O número de roubos e furtos de veículos leves voltou a crescer no Brasil, em 2025. De acordo com levantamento do Grupo Tracker, maior empresa de rastreamento e monitoramento de veículos do país, os eventos envolvendo automóveis aumentaram 3%, na comparação com 2024. Já as pick-ups registraram uma alta mais expressiva, de 12,2%, reforçando a tendência de avanço desse tipo de crime.
Segundo o gerente de Comando e Monitoramento do Grupo Tracker, Vitor Corrêa, os principais fatores que explicam o crescimento são conhecidos. “O roubo e o furto de veículos continuam fortemente ligados ao comércio ilegal de peças e à facilidade de escoamento desses bens. Quando existe demanda, o crime se organiza para atendê-la”, afirma.
No caso dos automóveis, os criminosos seguem priorizando modelos amplamente utilizados e com grande circulação nas cidades, especialmente veículos com mais de cinco anos de uso. Esse perfil concentra maior procura por reposição de peças, o que alimenta os desmanches ilegais e torna esses carros alvos frequentes. “Quanto maior a frota de um determinado modelo, maior também o mercado paralelo de componentes, o que aumenta o risco para o proprietário”, explica o gerente.
Já as pick-ups despertam interesse adicional por reunirem múltiplas possibilidades de uso criminoso. Além de atenderem ao transporte de cargas e equipamentos, esses veículos são valorizados tanto no mercado ilegal de peças quanto em esquemas de clonagem e atravessamento de fronteiras. Segundo o executivo, “muitas pick-ups acabam sendo utilizadas como moeda de troca em países vizinhos ou adaptadas para outras atividades ilícitas. É um tipo de veículo versátil, o que amplia o interesse das organizações criminosas”. Após o roubo ou furto, os veículos costumam ser rapidamente descaracterizados, com remoção de placas e sinais de identificação, o que dificulta a localização e reduz o tempo de resposta das forças de segurança quando não há tecnologia embarcada.
Embora o cenário exija atenção redobrada, algumas práticas ajudam a diminuir a exposição ao crime. Entre as principais recomendações estão evitar estacionar em locais com pouca iluminação e baixo fluxo de pessoas, além de investir em dispositivos que dificultem a ação criminosa. “O uso combinado de alarmes, bloqueadores e sistemas de rastreamento aumenta significativamente as chances de recuperação em caso de ocorrência. Outra orientação fundamental é evitar a compra de peças sem nota fiscal ou procedência comprovada. O combate a esse tipo de crime passa também pelo comportamento do consumidor. Quando se compra uma peça sem origem legal, todo o ciclo do roubo e do furto é alimentado”, alerta Vitor Corrêa.




