O Brasil vem se consolidando como o principal hub de insurtechs da América Latina, reunindo um ecossistema cada vez mais robusto de startups, investidores e soluções tecnológicas aplicadas ao mercado de seguros. Segundo o relatório Insurtech Financing in Latin America, divulgado pela Digital Insurance LATAM em parceria com a Mapfre, as insurtechs latino-americanas captaram cerca de US$121 milhões (R$657 milhões, na cotação atual), um crescimento de 370% em relação ao mesmo período do ano anterior, superando, inclusive, o total investido em todo o ano de 2024.
Desse montante, 74% dos investimentos foram direcionados a startups brasileiras, o equivalente a aproximadamente US$89 milhões (R$483 milhões), reforçando a liderança do país na atração de capital e no desenvolvimento de tecnologias para seguros. Atualmente, a América Latina conta com mais de 500 insurtechs ativas, com crescimento orgânico contínuo, mesmo em um cenário macroeconômico desafiador.
O panorama é impulsionado por alguns fatores estruturais do mercado brasileiro, como o tamanho e a complexidade do setor de seguros, a alta incidência de fraudes, a pressão por eficiência operacional e a necessidade de acelerar decisões em ambientes regulados. Esses desafios criam demanda por soluções tecnológicas capazes de reduzir custos, ganhar escala e aumentar o controle de riscos.
No Brasil, a digitalização de processos como subscrição, sinistros e prevenção a fraudes se tornou prioridade, impulsionando soluções baseadas em inteligência artificial, automação e análise avançada de dados.
É nesse contexto que insurtechs brasileiras vêm ganhando destaque não apenas no mercado local, mas também como exportadoras de tecnologia e referências regionais em eficiência operacional e gestão de risco.
Um exemplo desse movimento é a Brick, insurtech fundada em 2021, que atua com automação e inteligência artificial aplicada à tomada de decisões de risco em seguradoras e empresas de mobilidade. Com uma plataforma baseada em agentes de IA e tecnologia no-code, a startup atende hoje mais de 600 clientes, entre seguradoras e locadoras de veículos, ajudando a transformar processos críticos como subscrição, validação de documentos, combate à fraude e gestão de sinistros em fluxos mais rápidos, inteligentes e auditáveis.
A empresa também vem chamando a atenção de investidores. Em 2025, a Brick captou R$5 milhões em rodada seed, liderada pelos fundos Honey Island by 4UM e Broom Ventures, reforçando a confiança do mercado na capacidade da startup de escalar sua tecnologia e ampliar sua atuação no setor de seguros.
Para Vinicius Schroeder, CEO e cofundador da Brick, o protagonismo do Brasil no cenário de insurtechs está diretamente ligado ao seu contexto estrutural. “O Brasil reúne três fatores-chave: tamanho de mercado, complexidade dos problemas e disponibilidade de capital, especialmente estrangeiro, que aceleram a inovação em seguros”, afirma.
Segundo o executivo, a adoção de inteligência artificial no setor já ultrapassou a fase experimental. “A IA deixou de ser promessa e passou a ser infraestrutura. Quando aplicada com governança, explicabilidade e supervisão humana, ela permite que seguradoras ganhem eficiência sem abrir mão da confiança, que é a base do seguro”, completa Schroeder.
Com o avanço das insurtechs, o Brasil reforça sua posição como laboratório e vitrine de inovação para o mercado segurador latino-americano, atraindo capital estrangeiro, fomentando parcerias globais e ajudando a redefinir a forma como riscos são analisados, precificados e geridos na região.




