Ultima atualização 01 de junho

powered By

Seguro para riscos políticos deve avançar até 2030

A adoção de ferramentas de gestão de risco político por multinacionais deve crescer significativamente nesta década, passando de 68% no período de 2020 a 2025 para 80% entre 2025 e 2030, segundo levantamento da Corretora Howden. A pesquisa ouviu cerca de 500 executivos responsáveis por gestão de riscos e tesouraria em multinacionais dos Estados Unidos, Reino Unido e França, todas com receita superior a US$1 bilhão e investimento médio de US$50 milhões na internacionalização de suas marcas.

Os dados fazem parte do estudo “Stepping up: Political risk insurance in a volatile world”, desdobramento do relatório global da Howden “Opportunity in Flux”, que analisa como a combinação de tensões geopolíticas, fragmentação do comércio, reconfiguração de cadeias globais e maior volatilidade econômica está redefinindo decisões de investimento e ampliando a exposição a riscos políticos. Entre os setores ouvidos estão Energia, Farmacêuticas e Saúde, Indústria e Exportação, Construção, Serviços, Agricultura e Telecomunicações.

Nesse contexto, o relatório aponta que o mundo passa por uma transição para uma ordem mais fragmentada e multipolar, em que conflitos, políticas protecionistas e disputas por recursos estratégicos aumentam a incerteza e pressionam empresas a reforçar mecanismos de proteção para suas operações internacionais. “O ambiente global se tornou mais imprevisível, e isso está mudando a forma como as empresas tomam decisões. O risco político deixou de ser um tema periférico e passou a ocupar um papel central na estratégia de investimento internacional”, afirma Andoni Hernández, CEO da Howden Brasil, filial da corretora global.

O levantamento mostra que o risco já se materializou para uma parcela relevante das companhias: 51% das multinacionais relataram ter sofrido ao menos uma perda associada a risco político em investimentos internacionais entre 2020 e 2025.

Entre os principais impactos estão o atraso ou impossibilidade de converter moeda local ou repatriar recursos (40%), interferência de governos estrangeiros em direitos de propriedade (40%) e abandono forçado de ativos no exterior por causa de violência política (33%).

Como uma mesma empresa pode ter enfrentado mais de um tipo de evento, as categorias de perdas não são mutuamente exclusivas e, por isso, os percentuais não somam 100%.

Além da frequência dos eventos, o estudo aponta para o potencial de perdas relevantes. Em alguns casos, companhias reportaram prejuízos superiores a US$100 milhões em projetos internacionais, evidenciando a natureza de baixa frequência, mas alto impacto, típica desse tipo de risco.

Segundo a Howden, o uso de seguro de risco político tem contribuído para mitigar esses impactos. Empresas que contrataram proteção reportaram perdas médias de ao menos US$1,4 milhão menores do que aquelas sem cobertura no período analisado.

Além de reduzir perdas, o seguro também tem impacto direto na viabilidade financeira dos projetos. De acordo com o levantamento, a contratação pode reduzir o custo de capital em mercados emergentes de cerca de 15% para 11%, gerando uma economia média anual de aproximadamente US$2 milhões por investimento.

O relatório “Opportunity in Flux”, por sua vez, destaca ainda que, em um ambiente de maior restrição de crédito e aumento do custo de financiamento, instrumentos que reduzam risco e capital exigido tendem a ganhar relevância, ampliando o papel do seguro não apenas como proteção, mas como ferramenta financeira. “Não se trata apenas de proteção contra eventos extremos. O seguro de risco político também melhora a estrutura financeira dos projetos, ao reduzir o custo de capital e ampliar o acesso a investimento em mercados mais complexos”, diz o executivo da Howden Brasil.

Além do risco político

De acordo com o executivo, no contexto do mercado, o termo “risco político” não se limita a mudanças de governo ou instabilidade institucional. Essa categoria de seguro abrange uma série de eventos que podem impactar diretamente operações no país, como protestos, bloqueios logísticos, ocupações, episódios de violência política, interferências regulatórias e restrições à movimentação de recursos. Casos recentes no Brasil ilustram essa dinâmica: em fevereiro de 2026, a operação da Cargill em Santarém (PA) foi afetada por manifestações e bloqueios que interromperam o acesso ao terminal portuário, gerando paralisação das atividades e danos a ativos. “São situações que podem ser enquadradas em coberturas de violência política e interrupção de negócios”, ressalta.

Apesar dos benefícios, a adoção ainda enfrenta barreiras. O levantamento aponta que 73% das multinacionais que não contrataram seguro de risco político entre 2020 e 2025 citam a falta de entendimento sobre o produto como principal obstáculo.

Para a Howden, esse dado evidencia um descompasso entre a crescente exposição a riscos e o nível de maturidade das estratégias de proteção adotadas pelas empresas.

“A demanda está crescendo, mas ainda existe uma lacuna importante de entendimento. Parte relevante das empresas ainda não incorporou plenamente o risco político na sua estratégia, mesmo já tendo sido impactada por ele”, afirma Andoni Hernández.

Compartilhe no:

Assine nossa newsletter

Você também pode gostar

Feed Apólice

Assine nossa Newsletter

Receba as principais notícias, análises e tendências do mercado de seguros diretamente no seu e-mail.

Respeitamos sua privacidade.
Leia nossa Política de Privacidade.