Ultima atualização 20 de agosto

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Gap de proteção ainda é um desafio diante das catástrofes

Em debate sobre eventos climáticos, Ariel Couto aponta baixa cobertura das perdas e defende maior conscientização sobre seguros

O aumento da frequência de eventos climáticos extremos e o gap de proteção existente no Brasil estiveram entre os temas debatidos na segunda edição do Conversas do Fórum, realizada nesta quarta-feira (19), na Escola de Negócios e Seguros (ENS), em São Paulo.

Promovido pelo Fórum Mário Petrelli de Fomento do Mercado de Seguros, Previdência, Capitalização e Resseguros, o encontro teve como tema “O futuro do seguro frente às catástrofes e os eventos climáticos”.

Ariel Couto, CEO da MDS Brasil, participou do painel dedicado à perspectiva da distribuição de seguros para catástrofes, ao lado de Robert Bittar, vice-presidente da ENS e da Fenacor; Rodrigo Botti, Country Head da Lockton Re; e Henrique Brandão Júnior, presidente do Conselho do Grupo Assure e vice-presidente da Fenacor.

Durante o debate, Couto afirmou que a percepção internacional sobre a exposição do Brasil a eventos catastróficos vem mudando diante das ocorrências registradas nos últimos anos. “O Brasil não era considerado pelo mercado internacional como um país catastrófico. Isso mudou. Quando temos períodos de seca sucessivos, com perdas principalmente no agronegócio, o alagamento de Porto Alegre em 2024 e eventos cada vez mais frequentes no Rio de Janeiro e no litoral de São Paulo, essa percepção começa a mudar”, afirmou.

Segundo o executivo, os eventos recentes também evidenciam a distância entre as perdas econômicas provocadas por catástrofes e os valores cobertos pelo Mercado de Seguros. “Em Porto Alegre, tivemos perdas estimadas em cerca de R$ 90 bilhões e aproximadamente R$ 6 bilhões em indenizações. Isso significa que tivemos algo próximo de 7% de cobertura e um gap de 93%. Essa é a realidade que temos hoje no Brasil: grande parte das perdas decorrentes de catástrofes ainda não está coberta por seguros”, destacou Ariel.

Couto também apontou a existência de lacunas de cobertura entre empresas e defendeu a discussão de mecanismos que possam ampliar a proteção contra eventos de maior impacto. “Mesmo entre grandes companhias, ainda encontramos gaps significativos de cobertura. Precisamos avançar nas soluções, inclusive discutindo modelos em que o governo possa participar ou subsidiar parte do custo da proteção contra catástrofes, mas também é fundamental conscientizar a população sobre a necessidade de estar protegida”, acrescentou.

Na avaliação do executivo, o seguro Residencial é uma das modalidades que podem ganhar maior espaço nesse processo de conscientização. “Muitas vezes, por um valor muito menor do que se paga pelo seguro de um automóvel, é possível proteger um imóvel que representa o patrimônio construído por duas ou três gerações de uma família. É esse entendimento sobre a importância da proteção que precisamos ampliar”, concluiu o executivo.

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