Ultima atualização 07 de outubro

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Seguro é menos citado do que poupança e apoio familiar

Pesquisa da MetLife mostra que brasileiros ouvidos recorrem mais à poupança e à prevenção; custo e acesso estão entre as barreiras percebidas

EXCLUSIVO – Poupar, prevenir riscos e recorrer à família são estratégias mais citadas que o seguro para enfrentar dificuldades financeiras entre os brasileiros ouvidos em uma pesquisa da MetLife. Enquanto 55% mencionam a poupança e 53% adotam medidas preventivas, 25% contam com familiares e amigos, já o tema “contratação de seguro” representa somente 15% do público consultado.

O estudo “Democratizando o acesso à proteção”, apresentado nesta quarta-feira (7), ouviu consumidores e representantes de organizações no Brasil, Chile e México. Os resultados mostram que a busca por proteção já faz parte das decisões dos entrevistados, mas o seguro ocupa um espaço menor nesse conjunto de recursos.

O indicador de 15% representa a menção à contratação como estratégia de proteção, e não a proporção de brasileiros que possuem apólice. A pesquisa também tem um recorte específico: reúne adultos das classes A, B e C que incluem a prática de poupar entre suas estratégias financeiras, sem necessariamente acumular valores expressivos ou fazer reservas todos os meses.

Durante o lançamento, Javier Cabello Cervellino, vice-presidente sênior e responsável pelo MetLife Xcelerator na América Latina, afirmou que o setor precisa compreender como as pessoas já se protegem para desenvolver soluções que complementem esses mecanismos. Na avaliação do executivo, o desenho das coberturas deve partir das preocupações dos consumidores e das consequências dos imprevistos sobre suas vidas. “As pessoas já buscam mecanismos próprios e, muitas vezes, sociais para se proteger”, afirmou Cabello.

O recurso a familiares e amigos tem mais peso no Brasil: os 25% que citam essa alternativa superam em oito pontos percentuais o resultado agregado dos três países. Ao mesmo tempo, depender financeiramente de outras pessoas está entre as principais preocupações dos entrevistados brasileiros, com 53%.

O diagnóstico de uma doença cujo tratamento seja difícil de pagar também é mencionado por 53%, enquanto a perda prolongada de renda preocupa 46%. Diante dessas situações, a preparação declarada é mais baixa: 36% se sentem preparados para a dependência financeira, 34% para um tratamento difícil de custear e 31% para a perda prolongada de renda.

Cabello destacou que o impacto de uma doença pode ultrapassar as despesas médicas. O afastamento do trabalho e as mudanças na rotina familiar também afetam o orçamento, o que exige olhar para as consequências econômicas do problema ao estruturar a proteção.

“O impacto não está somente na estabilidade econômica da família. Muitas vezes, tratar essa doença pode exigir deixar o trabalho de lado para se concentrar no tratamento”, explicou.

A pesquisa identifica ainda uma distância entre confiança e preparação. No Brasil, 68% acreditam que encontrariam uma forma de lidar com um imprevisto, mas 36% se dizem preparados diante de sua principal preocupação financeira. Os indicadores expressam percepções dos entrevistados, sem medir diretamente a suficiência de suas reservas ou coberturas.

O interesse em se proteger convive com obstáculos percebidos no acesso ao seguro. Entre os brasileiros pesquisados, 29% consideram os produtos caros, 28% difíceis de acessar, 22% destinados a poucos e 19% complexos. Nesse cenário, a MetLife compartilha que aposta na integração da proteção a serviços e experiências do cotidiano. O modelo, conhecido como seguro embutido, desperta interesse em 64% dos entrevistados brasileiros, acima dos 56% registrados no conjunto dos três mercados.

Os aplicativos bancários são o ambiente mais citado para encontrar proteção, com 55%. Outros 33% esperariam receber uma oferta ao solicitar um empréstimo, 32% ao reservar uma viagem ou evento e 25% em uma farmácia ou clínica. Apenas 17% esperariam procurar uma solução por conta própria.

Para Cabello, a integração depende de uma cobertura pertinente à necessidade do cliente, com contratação compreensível e atendimento simples. O executivo ressaltou que a confiança precisa se manter depois da venda, especialmente no pagamento de sinistros. “Essa jornada não se limita ao momento em que apresentamos a oferta. É preciso cumprir a promessa de pagar os sinistros”, ressaltou Cabello.

A abertura ao modelo, porém, representa interesse declarado, e não contratação efetiva. Os dados colocam em discussão tanto os canais de distribuição quanto a capacidade de oferecer uma proteção que o consumidor compreenda e consiga acessar.

Realizado entre abril e maio de 2026, em parceria com a Epiphany RBC, o levantamento ouviu 4.373 pessoas e 497 tomadores de decisão de organizações. No Brasil, participaram 1.460 consumidores e 151 representantes de organizações.

Nicholas Godoy

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