Ultima atualização 07 de março

Apesar dos avanços, equidade de gênero ainda é desafio no mercado de seguros

Sou Segura Summit 2023 reúne executivas para compartilharem experiências e falarem sobre como aumentar a participação feminina no setor
mulheres
Simone Vizani, Dyogo Oliveira e Maria Helena Monteiro

EXCLUSIVO – Para comemorar o Dia Internacional da Mulher e impulsionar lideranças femininas, a Sou Segura (Associação das Mulheres do Mercado de Seguros) está promovendo hoje, 7 de março, o Sou Segura Summit 2023. Com o tema ”Vozes que ecoam”, o objetivo do evento é reunir executivas do setor para compartilhar suas experiencias no mundo corporativo e fomentar networking high level para aumentar a participação feminina na indústria de seguros.

De acordo com o 4º Estudo Mulheres no Mercado de Seguros no Brasil, realizado pela ENS (Escola de Negócios e Seguros), com apoio da Fenacor (Federação Nacional dos Corretores de Seguros) e da CNseg (Confederação Nacional das Seguros), a proporção de mulheres nas seguradoras é de 54,4% em todos os níveis. Para os cargos de liderança, este número avançou para dois homens para cada mulher, contra 4 x 1, proporção do primeiro Estudo, feito há 10 anos.

Segundo Simone Vizani, presidente da Sou Segura, um dos obstáculos para a maior participação das mulheres no meio corporativo em cargos de alta liderança são os viés inconscientes. ”Devemos colocar a equidade de gênero em destaque na discussão de como ampliar a diversidade e inclusão no mercado de seguros. Sempre digo que estamos em plena trajetória de ressignificância nesta nova era para as profissionais do setor. É mais do que justo termos o foco direcionado para a transformação das mulheres que almejam, por exemplo, ocupar cargos de alto nível”.

No painel de abertura, Maria Helena Monteiro, diretora de ensino da ENS (Escola de Negócios e Seguros), afirmou é necessário provocar essa discussão dentro das empresas para que as mulheres tenham mais oportunidades ”Por muito tempo, eu fui a única mulher dentro das equipes que eu trabalhei. Hoje somos maioria da mão de obra no setor, conquistamos mais espaço, mas ainda estamos distantes de uma real equidade de gênero. Nada irá mudar se não houver o compromisso do mercado em transformar essa realidade. As empresas mais diversas têm resultados melhores, isso está totalmente conectado aos critérios ESG e as organizações serão cobradas pelos consumidores”.

Para Dyogo Oliveira, presidente da CNseg, no caso específico do mercado de seguros, o setor tem condições de liderar esse processo de transformação no mundo corporativo. ”Hoje vamos firmar um compromisso com a Sou Segura e todo o setor de transformar a indústria de seguros em um mercado igualitário e inclusivo. Atualmente, temos 70% dos cargos de liderança da CNseg ocupados por mulheres. Sabemos que a realidade dentro das empresas ainda está longe do ideal, mas estamos no caminho para abrir mais espaço a liderança feminina”.

O segundo painel do evento abordou o tema ”Desistir não é uma opção”. Camila Farani, presidente da G2Capital e fundadora do projeto Ela Vence, falou sobre suas experiências profissionais e como a inteligência emocional é capaz de empoderar mulheres. ”Pessoas bem sucedidas são as que melhor lidam com as adversidades do dia a dia. O autoconhecimento me fez chegar onde eu cheguei, e transformar a vida de homens e principalmente mulheres através do empreendedorismo é a minha missão. Mulheres são ensinadas desde sempre a terem medo de expor o nosso ponto de vista, e para conquistarmos espaço no mercado de trabalho precisamos ter atitude”.

No painel ”Construindo as lideranças femininas do futuro”, Liliana Caldeira, executiva jurídica e coordenadora da ENS, recebeu os convidados Patricia Marzullo, diretora de Subscrição na AGCS e conselheira da Sou Segura; Cynthia Betti, diretora executiva da ONG Plan Internacional; e Raphael Bauer, diretor geral Comercial da Mapfre no Brasil.

Segundo Cynthia, para promover mudanças nos processos seletivos das empresas é preciso olhar para a diversidade da sociedade brasileira. ”Falamos muito sobre sororidade, mas não encontramos isso mundo corporativo. Mulheres podem e devem impulsionar outras mulheres para alcançarmos espaço na alta gestão. Somos a maioria da população, e não podemos deixar que digam onde devemos estar e do que somos capazes”.

Raphael ressaltou que oferecer informação, conhecimento e oportunidades de aprendizagem para mulheres é dever do Governo e de organizações para que a promoção da equidade de gênero saia do papel. ”É preciso também que homens ajudem a abrir mais espaço para a força de trabalho feminina, principalmente em cargos de gestão. Se todos nós tivermos essa consciência e as empresas elaborarem planejamentos estratégicos focados em inclusão, é possível que daqui alguns anos o número de executivas seja o mesmo de executivos”.

O painel ”Mulheres na tecnologia, inovação e novos mercados” apresentou o crescente impacto das mulheres em setores tecnológicos e como lideranças femininas estão revolucionando essas indústrias. Viviane Elias, C-level e Board Member, afirmou que além de praticar a sororidade e abrir espaço para mulheres, é preciso incluir minorias dentro das corporações. ”A tecnologia é um meio de nos tirar da zona de conforto. Nunca paramos para pensar em como mulheres, principalmente as negras e da comunidade LGBTQIA+, não têm oportunidades iguais a todos. Talvez devemos começar a refletir sobre a inclusão como um desafio que vai além de gênero, pois é isso que irá proporcionar uma verdadeira mudança no mercado de trabalho”.

Para Fernanda Carvalho, Chief Information Officer na Europ Assistance, apesar as mulheres estarem mais inseridas no mercado de tecnologia, elas ainda são minorias em cargos de liderança pela falta qualificação. ”Para entrar no mercado de tecnologia não é preciso ser uma grande especialista, mas é necessário entender como usa-lá. As mulheres devem ser encorajadas a participarem de processos seletivos e, após serem aprovadas, terem à disposição treinamentos para executar diversas funções, podendo também contar com apoio e plano de carreira dentro das corporações. Isso é abrir espaço e ter um ambiente de trabalho realmente inclusivo”.

Carolina Vieira, head de Seguros Corporativos e Ramos Elementares na XP Corretora, reforçou que a tecnologia permeia todas as áreas da empresas e todos podem ser profissionais, independente do mercado em que a companhia atua. Se você não conhece minimamente a tecnologia, você fica exposto a diversos riscos. As organizações devem se colocar frente aos desafios da transformação digital, buscando um time diverso e uma comunicação assertiva”.

No final da apresentação, Daniela Moura, head de Marketing na Pottencial Seguradora, ressaltou um grande desafio do mercado de seguros e de empresas da área de tecnologia é como se conectar com um mundo que já está conectado. ”O Brasil é o segundo país que mais usa as mídias sociais para pesquisar marcas e ver seu conteúdo, e as mulheres representam 63% dos usuários de redes sociais brasileiros. A gente tem que atrair o nosso consumidor para a jornada, elaborando conteúdos que transmitam confiança e que ao mesmo tempo não forcem a tomada de decisão do cliente. Isso está totalmente interligado à diversidade“.

Nicole Fraga
Revista Apólice

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