Ultima atualização 05 de outubro

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Starr: Um novo ciclo de expansão no Brasil

Starr Insurance no Brasil reforça a subscrição e a distribuição, focada na estratégia que combina especialização em riscos complexos e tecnologia
Igor Di Beo
Igor Di Beo

EXCLUSIVO – O começo de 2026 para a Starr Insurance foi diferente, com esforços direcionados para um novo ciclo de crescimento para a operação brasileira. Sob o comando de Igor Di Beo, CEO da companhia no País, a seguradora de origem norte-americana promoveu mudanças na estrutura, reforçou áreas técnicas e de distribuição, acelerou a digitalização de produtos e ampliou o apetite em segmentos nos quais possui experiência internacional. 

A companhia também busca uma aproximação maior com os corretores de seguros e assessorias. O movimento envolve também a diversificação do portfólio. A companhia pretende ampliar sua atuação em Responsabilidade Civil Ambiental, RCV para Transportes e Capital Global para Vida e prepara sua entrada no seguro Garantia. O Brasil será o primeiro mercado a receber o produto depois da matriz. “Para 2027, a expectativa é crescer aproximadamente 12% sobre 2026″, diz o CEO, uma meta considerada desafiadora pela companhia diante do ambiente competitivo do mercado brasileiro.

O plano não significa abandonar o território em que a Starr construiu sua reputação. Fundada em 1919 e presente em mais de 170 países, a seguradora é reconhecida internacionalmente pela atuação em seguros especializados e, particularmente, em Aviation. No Brasil, desenvolveu uma operação multilinha, que atende desde empresas de médio porte até grandes riscos.

Para Di Beo, o desafio agora é usar essa estrutura como plataforma para ampliar a presença da companhia: “Os primeiros meses foram marcados pela construção das bases para uma nova etapa de crescimento da Starr no Brasil. Mais do que ampliar a operação em termos de volume, nosso objetivo tem sido fortalecer a capacidade técnica, aproximar ainda mais a companhia dos corretores e criar condições para levar nossa expertise para um número maior de empresas e segmentos”, afirma.

Três movimentos resumem essa reorganização: o primeiro foi a criação da posição de Chief Underwriting Officer (CUO), assumida por Denis Maelaro, com a missão de fortalecer a governança da subscrição e integrar o conhecimento das diferentes linhas de negócio; o segundo foi o reforço da área de distribuição, com Claudia Papa Scarpa assumindo como vice-presidente e Regional Head of Distribution & Marketing para a América Latina; o terceiro é a digitalização da jornada dos corretores, com portais destinados inicialmente a produtos como RCG, E&O e Vida em Grupo PME.

“Vejo esses primeiros meses menos como um período de mudanças pontuais e mais como uma construção para o próximo ciclo de crescimento da Starr no Brasil”, resume Di Beo. A expansão começa justamente pelo conhecimento acumulado em riscos especializados. A Starr considera sua estrutura internacional uma vantagem competitiva, mas o CEO ressalta que a experiência global precisa estar associada à capacidade de interpretar as particularidades brasileiras.

“A experiência internacional é um dos nossos principais diferenciais, mas ela só tem valor quando conseguimos transformá-la em capacidade de resposta para o cliente brasileiro. Nossa atuação internacional permite acumular conhecimento sobre diferentes setores, modelos de negócio e perfis de risco. O nosso desafio no Brasil é combinar essa visão global com o conhecimento das características e necessidades do mercado local”, explica.

Aviation é o exemplo mais evidente dessa combinação. A Starr atua no segmento no Brasil desde 2018 e figura há anos entre as principais companhias do mercado. Trata-se de uma carteira na qual capacidade financeira, conhecimento técnico e experiência internacional são determinantes para a avaliação e aceitação dos riscos.

A estratégia para Aviation é ampliar o apetite sem alterar a disciplina de subscrição. O objetivo é aproveitar a posição já construída pela seguradora para acompanhar a evolução do próprio setor aéreo e aumentar a capacidade de atendimento aos parceiros. Ao mesmo tempo, Riscos de Engenharia ganha espaço relevante nos planos da companhia. A Starr reforçou o time com especialistas e pretende aproveitar o novo ciclo de investimentos brasileiros em infraestrutura, energia, saneamento, logística, indústria e construção.

