EXCLUSIVO – O Mercado de Seguros brasileiro encerrou o primeiro semestre de 2026 com desempenhos distintos entre os segmentos. As receitas dos mercados supervisionados pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) somaram R$ 207,12 bilhões, alta nominal de 0,52% na comparação com o mesmo período de 2025. Descontada a inflação, porém, houve queda de 3,67%.
O cenário foi diferente nos seguros de danos e pessoas, excluindo o VGBL, que acumularam R$ 113,86 bilhões em receitas. O montante representa crescimento de 6,51% em valores nominais e de 2,07% em termos reais. Analisando todo esse cenário, o CEO da Generali no Brasil, Eric Dannemann Lundgren enxerga que os resultados revelam a capacidade de reação do setor, embora o crescimento não tenha ocorrido de maneira uniforme.
“Na minha visão, o desempenho do primeiro semestre evidencia um mercado resiliente, mas com comportamentos distintos entre os segmentos. Mesmo diante de um cenário econômico mais desafiador, vemos um avanço consistente em seguros de danos e pessoas, enquanto a expansão do seguro de vida reforça que consumidores e corporações estão cada vez mais atentos à importância da proteção financeira”, afirma.
O executivo destaca que o desempenho também evidencia o espaço ainda existente para ampliar a presença do seguro no país. Segundo Lundgren, essa expansão dependerá do desenvolvimento de produtos mais simples, acessíveis e adequados às diferentes necessidades dos consumidores, com apoio de tecnologia e canais de distribuição mais próximos do público.
Os seguros de pessoas apresentaram o maior avanço entre os principais segmentos acompanhados pela Susep. A arrecadação chegou a R$ 41,34 bilhões no primeiro semestre, com crescimento nominal de 11,54% e alta real de 6,90%. O seguro de vida respondeu por R$ 20,01 bilhões, equivalente a 48,4% das receitas do segmento. A modalidade cresceu 10,29% em valores nominais e 5,70% descontada a inflação.
Outro destaque foi o seguro prestamista, que arrecadou R$ 12,44 bilhões e avançou 19,23% nominalmente. Em termos reais, o crescimento foi de 14,26%. Os acidentes pessoais seguiram caminho contrário, com quedas de 0,99% em valores nominais e de 5,10% acima da inflação.
Lundgren avalia que o desempenho do segmento de pessoas está relacionado a uma maior preocupação de indivíduos e empresas com a proteção financeira, especialmente diante de um ambiente de incerteza. O avanço dos canais digitais e a oferta de soluções mais simples e personalizadas também contribuíram para ampliar o acesso aos produtos. No caso do prestamista, o executivo relaciona o crescimento ao próprio comportamento do mercado de crédito. “À medida que o consumidor busca financiamento, cresce a relevância de mecanismos que ofereçam segurança diante de imprevistos”, observa.
A expectativa da Generali é que os seguros de pessoas continuem avançando, ainda que o ritmo possa variar ao longo dos próximos meses. Para Lundgren, a sustentação desse movimento dependerá da capacidade do setor de ampliar o acesso, adaptar os produtos e demonstrar de forma mais clara o valor da proteção.
Os seguros de danos somaram R$ 72,52 bilhões em prêmios no primeiro semestre. Apesar do crescimento nominal de 3,84%, o segmento registrou retração real de 0,49%. O seguro automóvel permaneceu como a principal carteira, com R$ 30,73 bilhões em prêmios, o equivalente a 42% das receitas dos seguros de danos. A modalidade avançou 6,29% nominalmente e 1,86% em termos reais.
O desempenho, porém, variou significativamente entre as linhas. O seguro fiança locatícia cresceu 30,63%, enquanto os seguros financeiros avançaram 22,92%. Em sentido contrário, o seguro rural recuou 3,56% e os seguros de transportes apresentaram queda de 12,22%. Na avaliação do CEO da Generali Brasil, o resultado mostra um ambiente com oportunidades, mas que exige uma atuação mais estratégica das companhias. Consumidores e empresas estão mais criteriosos, ao mesmo tempo que novas exposições ampliam a demanda por proteção.
“Vejo potencial especialmente em soluções relacionadas às transformações dos negócios e da sociedade, como riscos climáticos, proteção patrimonial, mobilidade, riscos corporativos e novas exposições associadas à digitalização”, afirma Lundgren. Para o executivo, o crescimento dessas carteiras dependerá da capacidade das seguradoras de acompanhar a evolução dos riscos e antecipar novas necessidades. “Mais do que responder aos riscos já conhecidos, precisamos estar preparados para aqueles que estão surgindo”, acrescenta.
