EXCLUSIVO – As coberturas básicas são o aspecto mais bem avaliado pelos corretores de seguros no ramo residencial. É que mostrou a primeira edição da Pesquisa para Melhoria Contínua do Mercado de Seguros (PMC) voltada ao segmento residencial, 93% dos participantes classificaram esse item como “bom” ou “excelente”. No outro extremo, a qualidade da assistência e dos aplicativos concentrou as maiores proporções de avaliações “regular” ou “ruim”.
Os resultados da PMC Residencial foram apresentados nesta quarta-feira (19) em uma live no canal oficial do Sindicato dos Corretores de Seguros do Estado de São Paulo (Sincor-SP), pelo YouTube. O levantamento foi realizado em junho e contou com a participação de 1.216 corretores, entre pessoas físicas e jurídicas, o equivalente a 11% dos 10.642 profissionais filiados à entidade. Ao todo, foram registradas 5.287 avaliações, já que cada participante poderia analisar até seis seguradoras com as quais trabalha regularmente. Na média, cada corretor avaliou 4,3 companhias.
Responsável técnico pelo estudo, o economista Francisco Galiza explicou que a proposta é permitir que os profissionais avaliem de maneira reservada a atuação das seguradoras em diferentes segmentos. “A ideia da PMC é que os corretores possam avaliar, de forma confidencial e tranquila, a atuação das seguradoras dentro dos ramos específicos. O intuito não é comparar uma companhia com outra, mas observar como o mercado está se comportando sob o olhar do corretor de seguros”, afirmou.
Os corretores avaliaram oito aspectos do seguro residencial. Nas coberturas básicas, 46% das respostas foram “excelente” e 47%, “bom”. Outros 7% classificaram o item como “regular”, enquanto nenhuma avaliação negativa foi registrada. As coberturas acessórias também apresentaram resultado positivo, com 92% das avaliações. A agilidade nas cotações teve 88% de percepção positiva, sendo 39% das respostas classificadas como “excelente”. “O resultado das coberturas básicas mostra que esse é um ponto que está funcionando. Vemos que as seguradoras não estão errando nesse aspecto”, destacou Galiza.
O comissionamento oferecido recebeu avaliação positiva de 89% dos participantes. Já o atendimento comercial prestado ao corretor foi classificado como “bom” ou “excelente” por 78%, enquanto 18% avaliaram o serviço como “regular” e 4%, como “ruim”.
Assistência e aplicativos concentram ressalvas
Apesar da percepção predominantemente positiva, a qualidade da assistência e dos aplicativos apareceu como o principal ponto de atenção para as seguradoras. Na assistência, 24% dos corretores atribuíram avaliação “regular” e 5%, “ruim”, totalizando 29% de respostas nessas duas categorias. No aplicativo, os percentuais foram de 23% e 5%, respectivamente, somando 28%.
A rapidez no pagamento das indenizações recebeu 80% de avaliações positivas, enquanto 18% dos participantes classificaram o item como médio e 2% como ruim. O resultado difere do observado na PMC Auto de 2025, na qual a liquidação de sinistros foi o critério com a percepção mais negativa. Para Galiza, a pesquisa pode ajudar as companhias a direcionar melhorias. “No PMC Auto, as seguradoras olharam para os resultados e utilizaram as críticas nas melhorias futuras. Foi um trabalho muito rico”, afirmou. A expectativa é que o levantamento seja repetido anualmente e ampliado para outros segmentos.
A pesquisa apresentou 28 seguradoras para avaliação. As companhias mais mencionadas pelos corretores foram Porto, com 84,2% das citações; Allianz, com 67,8%; Tokio Marine, com 65,7%; Bradesco Seguros, com 51,8%; e HDI, com 47,9%.
Os percentuais representam apenas a frequência com que as empresas são utilizadas pelos profissionais e não indicam a qualidade dos serviços. As avaliações individuais não serão divulgadas publicamente. Cada seguradora recebeu, de forma confidencial, um relatório com seus resultados, pontos fortes e oportunidades de aprimoramento.
Para o presidente do Sincor-SP, Boris Ber, a entrega dessas informações pode gerar mudanças concretas no mercado. “Com certeza, vamos ver uma melhora nos produtos e uma melhora na nossa vida como corretores de seguros”, declarou.
O coordenador da Comissão de Riscos Patrimoniais do Sincor-SP, Ivan Kurihara, ressaltou que os dados também ajudam os corretores a compreender a atuação das companhias. “Além de sermos corretores, somos também consumidores. Então, ver essa realidade por meio dos números é essencial”, disse.
Nicholas Godoy







