EXCLUSIVO – O Grupo Sompo avança em sua estratégia de transformação digital com a implantação do Sompo Digital Lab no Brasil, iniciativa que conecta o país aos hubs globais de Tóquio e do Vale do Silício para acelerar projetos de inteligência artificial (IA), ciência de dados e inovação. Em entrevista exclusiva, Alfredo Lalia Neto, CEO da Sompo no Brasil, e Masayuki Kimura, CDO da Sompo Global, destacaram que a operação brasileira terá papel estratégico não apenas na adoção de tecnologias, mas também na exportação de soluções desenvolvidas localmente. O objetivo da visita do executivo japonês foi a instalação do novo laboratório de inovação, que deve contar com a participação e parceria de outras empresas de tecnologia.
Segundo Lalia, o laboratório nasce com a missão de estruturar uma governança global mais integrada e estimular projetos conjuntos entre as diferentes regiões. “É uma forma de criar muito mais interação e projetos estruturados entre Japão, Estados Unidos e Brasil”, afirmou. A unidade de tecnologia faz parte da holding, mas opera como uma empresa de serviços tecnológicos dedicada às companhias do grupo, com forte conexão ao ecossistema de startups e inovação.
Kimura San explicou que o Digital Lab atua em três frentes principais: centro de excelência para compartilhamento de conhecimento digital e de IA, acesso a redes globais de tecnologia — especialmente do Vale do Silício — e apoio à implementação de iniciativas de alto impacto e risco. A proposta é reduzir incertezas e acelerar a adoção de soluções avançadas nas operações do grupo.
No Brasil, as aplicações devem abranger diversas linhas de negócios, com destaque para áreas com uso intensivo de dados, como seguros agrícolas e de transportes. Lalia observa que, embora os riscos variem entre países, os processos de subscrição e precificação são semelhantes, o que permite o desenvolvimento colaborativo de metodologias e ferramentas baseadas em IA. “Se conseguirmos congregar os três times e aprender uns com os outros, é um jogo de ganha-ganha”, disse.
A inteligência artificial será um dos pilares centrais da iniciativa, especialmente para automatizar tarefas repetitivas e liberar profissionais para atividades de maior complexidade. Ainda assim, os executivos reforçam que a decisão final continuará humana, sobretudo em casos críticos ou de alto valor. “Um sinistro simples pode ser totalmente automatizado, mas casos complexos exigem julgamento especializado”, explicou Lalia.
Kimura apontou que o Japão já possui ampla adoção de agentes de IA dentro da organização, com milhares de colaboradores utilizando essas ferramentas no dia a dia. Ao mesmo tempo, ele enfatizou que a evolução tecnológica deve ocorrer de forma gradual, com equilíbrio entre automação e supervisão humana devido às incertezas inerentes aos sistemas atuais.
Outro eixo estratégico será a formação de parcerias com hubs de inovação, aceleradoras e empresas de tecnologia no Brasil, ampliando iniciativas já existentes e criando novos polos voltados, por exemplo, ao agronegócio e ao setor financeiro.
Para os executivos, o país reúne condições únicas para desempenhar papel relevante na estratégia global. Lalia ressaltou que o mercado brasileiro de seguros e financeiro é altamente sofisticado e opera com grandes volumes de dados e clientes, o que impulsionou o desenvolvimento de processos eficientes e soluções avançadas. “Podemos exportar parte desse conhecimento para outras geografias”, afirmou.
O executivo japonês reforçou a visão positiva sobre o potencial local, destacando o histórico de cooperação entre Brasil e Japão e o avanço do país em transformação digital. A expectativa do grupo é que, no médio prazo, o Digital Lab brasileiro se consolide como um polo relevante de inovação dentro da Sompo, contribuindo para acelerar a evolução tecnológica do setor de seguros globalmente.