Enquanto os seguros de danos e pessoas avançaram, os produtos de acumulação encerraram o semestre em queda. As contribuições de VGBL, PGBL e previdência tradicional totalizaram R$ 77,69 bilhões, retração de 5,55% em valores nominais e de 9,49% em termos reais. O VGBL, responsável por R$ 69,80 bilhões, registrou queda nominal de 7,14%. O PGBL apresentou desempenho diferente e cresceu 14,54%, com R$ 6,43 bilhões em contribuições. A arrecadação dos títulos de capitalização também diminuiu. O segmento movimentou R$ 15,57 bilhões, redução nominal de 7,84% e queda real de 11,64%.
No conjunto dos mercados supervisionados, as indenizações, os resgates, os benefícios e os sorteios somaram R$ 126,17 bilhões no semestre. O valor representa recuos de 3,93% em termos nominais e de 7,95% descontada a inflação. O estoque de provisões técnicas das empresas supervisionadas alcançou R$ 2,17 trilhões em junho, montante equivalente a 16,46% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
No resseguro, R$ 15,27 bilhões dos prêmios emitidos pelas seguradoras foram cedidos durante o primeiro semestre, o equivalente a 13,41% do volume dos seguros de danos e pessoas. As resseguradoras locais receberam R$ 8,08 bilhões, enquanto as admitidas ficaram com R$ 3,60 bilhões e as eventuais, com R$ 3,59 bilhões.
Olhando para o segundo semestre, a Generali espera que os seguros de pessoas e algumas linhas de danos continuem entre os principais vetores de crescimento. Proteção patrimonial, riscos corporativos e exposições climáticas e digitais aparecem entre as áreas consideradas mais promissoras pela companhia.
A evolução do setor, contudo, estará condicionada ao comportamento da economia e ao cenário político. Juros, inflação, atividade econômica e eventos climáticos severos estão entre os principais fatores de atenção. “Estou otimista quanto às perspectivas para o segundo semestre. Acredito que seguros de pessoas e algumas linhas de danos, especialmente as voltadas para proteção patrimonial, riscos corporativos, novas exposições climáticas e digitais devem continuar apresentando boas oportunidades”, diz Lundgren.
O executivo completa que os mesmos fatores capazes de estimular a procura por proteção também podem afetar os custos, a demanda e a precificação das carteiras. Por isso, o avanço do mercado deverá vir acompanhado de maior atenção à seleção de riscos e à sustentabilidade técnica dos produtos.
Generali registra lucro de € 2,5 bilhões
No mercado internacional, o Grupo Generali encerrou o primeiro semestre de 2026 com resultado operacional de € 4,5 bilhões, crescimento de 11,2% na comparação anual. O resultado líquido ajustado alcançou € 2,5 bilhões, alta de 13,7%, enquanto o lucro ajustado por ação avançou 14,3%, para € 1,68.
Os Prêmios Brutos Emitidos chegaram a € 53,4 bilhões, expansão de 5,8%. O segmento de Vida cresceu 5,5%, enquanto os seguros de danos e responsabilidades, classificados como P&C, avançaram 6,3%. De acordo com Lundgren, o resultado foi sustentado pelo avanço dos principais negócios e pela diversificação das atividades do grupo. Além de Vida e P&C, a área de Gestão de Ativos e Patrimônio contribuiu para o desempenho. “O resultado reflete a combinação de um avanço equilibrado entre os nossos principais negócios e a condução rigorosa do nosso planejamento. Tivemos uma evolução positiva tanto em Vida quanto em P&C, com destaque para a força do segmento de Vida e para a contribuição das operações de Asset & Wealth Management”, explica.
Em Vida, a captação líquida atingiu € 8,3 bilhões. O Valor de Novos Negócios cresceu 21,1% e chegou a € 1,9 bilhão. Para a companhia, o resultado está relacionado ao aumento da demanda por proteção, longevidade e planejamento financeiro de longo prazo.
O índice combinado ficou em 91,5%, aumento de 0,5 ponto percentual. No indicador não descontado, o resultado foi de 93,8%, alta de 0,7 ponto percentual. As catástrofes naturais tiveram impacto de 1,9 ponto percentual sobre o índice. Na área de Gestão de Ativos e Patrimônio, o resultado operacional cresceu 31,3%. Os ativos totais sob gestão alcançaram € 944 bilhões, aumento de 4,9% em relação ao encerramento de 2025. O Grupo também encerrou o período com índice de solvência de 216%, ante 219% no fim do exercício anterior. O indicador considera, entre outros fatores, o programa de recompra de ações de € 500 milhões.
A Generali não detalhou a contribuição financeira da operação brasileira para o balanço global. Lundgren afirmou, porém, que o país possui uma posição relevante na estratégia do Grupo para a América Latina, diante da baixa penetração dos seguros e do surgimento de novas demandas por proteção.
“A operação brasileira faz parte dessa estratégia e, na minha visão, tem um papel relevante no desenvolvimento do Grupo na América Latina. O Brasil tem um potencial importante de expansão, especialmente pela baixa penetração do seguro e pelo surgimento de novas necessidades de proteção”, conclui.
Nicholas Godoy







