O valor da parcela deixou de ser o único fator considerado pelo consumidor na hora de comprar um carro. Em um cenário de juros elevados, a análise do custo total da aquisição ganha importância e coloca o consórcio como uma alternativa para quem pode planejar a compra e busca evitar os juros de uma operação de crédito.
A diferença está na estrutura de cada modalidade. No financiamento, o Custo Efetivo Total (CET) reúne juros, tarifas, tributos e demais despesas da operação de crédito. No consórcio, não há cobrança de juros, incidem apenas taxa de administração e encargos previstos em contrato. A comparação entre os custos permite ao consumidor avaliar qual opção é mais adequada ao seu orçamento e ao prazo que tem para realizar a aquisição.
“Quando a pessoa olha somente para a parcela, não tem visibilidade do valor total a ser pago. O consumidor precisa comparar o custo inteiro do bem e entender se realmente existe a necessidade de ter o veículo imediatamente. Quando existe planejamento, o consórcio pode ser uma alternativa para fazer essa aquisição sem os juros de uma operação de crédito”, afirma Marcelo Lucindo, CEO e fundador da Evoy Consórcios.
Na comparação com o financiamento, o consórcio pode representar uma alternativa mais econômica para quem não precisa do veículo imediatamente. Considerando a compra de um carro de R$ 100 mil, com R$ 25 mil de entrada e os R$ 75 mil restantes financiados em 48 meses, o comprador desembolsaria cerca de R$ 162,2 mil ao final do período. Desse total, aproximadamente R$ 137,2 mil correspondem ao financiamento, o que significa pagar cerca de R$ 62,2 mil a mais do que o valor do veículo.
Já no consórcio, para complementar os R$ 25 mil já disponíveis, seria possível contratar uma carta de crédito de R$ 75 mil. Em um plano de 48 meses, as parcelas ficariam em torno de R$ 1.750, resultando em um custo total de aproximadamente R$ 84 mil, correspondentes às taxas de administração e ao fundo de reserva. Dessa forma, para quem pode planejar a compra e aguardar a contemplação, o consórcio oferece parcelas menores e um custo final significativamente inferior ao do financiamento.
A procura pela modalidade aparece nos indicadores do setor. Segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), o segmento de veículos leves encerrou o primeiro semestre de 2026 com 995,83 mil novas cotas comercializadas, crescimento de 4,2% em relação ao mesmo período de 2025.
Os créditos comercializados chegaram a R$ 73,82 bilhões, alta de 11,9% na comparação anual. A base de participantes ativos também avançou, alcançando 5,52 milhões de consorciados, crescimento de 8,9% frente a junho de 2025.
Os números reforçam a presença do consórcio entre as alternativas consideradas para a aquisição de veículos, especialmente em um momento em que o consumidor passa a avaliar com mais atenção o impacto financeiro de decisões de longo prazo.
Antes de contratar qualquer modalidade, a recomendação é comparar as condições da operação, o custo total, o prazo e a capacidade de manter os pagamentos até o fim do contrato. “Não é apenas uma questão de escolher a menor parcela. Para quem pode se planejar, o consórcio permite estruturar a compra sem a incidência de juros e pode fazer mais sentido financeiramente do que assumir uma dívida para ter o veículo imediatamente”, finaliza Lucindo.







