Ultima atualização 20 de janeiro

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Plataforma eleva eficiência e padrão técnico dos sinistros no Seguro Auto

EXCLUSIVO – Processar mais de 1 milhão de sinistros por dia e movimentar cerca de 25 bilhões de transações de dados por ano não é apenas uma demonstração de escala, mas um indicativo de como a tecnologia vem reposicionando a gestão de sinistros no seguro automotivo global. É nesse contexto que a Solera traz ao Brasil o Qapter, sua plataforma de inteligência artificial voltada à automação e padronização de processos de sinistros.

A chegada da solução ao mercado brasileiro marca um novo estágio da transformação digital do seguro auto, combinando redução de custos, ganho de eficiência operacional, padronização técnica e impacto ambiental. Em mercados onde a plataforma já opera em larga escala, a empresa compartilha que o Qapter gera economia média de até US$ 180 por sinistro e pode evitar cerca de 45 quilos de CO₂ por processo automatizado, indicadores que passam a conectar diretamente eficiência operacional e métricas ESG.

Para Marcelo Picolo, diretor executivo para a América Latina da Solera, o movimento de expansão para o Brasil ocorre em um momento de maturidade inédita do mercado local. “Nos últimos anos, acompanhei de perto como as seguradoras brasileiras aceleraram investimentos em dados e transformação digital. O impacto real não está apenas na tecnologia, mas na transformação do negócio. Nesse sentido, o Brasil hoje lidera a inovação em seguros na América Latina”, destaca.

O avanço da IA na gestão de sinistros não acontece por conveniência, mas por necessidade. Custos de reparo crescentes, veículos cada vez mais complexos com sensores, câmeras e componentes eletrônicos, além de um consumidor mais exigente que vem pressionando as seguradoras a abandonar processos manuais e fragmentados. “O Qapter chega exatamente nesse ponto de virada”, diz Picolo. “As seguradoras já passaram da fase de pilotos isolados e agora buscam adoção em escala, com governança, rastreabilidade e resultados concretos”.

Na prática, a plataforma já transforma de forma profunda etapas como identificação de danos, reconhecimento do modelo do veículo e estimativa de custos de reparo e peças, especialmente em sinistros de pequeno e médio porte. Essas fases podem ser amplamente automatizadas, reduzindo drasticamente o tempo de ciclo do sinistro e impactando diretamente custos operacionais e satisfação do segurado.

Apesar do avanço tecnológico, a Solera evita a narrativa de substituição total do fator humano. Para o executivo, o papel do perito está longe de desaparecer, mas passa por uma transformação relevante. “Nos sinistros mais complexos, a atuação humana continua sendo essencial. A IA funciona como um copiloto, apoiando o regulador com dados, validações e recomendações. Isso transforma o perito em um superperito”, explica.

Atualmente, o Qapter permite automatizar de forma totalmente touchless entre 25% e 35% dos danos parciais. Nos demais casos, a plataforma aumenta a produtividade e a precisão ao oferecer recomendações técnicas baseadas em dados reais de reparação, ajudando a padronizar critérios e reduzir distorções entre diferentes reguladores e oficinas.

A implementação no Brasil exigiu ajustes relevantes. A diversidade da frota nacional, a presença de modelos específicos de montadoras locais e a forte atuação de oficinas independentes demandaram um intenso trabalho de localização de dados. “Desenvolvemos para o Brasil a tecnologia de VIN com cobertura superior a 90% dos modelos comercializados no país”, conta. 

A plataforma se apoia em acordos globais com OEMs, garantindo que os dados técnicos de cada veículo reflitam exatamente as especificações do mercado local.

Esse ecossistema é sustentado pelo maior data lake do setor, processando diariamente cerca de 1 milhão de sinistros e mais de 2 milhões de peças. A isso se soma o que a Solera chama de “ciência da reparação”, que inclui um baremo técnico de tempos e processos, assegurando precisão, imparcialidade e consistência nas estimativas.

Escala, automação e impacto ambiental

Em um case europeu, o Qapter chegou a processar 68 milhões de operações diárias, volume equivalente à análise de cerca de 25 estádios do Maracanã por dia. Essa escala viabiliza não apenas eficiência econômica, mas também ganhos ambientais mensuráveis.

A redução média de 45 quilos de CO₂ por processo automatizado é calculada por algoritmos desenvolvidos para atender regulações ambientais mais rigorosas em mercados internacionais. Com o módulo Qapter Analytics, as seguradoras passam a ter dashboards que integram métricas de eficiência operacional e sustentabilidade.

“O Brasil naturalmente caminhará para esse tipo de mensuração. Não existe país mais verde no mundo, e o Qapter ajuda a transformar a gestão de sinistros em uma operação mais sustentável”, afirma Picolo.

A automação também redefine a relação entre seguradoras, oficinas e reguladores. Estimativas padronizadas, dados técnicos confiáveis e critérios objetivos reduzem conflitos e disputas, favorecendo relações mais colaborativas e orientadas por dados. “Quando os stakeholders entendem que a IA traz consistência e precisão, e não controle, a adoção acelera naturalmente”, observa.

Ainda assim, há limites claros para a tecnologia. Danos estruturais severos, peças internas e cenários altamente complexos continuam exigindo avaliação humana especializada. O equilíbrio entre escala tecnológica e expertise técnica é, segundo a Solera, o que garante eficiência sem perda de qualidade.

Para os próximos cinco anos, a expectativa é de uma mudança profunda no modelo operacional do seguro auto. A gestão de sinistros tende a se tornar preditiva, orientada por dados e cada vez menos reativa. “A automação de sinistros deixará de ser um diferencial e se tornará um requisito básico”, afirma Picolo. “Quem não automatizar processos rotineiros terá dificuldade para competir em custo, produtividade e experiência do cliente”.

Mais do que projetos de TI, a automação baseada em IA representa, segundo o executivo, um movimento de transformação digital do negócio. E o impacto vai além da redução de custos. Ao oferecer mais velocidade, transparência e previsibilidade, a tecnologia contribui para um dos ativos mais sensíveis do setor: a confiança do segurado no momento do sinistro.

Nicholas Godoy, de São Paulo.

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