EXCLUSIVO – Confesso logo de saída: sou fã de Jonathan Scott. Há anos acompanho Property Brothers (Irmãos a Obra) e gosto especialmente do conceito de casa que ele e o irmão, Drew Scott, ajudaram a popularizar: ambientes abertos, integrados, funcionais, feitos para serem vividos e não apenas admirados. Portanto, encontrá-lo no palco do ITC Vegas foi uma daquelas situações em que a jornalista precisou dividir espaço com a telespectadora.
Mas Jonathan Scott estava ali para falar de algo que vai muito além de derrubar paredes para integrar sala e cozinha. O empresário, especialista em reformas e cofundador da Scott Brothers Global levou para o maior evento de inovação em seguros do mundo uma discussão diretamente relacionada ao futuro da indústria: como construir casas capazes de resistir melhor aos riscos e como as seguradoras podem incentivar essa transformação.
Depois de reformar mais de mil imóveis e construir uma carreira em torno da habitação, Scott passou a olhar para a tecnologia com um critério bastante objetivo. Para ele, uma casa verdadeiramente inteligente não é aquela simplesmente recheada de dispositivos conectados. “Tecnologia útil é aquela que resolve problemas, evita prejuízos e facilita a vida do morador. Diante do aumento da frequência e da intensidade de eventos naturais severos, esse conceito ganhou uma dimensão ainda maior. Podemos construir casas melhores hoje do que construíamos no passado”, afirmou.
Um dos pontos mais interessantes de sua apresentação, especialmente para quem estava em uma conferência de seguros, foi o papel que Scott atribuiu à indústria seguradora na transformação das residências. Segundo ele, muitas tecnologias de prevenção acabam sendo estimuladas pelas seguradoras antes mesmo de chegarem aos códigos de construção. Seu desejo é que essa atuação avance ainda mais e passe do imóvel individual para comunidades inteiras. “Eu adoraria ver a indústria de seguros na linha de frente, dizendo: ‘Se vocês construírem dessa maneira, tornaremos o bairro mais acessível para ser segurado’”, disse.
O assunto, para Scott, deixou de ser apenas profissional. A casa onde a família de sua noiva viveu por 42 anos foi destruída pelos incêndios de Pacific Palisades, na Califórnia. Na reconstrução, ele decidiu utilizar uma tecnologia estrutural sem madeira, resistente ao fogo, terremotos e cupins. Segundo Scott, o custo é aproximadamente 10% superior ao de uma construção tradicional em madeira — diferença muito menor do que a encontrada anteriormente em construções de alta resistência.
O que o surpreendeu foi olhar para cerca de 800 casas sendo reconstruídas na região e perceber que praticamente todas continuavam utilizando madeira. Depois que os vizinhos começaram a perguntar sobre o sistema adotado por ele, outras construções passaram a utilizar a mesma tecnologia. Para Scott, o episódio demonstra uma das principais barreiras à prevenção: muitas vezes, as pessoas simplesmente desconhecem as alternativas disponíveis.
Construir para o risco que existe
A lógica parece simples, mas ainda está longe de ser incorporada à construção residencial: antes de construir ou reformar uma casa, é preciso entender quais riscos existem naquele local. “Qual é a pergunta mais importante que um proprietário deve fazer? Onde eu moro e quais são os riscos locais?”, provocou Scott.
Ele contou uma experiência ocorrida em Galveston, no Texas, onde duas casas foram reformadas durante uma temporada de Brother vs. Brother. Pouco depois das obras, um furacão atingiu a região. Segundo ele, as duas residências reformadas permaneceram intactas porque haviam recebido soluções específicas contra erosão, ventos fortes e impactos sobre telhados e janelas.
A questão é que os riscos não devem ser analisados isoladamente. Na Califórnia, por exemplo, reconstruir pensando somente em incêndios pode deixar de fora terremotos e calor extremo. Resiliência, portanto, precisa ser pensada como sistema.
Scott é investidor da Phyn, empresa de tecnologia para monitoramento inteligente de água. O interesse surgiu justamente de um problema conhecido das seguradoras: os danos provocados por vazamentos e rompimentos de tubulações. Sua visão sobre tecnologia doméstica é pragmática. O equipamento precisa funcionar quando realmente for necessário.
O sistema monitora o consumo de água da residência e utiliza diferentes informações, incluindo fluxo e pressão, para reconhecer padrões. Como diferentes equipamentos produzem comportamentos distintos no sistema hidráulico, a tecnologia consegue identificar anormalidades e distinguir situações como uma torneira aberta, um problema no vaso sanitário ou outro consumo fora do padrão.
Kelly Lubiato, de Las Vegas







