O Seguro Odontológico deixou de ser considerado produto acessório e passou a ocupar posição estratégica na saúde suplementar. Com 35,4 milhões de beneficiários registrados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e acompanhados pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), a modalidade se consolida como porta de entrada e instrumento de retenção de carteira nas corretoras.
De acordo com o IESS, o número de beneficiários saltou de 24,7 milhões em 2020 para 35,4 milhões, crescimento superior a 35% no período. O avanço reflete a combinação entre custo acessível e percepção direta de benefício por parte dos consumidores.
Para Rosângela Duarte, gestora da Unidade Pará/Amapá da Lojacorr Seguros, o cenário favorece a expansão do produto. “O Seguro Odontológico reúne uso recorrente e impacto direto na qualidade de vida. Em um cenário de maior sensibilidade a preço, tornou-se porta de entrada da saúde suplementar”, afirma.
Enquanto planos médico-hospitalares enfrentam reajustes mais elevados, o Seguro Odontológico mantém ticket médio entre R$ 20 e R$ 30. Dados da Associação Brasileira de Planos Odontológicos (Sinog) indicam que a contratação empresarial, sobretudo entre pequenas e médias empresas, sustenta parcela relevante do crescimento. “O corretor pode utilizar o Seguro Odontológico como produto de decisão mais ágil. A partir dele, constrói relacionamento e amplia oportunidades em Saúde, Vida e outros ramos. Trata-se de estratégia para escalar a carteira e reduzir a troca por preço”, explica Rosângela.
O avanço do segmento também demanda atenção regulatória. A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) aponta aumento nas denúncias de irregularidades nos últimos anos, o que reforça a necessidade de orientação adequada aos clientes.
Entre os pontos críticos estão a distinção entre procedimentos assistenciais e estéticos e a regularidade das contratações por empresas de menor porte. “Informação e transparência são fundamentais para proteger o CNPJ do cliente e contribuir para a sustentabilidade do mercado”, destaca Rosângela.
A incorporação de inteligência artificial na auditoria e na análise de dados amplia o papel do Seguro Odontológico na gestão de riscos. Estudos do IESS indicam associação entre saúde bucal e redução de riscos relacionados a doenças cardiovasculares e ao controle do diabetes. “A tecnologia amplia a rastreabilidade e evidencia o caráter preventivo da odontologia. Para as empresas, isso pode representar redução de agravamentos clínicos e impacto no custo assistencial no longo prazo”, afirma Rosângela.
Para a Lojacorr Seguros, o crescimento do Seguro Odontológico reforça a transição para um modelo de atuação mais estratégico por parte do corretor. A lógica deixa de priorizar apenas o ticket isolado e passa a considerar recorrência, fidelização e diversificação de portfólio.
“Ignorar o Seguro Odontológico significa abrir mão de frequência de contato e oportunidades de fidelização. O produto pode funcionar como alavanca de relacionamento e instrumento de proteção da carteira”, conclui Rosângela.