A seguradora já participa de processos relacionados a projetos de infraestrutura e construção de usinas e acompanha particularmente o avanço dos investimentos em data centers. A avaliação é que a experiência internacional do grupo nesse tipo de empreendimento pode ser utilizada tanto por meio da oferta de capacidade de resseguro quanto, preferencialmente, na operação direta de seguros.

“Nosso movimento não é simplesmente aumentar o volume. Queremos ampliar nossa capacidade de assumir riscos que estejam alinhados ao nosso apetite técnico e, ao mesmo tempo, oferecer aos corretores e clientes uma estrutura capaz de responder a projetos cada vez mais sofisticados”, acrescenta Di Beo.

O middle market entra no radar

Se Aviation e Engenharia representam territórios conhecidos, o middle market constitui uma nova fronteira de expansão. A Starr pretende utilizar a experiência adquirida no atendimento a grandes empresas para alcançar companhias de médio porte cujos riscos se tornaram mais sofisticados nos últimos anos.

A mudança na economia ajuda a explicar a estratégia. Empresas médias passaram a utilizar mais tecnologia, ampliaram cadeias de fornecedores, aumentaram a exposição internacional e assumiram responsabilidades que anteriormente estavam concentradas nas grandes corporações. Nem sempre, porém, a estrutura de seguros acompanhou essa evolução.

Claudia Papa Scarpa

Para Claudia Papa Scarpa, esse descompasso cria uma oportunidade: “Eu vejo o middle market como uma das maiores oportunidades de crescimento do seguro no Brasil. São empresas que evoluíram, se internacionalizaram, incorporaram tecnologia e passaram a enfrentar riscos muito mais sofisticados, mas que ainda nem sempre encontram soluções compatíveis com essa nova realidade”, afirma.

A proposta da Starr não é simplesmente adaptar produtos de grandes riscos reduzindo limites ou coberturas. O objetivo é transportar a metodologia de análise para processos adequados ao perfil e à dinâmica das empresas médias. “Levar nossa expertise para esse segmento não significa reduzir a solução que oferecemos aos grandes riscos. Significa aplicar o mesmo rigor técnico e a mesma capacidade de análise a uma jornada mais simples, ágil e adequada às necessidades das empresas de médio porte”, explica Claudia.

Essa estratégia depende diretamente de tecnologia. A companhia já oferece soluções digitais para RCG, E&O e Vida em Grupo e avalia quais outras linhas podem utilizar modelos semelhantes. “Na prática, estamos combinando especialização, tecnologia e eficiência. Já contamos com soluções digitais que facilitam a cotação e a emissão sem comprometer a qualidade da subscrição. Vamos continuar avaliando quais produtos podem seguir esse modelo e como podemos ampliar o acesso do corretor às diferentes capacidades da Starr”, avisa 

O peso dos corretores de seguros

Para ganhar escala entre empresas médias é preciso ampliar a base de corretores e criar canais de acesso à seguradora. É nesse contexto que a área de Distribuição e Marketing ganha protagonismo. “Queremos estar ainda mais próximos dos corretores, entender melhor as necessidades do mercado e ampliar as oportunidades de negócios para os nossos parceiros”, explica Claudia.

Uma das tarefas será conectar distribuição, marketing e áreas técnicas. A seguradora quer facilitar o acesso dos corretores aos subscritores e tornar mais claro em quais situações possui capacidade e interesse para assumir determinado risco. “O objetivo é aproximar ainda mais a companhia do mercado e garantir que os corretores tenham o suporte necessário para identificar oportunidades e desenvolver negócios conosco”, afirma.

A meta inicial é ampliar a base de corretores por meio do novo time de distribuição e, simultaneamente, desenvolver produtos digitais adequados ao middle market. O objetivo é criar escala em um segmento que ainda representa um território relativamente novo para a Starr. 

O fortalecimento da distribuição está diretamente ligado a outro objetivo: aumentar a presença nacional. Em vez de basear essa expansão prioritariamente na abertura de estruturas físicas, a companhia pretende utilizar corretores e assessorias como pontos de conexão com os diferentes mercados regionais.

“O Brasil é um país de dimensões continentais e as oportunidades de crescimento estão muito além de São Paulo. Hoje encontramos empresas sofisticadas, operações complexas e corretores altamente qualificados em todas as regiões do País”, afirma Claudia. A Starr já trabalha com assessorias em diferentes estados e pretende aprofundar essas relações.

