As perdas econômicas provocadas por desastres naturais na América Latina foram influenciadas principalmente pelo terremoto na Venezuela e por eventos registrados no Brasil e na Colômbia no primeiro semestre de 2026. No Brasil, tempestades severas, inundações, deslizamentos de terra e uma seca prolongada provocaram perdas estimadas em US$ 1,29 bilhão, segundo o relatório Global Catastrophe Recap – First Half of 2026, da Aon.
O relatório também destaca o País como um dos principais exemplos de como o fenômeno El Niño-Oscilação do Sul (ENOS) influência nas perdas agrícolas, eventos de clima extremos e no mercado de seguros, reforçando a importância da gestão de riscos diante de um cenário climático cada vez mais volátil.
Segundo um estudo do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), que analisou perdas agrícolas registradas entre 2000 e 2021, foram identificados 220 eventos em 16 estados brasileiros, fortemente associados às fases do ENOS, com impactos variando de acordo com a região. Na Região Sul, episódios do El Niño acima de +1°C costumam provocar excesso de chuvas e inundações, enquanto no Norte provocam a redução do volume de chuvas e secas severas na Amazônia, por exemplo.
Compreender tais padrões é fundamental, dado que o Brasil representa o maior mercado de seguros agrícolas da América Latina. Para o setor segurador, mais do que um indicador meteorológico, os limiares de intensidade do ENOS evidenciam a necessidade de fortalecer a gestão integral de riscos, melhorar a resiliência da infraestrutura e ampliar as estratégias de prevenção e adaptação. Assim, consolidando o fenômeno como um fator de risco sistemático e não diversificável, especialmente no agronegócio brasileiro.
O principal desastre natural durante o primeiro semestre na região foi a sequência de terremotos que atingiu a Venezuela em 24 de junho, com perdas preliminares estimadas entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões. Trata-se do terremoto mais custoso registrado na América do Sul desde o Chile, em 2010, e, segundo as avaliações iniciais, também poderá superar US$ 1 bilhão em perdas seguradas.
Além disso, na Colômbia, as inundações registradas entre 1º e 14 de fevereiro provocaram perdas estimadas em US$ 2,2 bilhões. Chile e Argentina também enfrentaram incêndios florestais com prejuízos de aproximadamente US$ 500 milhões, enquanto Peru e Equador registraram enchentes e deslizamentos de terra. Já o México foi afetado pela tempestade tropical Boris, com perdas estimadas em US$ 100 milhões.
A região enfrentou um semestre de alta intensidade, concentrado em poucos eventos, mas com um impacto humano e financeiro significativo. Ao compreender e registrar a magnitude desses eventos, é possível gerenciar o risco com maior precisão, acompanhando, ao mesmo tempo, as empresas e as comunidades em sua recuperação.
Panorama global
Globalmente, as perdas econômicas provocadas por desastres climáticos totalizaram US$ 111 bilhões no primeiro semestre de 2026, cerca de 25% abaixo da média do século XXI. Ainda assim, foram registrados 23 eventos com perdas superiores a US$ 1 bilhão, além de 13 eventos com perdas seguradas acima desse patamar, número superior à média histórica. Destaca-se a tempestade de vento mais cara já registrada em Portugal e uma intensa temporada de tempestades marítimas nos Estados Unidos.
Na América do Norte, embora os anos em que ocorre o El Niño geralmente reduzam a atividade dos furacões que atingem o continente, o relatório alerta que um único ciclone de grande intensidade pode causar perdas catastróficas, mesmo em temporadas consideradas menos ativas.
A pesquisa também mostra que, estudos recentes apontam que os impactos econômicos do fenômeno podem se estender por até três anos após o início do evento, com perdas globais estimadas entre US$ 2,1 trilhões e US$ 3,9 trilhões associadas aos episódios de 1997-1998 e 2015-2016.
Os dados do primeiro semestre de 2026 apontam que, embora as perdas econômicas globais tenham permanecido abaixo da média histórica, a frequência de eventos extremos e o crescimento das perdas seguradas reforçam a necessidade de ampliar a resiliência da infraestrutura, fortalecer estratégias de prevenção e aperfeiçoar a gestão integrada de riscos diante de um cenário climático cada vez mais volátil.







