Ultima atualização 29 de maio

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Insurtech Brasil: IA reduz prazos e redefine equipes de tecnologia

Henrique Volpi, Co-Founder & CEO da Kakau; Ricardo Gondim, CTO da .add; Bruno Porte, CTTO - Chief of Transformation, Tech, Data & Customer Services da AXA; e Daniel de Rosa — CIO, CTO, COO da Sompo
Henrique Volpi, Co-Founder & CEO da Kakau; Ricardo Gondim, CTO da .add; Bruno Porte, CTTO - Chief of Transformation, Tech, Data & Customer Services da AXA; e Daniel de Rosa — CIO, CTO, COO da Sompo

EXCLUSIVO – O avanço das novas ferramentas de desenvolvimento assistido por IA já está reduzindo prazos de entrega, alterando a composição das equipes de tecnologia e mudando a forma como projetos são concebidos e executados. E o painel “Desenvolvendo com AI, Vibe Coding, RPA. Como Testar Rápido e Acelerar a Inovação em Seguros”, realizado durante o Insurtech Brasil serviu de espaço para esse tema.

Em uma roda de conversa, os participantes defenderam que o principal impacto das Inteligências Artificiais não está apenas na geração automática de código, mas na capacidade de acelerar ciclos completos de desenvolvimento e permitir que profissionais se concentrem cada vez mais na compreensão dos projetos. Portanto, a avaliação que ficou durante esse debate, foi que as habilidades, ou skills, ligadas à comunicação e ao entendimento de processos junto com capacidade de contextualização passam a ganhar relevância em um ambiente onde parte das tarefas técnicas tende a ser automatizada.

A prática foi detalhada por Bruno Porte, CTTO da AXA no Brasil, que compartilhou a experiência da companhia na adoção de ferramentas de IA dentro da própria área de tecnologia. Segundo ele, a iniciativa exigiu superar uma resistência inicial dos times de desenvolvimento, que demonstravam certo ceticismo sobre a capacidade das ferramentas de gerar ganhos concretos de produtividade. “Precisamos romper a barreira de acreditar que a IA poderia gerar eficiência dentro da própria área de tecnologia”, comentou.

O executivo explicou que a seguradora criou inicialmente uma equipe dedicada exclusivamente à experimentação das novas ferramentas antes de escalar o uso para outras áreas.

No caso da Sompo, o CIO, CTO e COO Daniel de Rosa afirmou que o principal desafio deixou de ser tecnológico e passou a ser cultural, e que o setor segurador ainda carrega características conservadoras que dificultam a adoção mais rápida de novos modelos de trabalho.

Argumentando com exemplos, o executivo citou projetos que registraram reduções expressivas de prazo após a incorporação de ferramentas de inteligência artificial ao ciclo de desenvolvimento. “Levávamos em média cinco meses para desenvolver um produto digital com uma equipe de oito pessoas. Hoje estamos fazendo em um mês com duas pessoas”, disse.

Daniel também destacou que a transformação tende a alterar o perfil dos profissionais mais demandados pelas áreas de tecnologia. Para ele, capacidades ligadas à comunicação, ao entendimento de negócio e à formulação adequada de comandos para sistemas de IA passam a ser tão importantes quanto o conhecimento técnico tradicional. “As pessoas precisam saber se comunicar e dar contexto para a IA. Se o comando for ruim, o resultado também será ruim”, frisou.

A discussão foi complementada por Ricardo Gondim, CTO da .add, que defendeu uma abordagem mais pragmática para a adoção das ferramentas. Segundo ele, muitas empresas ainda resistem ao uso de IA por falta de experimentação prática. Na sua avaliação, a tecnologia tende a recolocar em evidência profissionais capazes de compreender processos e traduzir necessidades de negócio em soluções tecnológicas. “O analista que entende o negócio e consegue desenhar uma solução de ponta a ponta volta a ter um papel central”.

Ricardo também apresentou casos de uso envolvendo o desenvolvimento acelerado de soluções complexas. Um dos exemplos citados foi um projeto voltado à otimização da logística do Porto de Santos, que teve o prazo reduzido de cerca de um ano para três meses com apoio de ferramentas de inteligência artificial.

Ao final do painel, os participantes convergiram na avaliação de que a inteligência artificial não deve substituir profissionais, mas alterar profundamente a forma como o trabalho é realizado. A expectativa deixada após a conversa é que a tecnologia passe a ocupar posição semelhante à de outras ferramentas essenciais do ambiente corporativo, tornando-se cada vez mais integrada às rotinas.

Nicholas Godoy, de São Paulo

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