EXCLUSIVO – Já estamos envolvidos na imersão de tecnologia e Inteligência Artificial que envolvem o mercado de seguros global. Acaba de começar a programação do Insuretech Connect 2026, com a conferência para os participantes da América Latina, incluindo o Brasil. São mais de 500 participantes dos países latino americanos, sendo 183 brasileiros. A inteligência artificial continua no centro das discussões do ITC Vegas, mas com uma diferença importante em relação à edição anterior: a tecnologia começa a deixar para trás a fase predominantemente experimental para ganhar espaço efetivo nas operações das empresas do setor de seguros.
A avaliação é de Nicole Peck, CEO do ITC Vegas. Em entrevista à Revista Apólice, durante o evento, ela destacou a velocidade com que as aplicações de IA avançaram em apenas um ano. “É difícil falar sobre o que é novo porque parece que, a cada dia, vemos algo maior e melhor do que aconteceu no dia anterior”, afirmou. Segundo a executiva, a inteligência artificial e os diferentes produtos desenvolvidos a partir dela continuam crescendo e agregando valor em diversas etapas da cadeia, do desenvolvimento de produtos ao atendimento ao cliente.

Para Nicole, uma das mudanças mais perceptíveis em relação ao ITC Vegas de 2025 está justamente no grau de maturidade das soluções apresentadas. “É inacreditável como este evento está diferente do ano passado. Estamos vendo agora, com a IA, a evolução dos pilotos para a execução efetiva”, disse. A mudança de estágio ajuda a explicar o perfil dos participantes. Se nos últimos anos boa parte das discussões girava em torno do potencial da inteligência artificial, agora o foco começa a se deslocar para sua aplicação concreta no negócio.
Essa transformação também aparece na área de exposição. Nicole aponta como um dos destaques deste ano o crescimento e a maior sofisticação dos estandes dos patrocinadores. Segundo ela, as empresas ampliaram seus espaços e estão investindo mais na apresentação direta de suas soluções, propostas de valor e estratégias ao público do evento. Mais do que uma vitrine de novidades, o movimento indica uma mudança na conversa entre empresas de tecnologia, seguradoras, insurtechs e demais participantes do ecossistema: a discussão passa cada vez mais pela capacidade de transformar inovação em aplicações que possam efetivamente ser incorporadas às operações.
Outro destaque apontado pela CEO é o crescimento do ITC LATAM. A presença expressiva da região reforça a aproximação do mercado latino-americano com as discussões globais sobre tecnologia e transformação da indústria de seguros. Para o Brasil, que participa do ITC Vegas com seguradoras, insurtechs, prestadores de serviços e executivos do setor, acompanhar essa evolução permite também observar quais tecnologias já ultrapassaram a fase das promessas e começam, de fato, a encontrar aplicação no dia a dia das empresas.
Um olhar exclusivo para a América Latina é lançado por Paschoal Grassioto, VP, Sponsorship & Partnerships do ITC Latam. Para ele, que é responsável pela região, um dos diferenciais desta edição é justamente a possibilidade de aproximar executivos latino-americanos das discussões que estão ocorrendo nos mercados mais maduros. Dentro do ITC Vegas, a programação dedicada à América Latina reúne profissionais do Brasil, Argentina, México, Peru e outros países da região, mas sem isolá-los do restante do evento.
“A ideia é que o executivo tenha acesso ao conteúdo da América Latina, mas também possa conhecer o que está acontecendo em mercados mais maduros, como o norte-americano”, explica. Segundo Grassioto, a integração do ITC Latam ao evento de Las Vegas ampliou essa troca, permitindo que a região mostre suas particularidades ao mercado internacional e, ao mesmo tempo, tenha contato direto com empresas que estão na vanguarda tecnológica do setor.
Outro público que ganhou espaço na programação são os agentes e corretores independentes. O ITC Agents and Brokers foi criado com foco nos profissionais de menor porte dos Estados Unidos, um perfil que, na avaliação de Grassioto, guarda semelhanças com grande parte da distribuição brasileira.
Para ele, essa aproximação pode ser especialmente interessante para os corretores brasileiros que querem entender novos modelos de negócios, ferramentas e oportunidades que começam a surgir no mercado internacional. “É daqui que saem novas ideias e oportunidades para a indústria. Por isso, acredito que também seja importante que os corretores de menor porte do Brasil conheçam esse ambiente”, afirma.
“A América Latina vem para mostrar ao mundo o que está acontecendo na região, mas quem participa também consegue entender o que existe de mais novo na indústria global, principalmente em áreas como inteligência artificial”, conclui Grassioto.
Kelly Lubiato, de Las Vegas







