O Grupo Porto encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido recorrente de R$ 713 milhões, queda de 14% em relação ao mesmo período do ano passado, apesar do crescimento de 10% nas receitas totais, que alcançaram R$ 11 bilhões. O lucro líquido contábil foi de R$ 839 milhões, alta de 1% na comparação anual, em um trimestre marcado pelo aumento das perdas de crédito e da sinistralidade na operação de saúde.
A rentabilidade também recuou. O retorno recorrente sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) ficou em 17,6%, redução de 5,4 pontos percentuais em relação ao terceiro trimestre de 2025. Considerando o resultado contábil, o indicador atingiu 20,7%.
O desempenho reflete movimentos distintos entre as quatro verticais do grupo. Enquanto a Porto Seguro ampliou sua carteira de automóveis e a Porto Serviço registrou crescimento do lucro, as operações de crédito e saúde enfrentaram maior pressão sobre os resultados.
A Porto Seguro registrou R$ 6,2 bilhões em receitas e prêmios no trimestre, crescimento de 9% em relação ao mesmo período de 2025. O principal destaque foi o seguro Auto, que avançou 10% e incorporou 264 mil veículos à carteira, elevando a frota segurada para 6,5 milhões de automóveis. Os segmentos Patrimonial e Vida também apresentaram expansão, de 9% e 2%, respectivamente.
Apesar do crescimento das operações, o lucro líquido da vertical recuou 2%, para R$ 443 milhões. O índice combinado ampliado ficou em 86%, aumento de um ponto percentual na comparação anual. A rentabilidade permaneceu elevada, com ROAE de 32% no trimestre. Foi o sexto período consecutivo em que o indicador superou a marca de 30%.
Crédito e saúde pressionam resultados
No Porto Bank, as receitas cresceram 13%, alcançando R$ 2 bilhões, impulsionadas pelas operações de consórcio, riscos financeiros e produtos de crédito. O avanço, porém, foi acompanhado pela deterioração dos indicadores de perdas. As perdas de crédito somaram R$ 843 milhões, aumento de 48% em relação ao terceiro trimestre do ano anterior. Segundo a companhia, o resultado reflete um ambiente mais adverso para o crédito e uma postura conservadora na gestão de riscos, que levou à constituição de maiores provisões.
O lucro líquido do Porto Bank caiu 13%, para R$ 171 milhões. Em contrapartida, o índice de eficiência melhorou 3,3 pontos percentuais, chegando a 27,4%. Na Porto Saúde, a receita avançou 12%, para R$ 2,5 bilhões, sustentada pelo crescimento da base de beneficiários. A carteira de seguro Saúde aumentou 22%, alcançando 956 mil vidas, enquanto a operação odontológica cresceu 16%, para 1,3 milhão de beneficiários.
O aumento da carteira, entretanto, não se traduziu em maior lucro. A sinistralidade atingiu 82%, alta de 4,7 pontos percentuais em relação ao terceiro trimestre de 2025.
De acordo com o grupo, aproximadamente dois terços dessa elevação decorreram de rupturas na cadeia de atendimento oncológico e de um comportamento atípico da sazonalidade entre o segundo e o terceiro trimestre. O restante foi atribuído ao crescimento orgânico dos sinistros. Com isso, o lucro líquido da Porto Saúde caiu 34%, para R$ 84 milhões.
A Porto Serviço foi a única das quatro verticais a registrar crescimento do lucro líquido na comparação anual. A operação encerrou o trimestre com resultado de R$ 52 milhões, alta de 34%, enquanto a receita avançou 9%, alcançando R$ 660 milhões.
O crescimento foi impulsionado pelas áreas de Parcerias Estratégicas e Parcerias Porto, ambas com expansão de 9%, além dos Produtos Digitais, que registraram avanço de 39%. A vertical também ampliou sua rede de relacionamento comercial, ultrapassando 80 parcerias estratégicas.
Resultado financeiro recua 19%
Além das pressões operacionais, o resultado financeiro do Grupo Porto caiu 19% no terceiro trimestre, para R$ 309 milhões. A receita da carteira de aplicações financeiras administrada pela tesouraria, desconsiderando previdência e ALM, somou R$ 355 milhões, equivalente a 63% do CDI.
Segundo a companhia, o desempenho foi afetado principalmente pela baixa variação do IPCA no trimestre, com reflexos sobre os títulos contabilizados pela curva, e pelo retorno da parcela investida em renda variável, inferior ao Ibovespa. Apesar disso, o índice de eficiência operacional do grupo melhorou 0,4 ponto percentual, chegando a 10,6%, considerando a relação entre despesas administrativas e receitas totais.
O Grupo Porto também registrou crescimento na utilização de seus canais digitais. Os aplicativos da companhia alcançaram 6,5 milhões de usuários, aumento de 21% em relação ao mesmo período do ano anterior. Entre os 19 milhões de clientes do grupo, foram contabilizadas 186 milhões de interações e atendimentos digitais durante o trimestre, volume 52% superior ao registrado no terceiro trimestre de 2025.
A companhia informou ainda que mais de 73% dos acionamentos realizados pelo WhatsApp foram resolvidos integralmente pelo canal, avanço de seis pontos percentuais na comparação anual.
Para Paulo Kakinoff, CEO do Grupo Porto, o avanço dos canais digitais faz parte da estratégia de aprimoramento da experiência dos clientes. “O atendimento digital contribui para que os níveis de NPS da companhia sigam em patamares de excelência. Assim, seguimos focados no nosso norte: o equilíbrio entre Essência e Estratégia, construindo a cada dia uma Porto ainda mais forte. Nosso agradecimento mais sincero a todos que constroem essa jornada conosco”, afirmou.









