Ultima atualização 17 de agosto

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Como o seguro protege obras de arte de alto valor

Especialistas explicam como funcionam a precificação, a cobertura “prego a prego” e o direito de recompra após a recuperação de uma peça

Casos recentes de recuperação de obras de arte na Itália e no Brasil, além de investigações relacionadas ao roubo de joias no Louvre, em Paris, voltaram a chamar atenção para os mecanismos utilizados na proteção de acervos, coleções particulares e peças de alto valor.

Nesse mercado, a contratação do seguro envolve avaliação especializada, análise das condições de armazenamento e exposição, procedimentos de segurança e cuidados durante o transporte. Informações reunidas pela Alper Seguros em parceria com a Enchanter, empresa especializada no segmento, mostram como essas etapas são consideradas na estruturação das coberturas.

Um dos desafios é estabelecer o valor segurado de peças que não possuem uma referência direta de preço, especialmente quando nunca foram negociadas em leilões ou fazem parte de acervos permanentes de museus.

Nesses casos, especialistas podem considerar transações recentes de obras do mesmo artista, período, técnica e características semelhantes, além da relevância histórica e institucional da peça. “A precificação segue critérios de valoração por especialistas, já que não existe um ‘preço de prateleira’. Analisamos vendas recentes de obras do mesmo artista, período e técnica. Se o artista nunca vendeu, buscamos o Benchmark. O fato de uma obra estar em um grande museu já agrega valor histórico que valida sua importância”, explica a co-fundadora da Enchanter, Priscilla Magni.

A contratação também considera as condições de segurança do local onde a obra permanece. Entre os elementos avaliados podem estar sistemas de monitoramento, câmeras, controle de acesso e mecanismos de prevenção e combate a incêndios adequados às características do acervo.

As apólices podem ser estruturadas no modelo All Risks, contemplando diferentes tipos de danos e ocorrências previstas contratualmente.

No transporte, uma das modalidades utilizadas é a chamada cobertura “prego a prego”, que acompanha a obra desde a retirada do local de origem, durante o deslocamento, até sua instalação no destino.

Após o desaparecimento de uma obra segurada, uma das medidas adotadas pode ser o registro da peça em bases especializadas, com o objetivo de dificultar sua circulação e comercialização. “O primeiro passo crucial é o Alerta de Mercado e Contenção de Danos. Registramos o roubo em bases globais para travar qualquer tentativa de comercialização. Trabalhamos com investigadores especializados, verdadeiros ‘detetives de arte’, para rastrear rotas de escoamento”, afirma a sócia da Enchanter.

Quando uma obra particular é recuperada depois do pagamento da indenização, a titularidade pode passar para a seguradora, conforme as condições do contrato. Segundo Priscilla, nesses casos pode ser oferecido ao antigo proprietário o chamado direito de recompra, pelo qual ele devolve o valor recebido na indenização para recuperar a peça.

Apesar da repercussão dos roubos de obras e joias, outros tipos de ocorrência também fazem parte da avaliação de risco desse mercado. Entre eles estão danos durante o transporte, problemas de manuseio, umidade e pragas.

“Danos durante o transporte são o risco número um. Para que o cliente fique tranquilo, é vital ser assessorado por especialistas que avaliem desde a climatização até os prestadores de serviço de limpeza. O seguro é um contrato de boa-fé: se a informação sobre a segurança não for fidedigna, a indenização pode ser perdida por agravamento de risco”, concluem as especialistas.

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