As seguradoras brasileiras cederam R$ 15,27 bilhões em prêmios ao mercado de resseguros no primeiro semestre de 2026, alta de 2,7% em relação ao mesmo período do ano passado. O levantamento foi realizado pela Federação Nacional das Empresas de Resseguros (Fenaber) a partir de dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) e considera os ramos de seguros, incluindo Pessoas.
O movimento ocorre em um cenário de aumento dos investimentos em infraestrutura, energia e agronegócio, além da expansão das operações de crédito. Projetos maiores e ativos de maior valor elevam também as exposições que precisam ser absorvidas pelo mercado de seguros.
Em grandes obras de infraestrutura, por exemplo, os riscos envolvem tanto o período de construção quanto a fase de operação. No agronegócio, eventos climáticos como secas e enchentes podem provocar perdas simultâneas em diferentes propriedades de uma mesma região. Já projetos de energia envolvem ativos de alto valor e contratos de longo prazo.
Parte dessas exposições pode ser transferida pelas seguradoras ao mercado de resseguros. A cessão permite às companhias compartilhar determinados riscos e administrar a concentração de suas carteiras, especialmente em operações de maior porte.
Capacidade diante dos novos riscos
Para Rafaela Barreda, presidente da Fenaber, a capacidade disponível para absorver riscos deve fazer parte da discussão sobre os investimentos previstos para o país.
“Quando se fala em ampliar investimentos em infraestrutura, energia ou agronegócio, é preciso considerar também como os riscos desses projetos serão absorvidos. A seguradora é quem decide quais riscos quer assumir e, a partir daí, o resseguro pode ser utilizado para compartilhar parte dessa exposição. Ter capacidade disponível é importante para um mercado que precisa acompanhar projetos cada vez maiores e mais complexos”, afirma.
Os eventos climáticos extremos também adicionam pressão sobre a capacidade de absorção de riscos. Perdas concentradas em uma mesma região podem atingir simultaneamente produtores, empresas e ativos segurados, elevando a exposição das carteiras.
Nesse cenário, o resseguro funciona como uma das ferramentas disponíveis para distribuir parte dos riscos assumidos pelas seguradoras. A capacidade de resseguro, no entanto, não determina isoladamente a oferta de cobertura, que também depende das decisões de subscrição e das condições de cada operação.
“À medida que o Brasil amplia seus investimentos, o mercado responsável por assumir e distribuir os riscos desses projetos também precisa estar preparado para acompanhar esse movimento”, conclui Barreda.







