Ultima atualização 27 de maio

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Conexão Futuro Seguro apresenta plano para transformar corretagem

Paine Connection Talk - Construindo Pontes para o Futuro
Paine Connection Talk - Construindo Pontes para o Futuro

EXCLUSIVO – Na última terça-feira (26), a edição 2026 do Conexão Futuro Seguro, promovida pela Fenacor, Escola de Negócios e Seguros (ENS) e Instituto Brasileiro de Desenvolvimento dos Corretores de Seguros (IBDCOR), reuniu mais de 3,4 mil inscritos para discutir os impactos da inteligência artificial, da digitalização e das mudanças no mercado segurador sobre o futuro da corretagem. O encontro, realizado em formato híbrido, também marcou o lançamento oficial do Plano Diretor do Mercado de Intermediação de Seguros (PDMIS).

Na abertura, Armando Vergílio, presidente da FENACOR, afirmou que o plano foi estruturado como uma “bússola para o futuro” da categoria. Segundo ele, o corretor de seguros precisará ampliar sua atuação para além da intermediação tradicional, diante de um ambiente marcado por inteligência artificial, mudança no comportamento do consumidor, avanço regulatório e entrada de novos competidores. “O modelo do corretor despachante acabou. A saída é a metamorfose: deixar de ser apenas intermediário e virar consultor estratégico”, disse. Em sua mensagem Armando pontuou que a tecnologia não elimina o papel do corretor, mas aumenta a exigência de qualificação. “Inteligência artificial não tira ninguém do jogo. Quem dominar a inteligência artificial é quem tira”.

Armando Vergílio

A inteligência artificial foi um dos principais assuntos do evento. Dyogo Oliveira, presidente da CNseg, comparou o atual estágio da IA ao avanço dos computadores nas décadas de 1970 e 1980. Para ele, a adoção da tecnologia será inevitável no setor. “Ou você vai aprender a usar isso ou vai ter que fazer outra coisa”, frisou.

Na avaliação de Dyogo, seguradoras já desenvolvem projetos de IA em diferentes níveis de maturidade, embora os impactos em redução de custos e aumento de negócios ainda sejam iniciais. “Estamos apenas arranhando a superfície desse tema”, complementou.

José Adalberto Ferrara, presidente da Tokio Marine, também defendeu a IA como instrumento de expansão comercial. Ele citou iniciativas de treinamento para corretores e afirmou que a tecnologia pode ajudar na identificação de oportunidades dentro da própria base de clientes, permitindo ações de venda cruzada, aumento de coberturas e prospecção mais qualificada. Em sua visão, o corretor deve enxergar a IA como ferramenta de produtividade, não como ameaça. “Ela acelera o entendimento do menos experiente e nivela o conhecimento disponível. Mas quem cria, interpreta e conduz a relação continua sendo o ser humano”.

A regulação também ganhou destaque na programação. Alessandro Octaviani, superintendente da SUSEP, afirmou que a segurança jurídica é elemento essencial para o funcionamento do mercado de seguros. Ao comentar a regulamentação das Associações de Proteção Patrimonial Mutualista, as PPMs, ele disse que o objetivo é colocar a atividade sob regras de concorrência justa, tributação, provisão e respeito ao consumidor.

Octaviani também relacionou o futuro do setor à agenda climática. Ele lembrou que, no caso das enchentes no Rio Grande do Sul, o prejuízo total estimado chegou a cerca de R$ 100 bilhões, enquanto o mercado segurador indenizou aproximadamente R$ 6 bilhões. Para o superintendente, a diferença revela uma lacuna securitária relevante e reforça a necessidade de uma estratégia nacional de resiliência financeira e securitária.

“Sem corretores, o aumento da resiliência da economia brasileira não existirá”, pontuou. Segundo ele, caberá também à intermediação convencer pessoas físicas e empresas sobre a importância do seguro como instrumento de proteção patrimonial.

No segmento de pessoas, Jorge Andrade, presidente da Capemisa Seguradora, defendeu que a nova legislação do contrato de seguro pode contribuir para maior transparência na relação com o consumidor. Para ele, ainda há desconhecimento sobre a amplitude e o custo real das coberturas disponíveis no mercado brasileiro, especialmente em vida e residencial.

Detalhamento do PDMIS

Cláudio Contador

O PDMIS estabelece metas para 2035 e aponta a diversificação da receita como um dos principais caminhos para a sustentabilidade das corretoras. Entre os objetivos apresentados está a possibilidade de que, no futuro, 40% dos ganhos dos corretores venham de honorários por consultoria, gestão de riscos, auditoria de apólices e serviços técnicos especializados.

Durante o painel “A Ponte para o Futuro do Corretor de Seguros”, o professor Cláudio Contador explicou que o estudo utilizou análises econômicas, projeções de cenários e matriz SWOT para mapear forças, fraquezas, oportunidades e ameaças da intermediação no Brasil. Entre os pontos levantados aparecem a forte dependência do seguro automóvel, a fragmentação do mercado e a necessidade de modernização operacional das corretoras.

Segundo dados do mercado, cerca de 60% da carteira de grande parte das corretoras brasileiras ainda está concentrada em automóveis, cenário considerado preocupante diante do avanço da digitalização, da concorrência de plataformas e da mudança no comportamento do consumidor. O PDMIS defende uma diversificação maior da atuação dos corretores, com expansão em segmentos como seguros de pessoas, riscos cibernéticos, paramétricos, agro e consultoria especializada. O estudo também aponta oportunidades ligadas ao Open Insurance, inteligência artificial generativa e personalização das jornadas de proteção.

O estudo também projeta crescimento da receita da intermediação nos próximos anos, mesmo em cenários econômicos mais adversos, desde que a categoria avance em tecnologia, qualificação e eficiência operacional. Para os organizadores, o PDMIS funciona como um “mapa de transformação” para manter a relevância da corretagem dentro do novo ecossistema segurador.

Encerrando o evento, a palestra “Os impactos da Inteligência Artificial na vida do Corretor de Seguros”, conduzida pelo professor e especialista em inteligência artificial Celso Brandão, abordou os impactos da inteligência artificial na rotina operacional e comercial das corretoras nos próximos anos.

Nicholas Godoy

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