danos causados ao meio ambiente ou à saúde pública. Entretanto, a falta de uma política clara para tratar da questão desestimula novos investimentos, principalmente da inciativa privada e, até mesmo, inibe o crescimento do mercado segurador especializado em risco ambiental.
O RC Ambiental começou a ter maior visibilidade no Brasil a partir de 2008, com a abertura do mercado de resseguros. Já em 2012 movimentou cerca de R$ 33 milhões. O segmento de transportadoras representa pelo menos a metade das apólices de RC Ambiental do país, devido ao grande movimento de produtos químicos.
Na medida em que cresce o debate em torno da preservação do meio ambiente e que ficam mais evidentes os acidentes de empresas causando danos ao ambiente e às pessoas, a tendência é esse seguro tornar-se obrigatório para a mitigação dos riscos. Os grandes projetos de obras de infraestrutura, transporte público, construção de aeroportos e estádios para Copa 2014 e Olimpíadas também despertaram maior interesse pelo tema. O mercado segurador tem know-how internacional, dispõe de produtos e profissionais especializados e está preparado para atender essa demanda.

* Luiz Antonio Oliveira é superintendente de Riscos Especiais – Financial Lines – E&O & Responsabilidade Ambiental da LIU, divisão de riscos especiais da Liberty Seguros

distribuição de seguros

por Manuel Matos*

Inovar é seguro

Como tudo no mundo, o mercado de seguros está em constante mudança. Dinâmico, recebe produtos e atualizações a cada dia, e o corretor de seguros precisa se manter atento para prestar um bom serviço e oferecer a melhor solução a seus clientes. Temos dois caminhos: evoluir, acompanhando as mudanças do mundo e livrando-se da repetição de erros; ou estagnar, deixando-se engolir pela onda sempre crescente de informações e novos comportamentos que nos segue.
O mercado de trabalho está exigindo mais conhecimentos, que vão além dos campos profissionais de cada um. Hoje a tecnologia está incorporada em todas as áreas, independentemente da função. Por isso, é importante realizar treinamentos tanto com o intuito de aprendizado, quanto de atualização, pois, a tecnologia reinventa-se a todo instante e o profissional precisa estar preparado para ter poder de competição no mercado.
É importante que os mais vividos deem voz aos mais jovens – assim como na vida, em uma empresa essa vivência entre diferentes gerações pode ser muito rica. Gosto de observar o trabalho dos jovens e as ideias de empresas start-ups, cheias de criatividade e motivação para realizar. Temos muito que aprender com as gerações que nasceram num mundo mais próximo do que temos hoje.
Tudo precisa de aprimoramento constante. Mesmo a tecnologia da certificação digital da ICP-Brasil, que alcançou níveis de confiabilidade e segurança dignos de figurar como referência mundial, precisa se reinventar para fatos que surgem. A expansão das utilizações da certificação digital faz aumentar também a preocupação com a segurança das operações e o processo de emissão dos documentos.
Observei recentemente a experiência de jovens corretores de seguros que contribuíram com a formulação do Centro de Estudos, Respostas e Tratamento de Incidentes na ICP-Brasil, pela ANCert – Associação Nacional das Autoridades de Certificação Digital, entidade que reúne Autoridades Certificadoras e de Registro e identifiquei um forte comprometimento das novas gerações de profissionais com a evolução dessa tecnologia.
Esses centros de estudos devem ser estimulados no setor de seguros, que também convive com tentativas de fraudes. Nas áreas de automóveis, transportes, residências e tudo mais o que pode contar com a proteção de seguro, cada avanço do setor incentiva a criatividade dos fraudadores, o que força o desenvolvimento de novas soluções para prevenção de desvios indesejáveis e que inflam artificialmente os sinistros, distorcendo taxas e encarecendo o seguro.
Talvez seja a hora de melhorarmos as práticas de contratação de seguros, antecipando-nos aos controles que já são feitos pelas seguradoras no momento de aceitação do risco e lançarmos um Centro de Estudos e Prevenção de Fraudes na Comercialização de Seguros, como forma de capacitar corretores na identificação de negócios saudáveis, ajudando assim a reduzir o custo da fraude no setor de seguros. A experiência tem se mostrado exitosa no setor de certificação digital, com a forte contribuição dos corretores que atuam como Autoridade de Registro.
Todos nós, corretores de seguros, temos a obrigação de contribuir para o aprimoramento da nossa forma de operar e distribuir nossos produtos. Estagnar, definitivamente, não é seguro. Em empresas, entidades e no Governo é importante a oxigenação de ideias, a fim de estabelecer novos caminhos para evolução.

* Manuel Matos é corretor de seguros, delegado representante do Sincor-SP na Fenacor e gestor da ICP Seguros

comunicação e expressão

por J. B. Oliveira*

Que palavra usar: Humanização ou Fragilização da lei?

