Ultima atualização 14 de outubro

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Mitsui amplia operação em Transportes sem elevar equipe

Case com a Vayon, seguradora reduz em 75% o tempo de cotação e registra crescimento de 367,6% nos novos negócios

EXCLUSIVO – A Mitsui Sumitomo Seguros ampliou sua operação de seguros de Transportes sem aumentar o quadro de subscritores, após redesenhar o processo de cotação e contratação com o apoio de uma plataforma digital da Vayon. Entre janeiro e julho de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, a companhia registrou crescimento de 367,6% nos novos negócios fechados e de 410,8% nas propostas geradas. A transformação também reduziu em 75% o tempo médio de cotação e em 87% as intervenções manuais dos subscritores nos fluxos analisados.

Os resultados fazem parte de um projeto iniciado em 2025, que substituiu uma jornada marcada por conferências, preenchimento de documentos e sucessivas interações entre corretores e subscritores por um processo digital com regras de negócio parametrizadas. A iniciativa buscou ampliar a capacidade de atendimento sem comprometer os critérios técnicos de aceitação dos riscos.

Segundo Ricardo Beyer, superintendente técnico da área de Soluções em Subscrição – Marine da Mitsui Sumitomo Seguros, o principal desafio estava no tempo dedicado às atividades operacionais que acompanhavam a análise de cada solicitação. Enquanto os corretores dependiam de sucessivas interações para concluir uma contratação, os subscritores precisavam dividir sua capacidade entre o julgamento técnico e tarefas repetitivas.

“O projeto reorganizou essa jornada, permitindo que as operações enquadradas nas regras da companhia avançassem com maior autonomia”, explica Beyer.

A transformação foi conduzida gradualmente, com entrada em operação em 2025 e ampliação do modelo ao longo de 2026. O processo envolveu a revisão dos fluxos de trabalho, a definição de regras técnicas, a parametrização da plataforma, testes, integrações e adaptação dos usuários.

A tecnologia disponibilizada pela Vayon passou a aplicar critérios previamente estabelecidos pela seguradora para enquadramento dos negócios, condições comerciais e limites de atuação. Dentro do escopo implantado, também foram automatizadas etapas como geração de propostas, transmissão e emissão.

O objetivo, entretanto, não foi eliminar a participação do subscritor, mas estabelecer quais operações poderiam avançar de forma padronizada e quais continuariam dependendo de avaliação individual. “A análise humana permanece nas situações que exigem interpretação do risco: operações fora dos parâmetros, condições especiais, limites superiores às alçadas, particularidades de mercadorias e exigências de gerenciamento de riscos”, afirma Beyer.

De acordo com o executivo, a fronteira entre automação e intervenção humana é determinada pela política de subscrição da companhia. Dessa forma, a plataforma executa decisões previamente estabelecidas, enquanto os profissionais permanecem responsáveis pelas situações que exigem julgamento técnico, negociação ou aprovação adicional.

A implementação também exigiu mudanças na organização interna. Para Ricardo, a adoção de novas ferramentas não seria suficiente sem uma revisão dos procedimentos e da forma de atuação das equipes. “Digitalizar um processo sem revisá-lo pode apenas transferir suas dificuldades para uma nova ferramenta. O ganho aparece quando tecnologia, processo e responsabilidade técnica evoluem juntos”, avalia.

Mantendo a mesma estrutura

A reorganização da jornada permitiu à Mitsui absorver um volume maior de solicitações sem ampliar a equipe de subscrição. Segundo a companhia, a redução das intervenções operacionais diminuiu o esforço necessário para processar cada oportunidade, liberando os profissionais para atividades de maior complexidade. “Não houve aumento no quadro de subscrição no período analisado. A capacidade adicional foi absorvida com o apoio da plataforma, concebida para ampliar o atendimento e reduzir a necessidade de intervenções manuais a cada nova solicitação”, explica o executivo da MSS.

