EXCLUSIVO – Os dois terremotos que atingiram o país em 24 de junho, com magnitudes de 7,2 e 7,5 e registrados em um intervalo inferior a um minuto, provocaram uma das maiores tragédias da história recente da Venezuela. De acordo com o balanço mais recente das autoridades, o desastre deixou 4.734 mortos, 16.740 feridos e 17.907 pessoas desabrigadas, além de causar danos generalizados à infraestrutura, sobretudo no estado de La Guaira.
Em meio às operações de resgate e ao avanço da ajuda humanitária internacional, seguradoras que mantêm operações no país também passaram a atuar na assistência aos clientes e na avaliação dos impactos do desastre. Entre elas está a Mapfre, que detalhou à Revista Apólice como vem conduzindo o atendimento e o acompanhamento dos primeiros registros de sinistros.
“Desde o primeiro momento, a companhia trabalha com um protocolo centrado em duas prioridades: proteger as pessoas, começando pelos colaboradores, e manter a capacidade de atendimento aos clientes”, informou a seguradora. Segundo a empresa, os serviços foram mantidos por meio dos canais disponíveis e de procedimentos alternativos. Os cerca de 300 colaboradores da operação venezuelana estão em segurança, embora alguns tenham tido suas residências afetadas ou perdido familiares e amigos.
A companhia confirmou ainda que os primeiros comunicados de sinistros relacionados ao desastre começaram a ser registrados. No entanto, afirma que ainda não há elementos suficientes para mensurar o volume de ocorrências ou a extensão das perdas.
“Ainda é cedo para fazer uma avaliação precisa do volume e da dimensão dos danos. Neste momento, a prioridade absoluta é realizar os salvamentos e atender às necessidades imediatas das pessoas afetadas”, destacou. De acordo com a seguradora, somente com o avanço das operações de resgate será possível reunir informações mais detalhadas sobre os sinistros.
Entre os principais desafios enfrentados pela companhia estão as dificuldades provocadas pela interrupção de serviços básicos, como energia elétrica e telecomunicações, que afetam tanto a mobilização das equipes quanto o processamento dos sinistros.
Segundo a Mapfre, “as próprias vítimas estão enfrentando situações de emergência que tornam a comunicação com a seguradora uma prioridade secundária neste momento”, o que também dificulta a consolidação das informações sobre os danos.
Questionada sobre uma estimativa dos impactos financeiros do desastre, a seguradora informou que ainda está concentrada na coleta de informações e que qualquer projeção seria prematura.
“A companhia está em fase de coleta de informações, não de análise consolidada”, afirmou. A empresa ressaltou ainda que os contratos de resseguro funcionam como um mecanismo de diluição dos riscos em grandes catástrofes, distribuindo as perdas entre diferentes seguradoras e resseguradoras.
Além do atendimento aos segurados, a seguradora que uma das prioridades é contribuir para a recuperação das áreas afetadas. A Fundação Mapfre anunciou uma doação inicial de 100 mil euros para ações humanitárias no país e informou que novos recursos deverão ser destinados conforme avance a campanha de arrecadação.
“Ajudar os clientes a se recuperarem o mais rapidamente possível e contribuir para a recuperação do país” é a prioridade da companhia neste momento, informou a seguradora.
Zurich Foundation anuncia apoio humanitário
Além da atuação das seguradoras na assistência aos clientes, a Z Zurich Foundation anunciou a ampliação de sua resposta humanitária às comunidades afetadas pelos terremotos na Venezuela.
A iniciativa reúne ações emergenciais para distribuição de alimentos, água, produtos de higiene, kits médicos e materiais para abrigo, além de apoio em saúde mental e suporte psicossocial. A fundação atuará em parceria com organizações como a Organização Internacional para as Migrações (OIM), que coordenará equipes móveis de psicólogos e assistentes sociais, espaços seguros para crianças e famílias e ações de primeiros socorros psicológicos.
“Em uma emergência, a ajuda precisa chegar rápido, mas também precisa considerar os efeitos que permanecem depois do primeiro atendimento. Por isso, o papel da Z Zurich Foundation combina itens essenciais e cuidado psicossocial, com parceiros preparados para atender comunidades em situação de alta vulnerabilidade”, afirmou Laurence Maurice, CEO da Zurich América Latina.
A fundação também lançou uma campanha regional de arrecadação em parceria com o ACNUR, agência da ONU para refugiados. As doações poderão ser realizadas até 31 de julho, e cada contribuição será igualada pela Z Zurich Foundation na proporção de 1 para 1, até o limite de 50 mil francos suíços (CHF 50 mil).
A Revista Apólice também procurou outras seguradoras, resseguradoras e corretoras com atuação na Venezuela para entender como as empresas estão respondendo aos impactos dos terremotos e quais medidas vêm sendo adotadas no atendimento aos clientes. Até o fechamento desta reportagem, parte das companhias consultadas optou por não comentar o assunto, outras informaram que não se manifestariam e algumas ainda não haviam retornado aos contatos da reportagem. O texto será atualizado caso novos posicionamentos sejam enviados.
Nicholas Godoy