A Dialética pode ser vista como a busca do ideal de equilíbrio. Isto porque os três elementos que a compõem caminham nesse sentido. O primeiro é a tese. Em oposição direta a ela vem a antítese (melhor seria anti-tese), resultando desse choque a síntese que, por razão lógica, traz em seu bojo componentes de ambas as correntes, ou seja, teoricamente, atinge o equilíbrio, o denominador comum.
O sistema legal já foi muito rijo, inflexível, violento até. Tanto isso é certo que herdamos dos latinos a célebre expressão “dura lex, sed lex”: a lei é dura, mas é a lei. Na antiguidade, os delitos eram severamente punidos.
As primeiras normas legais aplicadas no Brasil foram as chamadas Ordenações Afonsinas, em que estava presente a pena de morte. Depois, vieram as Ordenações Manuelinas, igualmente prevendo a pena capital, que era executada pela forca, pela espada, na fogueira, pela entrega aos índios ou pelo esquartejamento, às vezes com o condenado ainda vivo! E tudo isso feito como forma de espetáculo, para que todos presenciassem a força da lei.
Após a independência, tivemos nossa primeira Constituição, em 1824, em que foi mantida a pena máxima. Pouco depois, em 1830, o Código Penal então promulgado, previa essa punição extrema no artigo 38, aplicável nos casos de homicídio, roubo
seguido de morte (latrocínio), insurreição e para escravos que obtivessem a liberdade pela força. A execução do condenado se dava pela forca. O detalhe é que ele era conduzido pelas ruas, como em fúnebre cerimônia, exibido aos olhos de toda a sociedade. Essa pena foi largamente aplicada até 1855, quando se deu o famoso erro judiciário que resultou na execução de Mota Coqueiro. Só muito mais tarde, um desconhecido de nome Herculano, à beira da morte, confessou a seu filho que fora o verdadeiro autor do crime, abalando a sociedade e o Imperador, que passou a comutar as penas capitais em penas de galés perpétuas. O Código Penal de 1890 e a Constituição Federal de 1891 afastaram essa punição, com ressalva apenas em relação à legislação militar em tempo de guerra. O mesmo procedimento adotou a Constituição de 1934. Já a de 1937 voltou a inseri-la e, curiosamente, o legislador comum, ao elaborar o Código Penal de 1940, não a incluiu. A emenda constitucional n° 1, de 17/10/1969, previa a possibilidade de incidência da pena capital. Por sua vez, o decreto lei n° 898, de 29/09/1969 criou a figura do crime contra a Segurança Nacional, estabelecendo a pena de morte no país. Nove anos depois, essa forma de punição é abolida pela emenda constitucional n° 11, de 13/10/1978. Hoje, na vigência da “Constituição Cidadã” de 5/10/1988, nem há condições de se falar de tão bárbara e primitiva punição para um ser humano.
Entretanto, a indiscutivelmente necessária humanização das penas, funcionando como anti-tese em relação às antigas selvagens punições – que constituiriam a tese – ainda não atingiu a síntese. Falta o equilíbrio que proporcione ao culpado um tratamento humano e garanta aos cidadãos o respeito ao seu direito de ir e vir, à sua incolumidade, e à sua segurança. Hoje o sistema de proteção legal à sociedade está tão fragilizado que se torna quase realidade o “cada um por si”, o que é demonstrado pela expansão das empresas de segurança privada, dos veículos blindados, das parafernálias eletrônicas de segurança nos edifícios residenciais e empresarias e – o que é pior – a síndrome do medo de assalto, roubo, sequestro, sequestro relâmpago e outros tipos de violência.
Não falta à polícia e à justiça a disposição de agir duramente contra a criminalidade, punindo os delinquentes. Porém, a anti-tese trouxe tantas benesses e privilégios que essa disposição de agir torna-se quase inócua.
À guisa de exemplo, um recém-egresso do sistema penitenciário – onde cumpriu 14 anos de reclusão por homicídio – totalmente drogado, agrediu a própria mãe e o irmão. Antes, ele havia dito a ela: “Não me faça ter raiva de você. Você viu quantos casos de filhos que matam os pais?”
Chamada a polícia, seguiram para o distrito policial, onde, antigamente, seria feito um B.O. e o agressor seria preso em flagrante delito… Agora não. Está em vigor a Lei 9099/95 que prevê, nesses casos, não um Boletim de Ocorrência, mas um mero T. C., Termo Circunstanciado e a liberação do “autor do fato” (não mais indiciado ou acusado). Se a vítima quiser o prosseguimento do caso, terá de formalizar representação contra o agressor e aguardar o desenrolar da ação no Judiciário.
Pois bem, no caso referido, as vítimas, morrendo de medo, foram para casa e enquanto o acusado permanecia por algum tempo na delegacia para conclusão do T. C., juntaram o que puderam e foram em busca de um lugar seguro, pois a polícia não podia prender o agressor, mesmo sabendo de sua periculosidade e do fato de, além do crime que o levara à prisão, ter cometido mais dois homicídios lá dentro!
Isto é humanização?

* J. B. é Consultor de Empresas, Professor Universitário, Advogado e Jornalista. É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”, e membro da Academia Cristã de Letras.
[email protected] | www.jboliveira.com.br

 

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