Ultima atualização 23 de outubro

Uma nova oportunidade para resolver velhos problemas

As terríveis enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul completaram três anos em abril de 2026. Passaram-se, desde então, mais de 830 dias. Mas, quando se abre os principais veículos de comunicação do País, vemos, novamente, a região sendo assolada por enchentes e inundações.

O “vilão da vez” é o Super El Niño, uma versão muito mais forte do El Niño comum, caracterizada pelo aquecimento extremo das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial. Ele provoca grandes mudanças no clima do mundo todo, gerando fortes ondas de calor, secas severas e chuvas intensas.

Seus efeitos estão sendo sentidos em todo mundo, não só no Brasil. A Europa foi assolada por ondas de calor fortíssimas, para os quais não está preparada. Na França, por exemplo, a maioria dos imóveis não possui ar-condicionado, afinal, ele não era necessário; a Espanha, em contrapartida, foi atingida por incêndios florestais nunca vistos antes.

Esse “inimigo” superpoderoso não nos é desconhecido. Entre os anos de 1877 e 1878, um fenômeno semelhante produziu consequências catastróficas, afetando diretamente a segurança alimentar global e provocando milhões de mortes em diferentes regiões do mundo, inclusive no Brasil. Estimativas dizem que esse número chegou a 50 milhões.

É verdade que muita coisa mudou em mais de um século. Agora, temos inúmeras ferramentas tecnológicas, que podem nos ajudar a lidar com esse desafio global e com as mudanças climáticas, como um todo. O Japão, por exemplo, implementou sistemas de alerta e evacuação, principalmente depois do terrível tsunami que atingiu o País em 2011. Já a Holanda tem investido em engenharia avançada contra o aumento do nível do mar.

Entretanto, no Brasil, o que observamos é a persistência de um desafio recorrente, a dificuldade de transformar a urgência do tema em ações estruturadas e de longo prazo.

Já está claro que os impactos das mudanças climáticas tendem a se intensificar nos próximos anos. Diante desse cenário, não há espaço para postergar decisões e iniciativas necessárias para aumentar a resiliência de nossas cidades, empresas e comunidades. É fundamental que os setores público e privado atuem de forma coordenada, cada um em sua esfera de responsabilidade, para mitigar riscos e reduzir impactos.

E, nesse cenário, a tecnologia está a nosso favor. Um levantamento recente feito pela WTW mostrou como diversas regiões do Brasil serão impactadas pelas mudanças climáticas até 2030, 2050 e 2100.

O levantamento possui cinco níveis de ocorrência, sendo o 1º para os muito baixos e o 5º para os muito altos. Ainda de acordo com esse levantamento, o nosso principal inimigo não serão as enchentes, cuja recorrência fica no primeiro nível.

Os vilões serão as ondas de calor, as secas e as chuvas intensas fora do período esperado. Segundo o levantamento, a partir de 2030 as regiões Sul, Nordeste e Sudeste do Brasil estarão no nível 2 em secas, chegando ao nível 3 a partir de 2050. Já no quesito ondas de calor, o Brasil como um todo entrará no nível 3 a partir de 2030, com o Nordeste avançando para o nível 4 a partir de 2050.

É importante destacar que a ideia não é ser apocalíptico, mas mostrar que precisamos nos preparar. A oportunidade para resolver esses problemas está na nossa frente. Agora não é hora de nos acomodar, e, sim, de agir.

Por Álvaro Trilho, diretor de Riscos da WTW Brasil

Compartilhe no:

Assine nossa newsletter

Você também pode gostar

Feed Apólice

Assine nossa Newsletter

Receba as principais notícias, análises e tendências do mercado de seguros diretamente no seu e-mail.

Respeitamos sua privacidade.
Leia nossa Política de Privacidade.

Visão geral da privacidade

Este site utiliza cookies para que possamos lhe proporcionar a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu navegador e desempenham funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.