Um levantamento realizado nos Estados Unidos pela Staywell Health Management, especializada em implementar hábitos saudáveis entre funcionários no ambiente empresarial, mostra que os riscos de saúde de colaboradores tendem a cair com a elaboração de programas de gestão e a incorporação deste processo ao plano de negócios.
A pesquisa tomou como base as respostas de mais de 700 mil profissionais, esposas e funcionários aposentados envolvidos, direta ou indiretamente, em programas de gestão de saúde promovidos por companhias do país norte-americano. Com boas práticas, os riscos diminuíram 4,7%, mais que o dobro do resultado obtido por empresas que criaram ações isoladas de incentivo à saúde (2%).
Os fatores diferenciais para o sucesso da gestão de saúde são a formatação de ações estruturadas e com metodologia abrangente; incentivos integrados; uma boa estratégia de comunicação; projeções e coleta de dados biométricos e, por fim, integração com os fornecedores.
Este conceito foi trazido para o Brasil e está sendo divulgado pela Asap (Aliança para a Saúde Populacional). O objetivo da entidade, criada neste ano a partir da união de grandes empregadores brasileiros, é incentivar a padronização das iniciativas de gestão de saúde. “Queremos imprimir a cultura da prevenção no DNA das empresas brasileiras. Estímulos aos bons hábitos só terão efeito se o mercado corporativo deixar de adotar iniciativas paliativas e passar a focar em um programa de acompanhamento permanente, que atenda as populações de maneira customizada e conforme o grau de risco de cada beneficiado”, acredita Marilia Ehl Barbosa, superintendente executiva da Asap.
Como as empresas fazem hoje
A combinação de sedentarismo, estresse, competição e o envelhecimento da população aumentou consideravelmente a frequência de doenças originadas no ambiente de trabalho. Tanto que o peso da saúde sobre a folha de pagamento das empresas saltou de 4% para 8% em duas décadas no Brasil.
Um dos objetivos da gestão de saúde populacional é reduzir o custo desnecessário. “Nenhuma das ferramentas tem por objetivo limitar o acesso do segurado à assistência, mas sim usar os recursos de saúde com racionalidade, pois eles são finitos. Sempre que ultrapassam o limite, o custo aumenta”, reflete Alexandre Zornig, diretor da Allianz Saúde.
Segundo o executivo, a Allianz monitora a população de todas as empresas clientes da sua carteira de saúde, mas o acompanhamento é mais intenso nas quais são detectadas populações com riscos específicos. “Todas devem fazer ações de promoção à saúde e prevenção de doenças. Mas as medidas específicas com foco em portadores de doenças crônicas precisam ter população-alvo, senão acabamos mobilizando a empresa de maneira desnecessária”, raciocina.
A ideia é sempre agir ativamente e já oferecer às empresas clientes o monitoramento da carteira e, posteriormente, a adoção de ações específicas.
O resultado varia de acordo com cada empresa e seu perfil. Se não estiver dentro do esperado, a seguradora propõe novas ações para melhorar o quadro.
“Percebemos que nossos clientes estão mais preocupados em implantar programas de gestão do quadro de funcionários. Porque quando eles observam que os custos com benefícios de saúde têm representatividade importante dentro dos resultados das empresas, que se preocupam, por obrigação ou por necessidade, e passam a entender que profissionais saudáveis melhoram a produção”, fundamenta Zornig.
O executivo relata que, nos Estados Unidos, empresas já oferecem incentivos financeiros para que seus profissionais participem dos programas de prevenção e promoção da saúde. “Acredito que ações similares devem acontecer no Brasil no médio prazo”, prevê.
É interessante também que as empresas, ao adotarem a gestão de saúde populacional, entendam que os resultados não serão percebidos tão rapidamente.
Os resultados das ações aparecem no médio e longo prazo. No caso de programas com hipertensos, por exemplo, melhoras podem ser percebidas de um ano e meio a dois anos. “Isolamos os dados dessa população e vemos o histórico de uso da assistência médica antes e depois do programa”, exemplifica Francisco Bruno, consultor sênior da Mercer Marsh Benefícios.
Bruno concorda que as empresas estão mais conscientes da necessidade de fazer a gestão de saúde do seu quadro de funcionários e da criação de programas de promoção da saúde e prevenção de doenças. “Os custos médicos devem crescer de7 a10% acima da inflação econômica em 2013. O aumento de custos faz com que aumente o entendimento da importância da gestão de saúde populacional”, reflete.
Confira a reportagem completa na edição de agosto (177).
Jamille Niero / Revista Apólice