Com isso, a rotina dos subscritores passou a concentrar maior atenção na análise de riscos complexos, negociação de condições, relacionamento com corretores e gestão da carteira. A mudança também abriu espaço para acompanhar oportunidades comerciais e avaliar a qualidade dos negócios apresentados.

Os indicadores mostram a dimensão do crescimento. Entre janeiro e julho de 2026, o número de corretores ativos aumentou 60% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto as solicitações de cotação avançaram 97,6%. No mesmo intervalo, as propostas geradas cresceram 410,8% e os novos negócios fechados, 367,6%. A taxa de conversão, medida pelo indicador conhecido como Hit Ratio, também apresentou avanço de 14 pontos percentuais.

Apesar dos resultados, a seguradora ressalta que o desempenho não pode ser atribuído exclusivamente à digitalização. A atuação comercial, o relacionamento com os corretores, a evolução da oferta e as condições de mercado também contribuíram para o crescimento. Por diretriz interna, a Mitsui não divulgou os volumes absolutos da operação, limitando a apresentação dos resultados às variações percentuais.

Além dos ganhos operacionais, a digitalização ampliou a disponibilidade de informações sobre o percurso das oportunidades comerciais, desde o recebimento das solicitações até a contratação ou recusa dos riscos. A plataforma permite acompanhar os negócios por produto, corretor e perfil de risco, oferecendo informações para análise de conversão, identificação de recusas, segmentação e gestão do portfólio.

Essa visibilidade também pode contribuir para a consistência na aplicação das regras técnicas. No entanto, a Mitsui pondera que o aumento do Hit Ratio não representa, isoladamente, uma melhora na qualidade da subscrição ou na rentabilidade da carteira. “Nossa avaliação considera também aceitação, motivos de recusa, concentração, perfil dos negócios e evolução dos sinistros”, esclarece.

Wladimir Chinchio, da Vayon

Segundo o executivo, a integração com a Central de Controle de Riscos amplia a capacidade de acompanhamento. Já os efeitos sobre a sinistralidade dependem do amadurecimento da carteira e da avaliação de outros fatores que influenciam os resultados.

Na avaliação de Wladimir Chinchio, diretor de Operações da Vayon, operações com grande volume de atividades repetitivas e regras de negócio que possam ser explicitadas apresentam oportunidades relevantes de transformação. O executivo também aponta potencial na implantação de novos produtos que precisam ganhar velocidade de distribuição e escala comercial.

Para Chinchio, os benefícios não se restringem às operações já consolidadas. A tecnologia também pode acelerar a entrada de novas soluções no mercado, especialmente quando o desenvolvimento tradicional de sistemas representa uma limitação para a expansão dos negócios.

Integração com corretores é o próximo passo

Com a transformação da subscrição em andamento, a Mitsui pretende avançar na digitalização de outras etapas do ciclo de vida das apólices, incluindo endossos e renovações. A companhia também busca aprofundar a integração entre a plataforma, a gestão da carteira e a Central de Controle de Riscos.

O próximo movimento estratégico será conectar os processos de cotação e emissão diretamente aos sistemas utilizados pelos corretores, por meio de interfaces de programação de aplicações (APIs).

A proposta é permitir que os profissionais realizem cotações, contratações, administração dos riscos e procedimentos de faturamento dentro de seus próprios ambientes de trabalho, sem a necessidade de acessar diferentes plataformas. “Queremos criar uma jornada única, na qual o corretor possa cotar, contratar e administrar o risco, incluindo todo o processo de faturamento, diretamente em seu próprio ambiente de trabalho, sem precisar acessar sistemas separados”, completa Ricardo Beyer.

A expectativa é que a integração reduza novas etapas operacionais e amplie a presença da seguradora nos canais de distribuição, mantendo as mesmas regras e critérios técnicos de subscrição. A experiência em Transportes também poderá servir de referência para outras iniciativas de digitalização da Mitsui, embora uma eventual expansão para diferentes produtos dependa das características de cada carteira e do planejamento interno da companhia.

Nicholas Godoy

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