Levantamento realizado pela insurtech Justos com 324 motoristas brasileiras aponta padrões de comportamento que indicam maior cautela das mulheres ao volante. Os dados foram divulgados em março, período em que também se debate a participação feminina em diferentes áreas da sociedade por ocasião do Dia Internacional da Mulher.
O estudo analisa hábitos de condução e percepção de risco no trânsito. Segundo a pesquisa, comportamentos associados à prudência aparecem com frequência entre as entrevistadas. “Queríamos entender, de forma objetiva, quais comportamentos fazem a diferença no trânsito. O que encontramos reforça algo que estudos já apontam há tempos: a direção das mulheres tende a ser mais cautelosa, com menos tomadas de risco desnecessárias”, afirma Dhaval Chadha, CEO e cofundador da Justos.
Entre os principais comportamentos relatados pelas motoristas entrevistadas, destacam-se:
- 87% afirmam prestar atenção constante à sinalização e aos pedestres
- 80% dizem evitar ultrapassagens arriscadas
- 77% evitam usar o celular ao volante
- 76% garantem que todos os passageiros utilizem o cinto de segurança
- 57% verificam freios, pneus e luzes antes de sair
O uso do celular ao volante aparece como um dos pontos de atenção. Entre as motoristas ouvidas pela pesquisa, 37% afirmam nunca utilizar o aparelho enquanto dirigem e outras 42% dizem fazê-lo apenas em situações de emergência.
Dados da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) indicam que o uso do celular já figura entre as principais causas de acidentes no trânsito brasileiro.
O cinto de segurança também foi citado como um fator importante para a segurança. De acordo com estimativas da Abramet mencionadas no levantamento, o equipamento pode reduzir em até 60% o risco de morte para ocupantes dos bancos dianteiros. “Os dados mostram que as mulheres não só dirigem com mais cautela, mas se preocupam com a segurança de todos dentro e fora do carro. Precisamos valorizar esse tipo de comportamento e usá-lo como referência para uma cultura de trânsito mais segura e responsável”, destaca Dhaval.
Apesar dos indicadores de prudência apontados pela pesquisa, parte das motoristas afirma ainda enfrentar preconceito no trânsito. Entre as respondentes, 32% disseram já ter recebido comentários depreciativos por estar ao volante algumas vezes, enquanto 23% afirmam que esse tipo de situação ocorre com frequência.
Ao avaliar o próprio desempenho, 61% das entrevistadas se consideram boas motoristas, enquanto 34% avaliam que dirigem bem, mas acreditam que ainda podem melhorar. Na comparação com os homens, 64% afirmam que as mulheres tendem a ser mais prudentes no trânsito. “O fato de tantas mulheres ainda enfrentarem julgamentos ao volante mostra como estereótipos ultrapassados continuam enraizados na sociedade e isso precisa mudar. A competência no trânsito deve ser medida pelo comportamento responsável, não pelo gênero”, analisa Dhaval.
Principais fatores de risco
Quando questionadas sobre os principais fatores que tornam o trânsito mais perigoso, as motoristas apontaram:
- consumo de álcool ou drogas antes de dirigir (83%)
- excesso de velocidade (79%)
- comportamento agressivo de motoristas (77%)
- falta de atenção (76%)
- uso do celular ao volante (73%)
- más condições das vias (64%)
- dirigir com sono ou fadiga (60%)
Segundo o CEO da Justos, esses fatores ajudam a explicar os riscos nas vias e reforçam a importância de práticas de direção mais defensivas.
“Quando analisamos esses fatores, fica evidente que as condutas de maior risco estão predominantemente associadas ao comportamento masculino no trânsito. As mulheres, por sua vez, adotam uma postura mais defensiva e isso salva vidas. Se quisermos reduzir acidentes e mortes nas estradas brasileiras, precisamos incentivar esse tipo de direção e combater a cultura da imprudência”, conclui Dhaval.




