O setor de seguros passa por uma transformação estrutural impulsionada por exigências regulatórias cada vez mais granulares, frequentes e orientadas por dados. Nesse cenário, o grande desafio das companhias deixou de ser apenas a entrega das obrigações e passou a ser o controle e a compreensão do fluxo dessas informações.
Projetos regulatórios no setor de seguros costumam ser tratados como iniciativas de integração ou adequação tecnológica. Entretanto, quando posto em prática revelam uma complexidade muito maior. A construção desses fluxos envolve o mapeamento de dados distribuídos em múltiplos sistemas, a padronização de informações, a criação de pipelines de transformação e validação e a definição de mecanismos de governança que garantam consistência ao longo do tempo.
O problema central não está apenas na complexidade técnica, mas na falta de visibilidade sobre o que acontece entre a origem e a entrega do dado. Em muitas organizações, os dados são processados, mas não são efetivamente compreendidos ao longo do caminho. Isso gera inconsistências identificadas apenas nas etapas finais, retrabalho constante em integrações e dificuldade de explicar divergências para áreas internas ou auditorias.
Na avaliação de Aldo Pires, CEO da consultoria de tecnologia add, um dos principais desafios está na falta de visibilidade sobre o percurso dos dados até sua entrega aos órgãos reguladores.
Segundo ele, em muitas organizações as informações são processadas, mas não há mecanismos suficientes para acompanhar sua origem, transformação e validação, o que faz com que inconsistências sejam identificadas apenas nas etapas finais.
“Processos conduzidos dessa forma costumam apresentar inconsistências, que infelizmente só são detectadas na última hora, gerando retrabalho massivo e dificuldades perante auditorias”.
Para ilustrar o problema, o executivo cita um caso em que uma seguradora precisou refazer o envio de um lote completo de informações por não conseguir identificar qual registro apresentava inconsistência. “Apenas uma delas estava errada, mas como o sistema não sabia apontar qual era exatamente, foi necessário refazer 100% do trabalho”, completou.
Segundo o especialista, esse modelo reativo tende a aumentar custos operacionais e dificultar a prestação de informações. “Por isso dizemos que não basta apenas entregar as informações solicitadas, mas compreender, rastrear e confiar no que está sendo entregue. A capacidade de explicar o dado — sua origem, transformações e validações — é também muito importante”.
Como alternativa, o executivo defende a adoção de modelos baseados em observabilidade de dados, capazes de monitorar continuamente o fluxo das informações e identificar falhas antes da etapa final de envio. “Diferente do monitoramento de TI tradicional, que apenas avisa se um sistema está fora do ar, a observabilidade funciona como um raio-X em tempo real do pipeline de dados. Ela permite identificar desvios e erros na raiz, antes que afetem a entrega final ou a operação da seguradora”, explica.
Segundo Ricardo Gondim, Chief Technology Officer (CTO) da add, a companhia desenvolveu uma solução voltada para integrar governança, conformidade e monitoramento dos fluxos de dados.
“Foi com base na nossa experiência prática com grandes players do setor de seguros que desenvolvemos uma solução concebida para integrar governança, conformidade e monitoramento em uma arquitetura única, blindando as operações contra os riscos da fragmentação tecnológica”, disse.
De acordo com o executivo, ferramentas desse tipo também podem ampliar a visibilidade sobre os processos internos e apoiar a identificação de gargalos operacionais. “A nossa proposta redefine o papel das áreas de compliance. Ao estruturar e dar transparência aos fluxos de informações, as seguradoras conseguem identificar gargalos históricos e padrões operacionais. Dessa forma, o que antes era visto estritamente como um centro de custo obrigatório passa a gerar inteligência de negócios e eficiência operacional para as companhias”, concluiu Ricardo Gondim.