A tecnologia complementa essa estratégia. Os portais permitem que corretores localizados fora dos principais centros tenham acesso aos produtos sem depender da proximidade física com a companhia. “Queremos crescer de forma sustentável, ampliando nossa presença nacional sem perder aquilo que considero um diferencial da Starr: proximidade, capacidade técnica e agilidade na tomada de decisão. Nosso objetivo é que um corretor em qualquer parte do Brasil tenha acesso ao mesmo nível de expertise, qualidade e suporte que encontra nos grandes centros”, acrescenta.

“Tecnologia, distribuição e subscrição precisam caminhar juntas. A tecnologia amplia nosso alcance; o corretor traz o conhecimento do cliente; e a nossa equipe técnica garante que o risco seja analisado de acordo com o nosso apetite e nossos critérios de subscrição”, resume o CEO.

Governança e novos produtos

Denis Maelaro

A criação da posição de Chief Underwriting Officer também está inserida nessa equação. A chegada de Denis Maelaro busca aumentar a integração entre as linhas de negócio e assegurar que a expansão comercial permaneça vinculada aos critérios técnicos da seguradora. “Estamos ampliando nossa operação, entrando em novas oportunidades de negócio e, ao mesmo tempo, mantendo nossa atuação em riscos cada vez mais complexos. Esse crescimento exige que a governança de subscrição acompanhe a evolução da companhia”, pontua Di Beo.

O objetivo é evitar que a busca por escala produza uma deterioração dos critérios de seleção dos riscos. “O papel do CUO é justamente fortalecer essa governança e garantir que nossa estratégia de crescimento esteja permanentemente alinhada à nossa disciplina técnica”, acrescenta o CEO.

A diversificação de produtos acompanha mudanças nas exposições das empresas brasileiras. Cyber, Responsabilidade Civil, riscos ambientais e outras especialidades tendem a ocupar espaço maior à medida que companhias de diferentes portes aumentam sua dependência de tecnologia, integram cadeias internacionais e passam a lidar com novas responsabilidades.

O próprio desenvolvimento de infraestrutura cria demanda para diversas modalidades simultaneamente. Um grande empreendimento pode envolver Engenharia, Responsabilidade Civil, interrupção de negócios e exposições relacionadas à cadeia de fornecedores.

“O Brasil está passando por transformações importantes e cada uma delas traz novos riscos e necessidades de proteção”, afirma Di Beo. Segundo ele, a companhia acompanha principalmente os segmentos nos quais o volume de investimentos está criando novas exposições. “Projetos de infraestrutura e energia, por exemplo, envolvem riscos de engenharia, responsabilidade civil, interrupção de negócios e, muitas vezes, cadeias de fornecedores complexas. Na tecnologia, vemos uma transformação igualmente importante no perfil de risco das empresas”.

A resposta da Starr será ampliar o escopo de atuação. Entre as novidades previstas estão novas atividades em Responsabilidade Civil Ambiental, RCV para Transportes e Capital Global para Vida. A principal estreia, entretanto, será Garantia. A companhia decidiu ingressar nesse mercado brasileiro, que considera de elevado potencial. O movimento ganha relevância dentro do grupo porque o Brasil será o primeiro país a receber a operação de Garantia depois da matriz.

A decisão também dialoga com a aposta em infraestrutura. O aumento de concessões, obras e investimentos de longo prazo cria demanda por garantias contratuais e outras soluções relacionadas aos projetos.

Para 2027, a prioridade será ampliar o escopo de atuação nas diferentes linhas e estabelecer um mix mais equilibrado entre contas grandes e complexas e negócios com menor volatilidade e exposição. A expectativa é registrar crescimento de aproximadamente 12% em relação a 2026.

A meta será perseguida em um ambiente que a própria companhia reconhece como altamente competitivo. Mais do que buscar participação por meio de preço, a Starr pretende apoiar a expansão em capacidade técnica, distribuição e facilidade de acesso. Nesse desenho, o corretor aparece como elemento de ligação entre as diferentes frentes. É ele quem deverá ajudar a seguradora a identificar empresas médias com riscos mais sofisticados, abrir novos mercados regionais e levar as especialidades da companhia a clientes que até agora não necessariamente tinham acesso a esse tipo de solução.

Para Di Beo, a estrutura construída ao longo de 2026 prepara a companhia para um crescimento que deverá ser medido não apenas pelo volume de prêmios, mas também pela capacidade de diversificar a carteira sem perder a identidade técnica. A equação é levar para mais empresas uma competência historicamente utilizada nos grandes riscos. 

*Matéria originalmente publicada na edição 323 da Revista Apólice.

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