Ultima atualização 26 de fevereiro

Planos odontológicos crescem e focam agenda da ANS

O mercado de planos odontológicos encerrou 2025 em alta, impulsionado principalmente pela adesão a contratos empresariais, mesmo diante de um cenário de desaceleração do PIB e maior cautela das empresas na concessão de benefícios. O segmento de planos exclusivamente odontológicos incorporou mais de 1 milhão de novos beneficiários no ano, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Entre novembro e dezembro, foram registrados mais de 204 mil novos vínculos. No acumulado do ano, o setor superou 1 milhão de adesões, indicando resiliência mesmo em um ambiente de crescimento econômico moderado e revisão de despesas corporativas.

“Esse desempenho chama atenção porque ocorre em um contexto de maior seletividade das empresas na concessão de benefícios. Os planos odontológicos se consolidaram como uma porta de entrada acessível para a saúde bucal, com impacto direto na prevenção, no bem-estar e na qualidade de vida dos trabalhadores”, afirma o Dr. Roberto Cury, presidente da SINOG, entidade que representa 73% dos beneficiários do mercado.

Atualmente, cerca de 74,6% dos beneficiários de planos exclusivamente odontológicos estão vinculados a contratos coletivos empresariais, reforçando o peso do segmento corporativo no crescimento do setor. Além da ampliação do acesso à assistência odontológica, as empresas têm associado o benefício a ganhos em produtividade, redução de afastamentos e fortalecimento das políticas de cuidado com colaboradores.

Para 2026, o ambiente tende a ser mais desafiador. O ano será marcado pela definição da nova agenda regulatória da ANS, em consulta pública, além de mudanças na diretoria da agência, em um contexto ainda influenciado pelo calendário eleitoral. O cenário amplia o nível de atenção regulatória e reforça a demanda por previsibilidade e diálogo técnico para a sustentabilidade do modelo.

Outro ponto relevante na agenda é a reforma tributária. O setor defende a manutenção da alíquota aplicável aos serviços de saúde como medida essencial para preservar a acessibilidade dos planos odontológicos e a viabilidade do benefício para empresas e trabalhadores, em um momento de pressão sobre custos.

A agenda de 2026 também deve intensificar o uso de dados, inteligência artificial e soluções digitais na operação das operadoras odontológicas. A aplicação dessas ferramentas pode impactar a experiência do beneficiário, a relação com a rede credenciada e a eficiência operacional, além de qualificar o diálogo regulatório com base em evidências.

“O crescimento consistente dos planos odontológicos confirma uma mudança importante no setor. A saúde bucal deixou de ocupar um espaço secundário e passou a integrar de forma mais clara a agenda de saúde do país. O desafio agora é garantir que essa expansão continue nos próximos anos”, conclui Roberto Cury.

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