EXCLUSIVO – A manhã no Insuretech Connect 2026 – ITC Vegas começou com uma discussão sobre o medo das pessoas em compartilhar seus dados com seguradoras. William V, Powers, CEO da Cambridge Telematics, questionou a mediadora: você compartilha seus dados com aplicativos de entrega de comida, mas tem receio de ter seus dados utilizados por uma empresa para oferecer melhores condições de seguro?
O fio condutor da conversa entre Bill e Dyamond John, CEO da FUBU e fundador do The Shark Group, foi empreendedorismo, mas incluiu inteligência artificial, telemática, experiência do consumidor e o risco de empresas consolidadas perderem espaço para novos concorrentes.
Para Powers, a competição já não vem apenas das empresas que atuam no mesmo segmento. “A mobilidade, o acesso à tecnologia e, mais recentemente, a IA ampliaram significativamente o universo de potenciais competidores. Um novo concorrente pode surgir de outra companhia, de uma montadora ou mesmo de um jovem desenvolvendo uma solução completamente diferente das existentes”, ponderou Powers.
John acrescentou um componente importante a essa equação: tecnologia, sozinha, não garante vantagem competitiva. O diferencial continua sendo a capacidade de entender o consumidor. “Quando criei a FUBU, eu não podia gastar mais do que as outras empresas, mas podia ouvi-las menos do que eu ouvia o consumidor”, afirmou. Segundo ele, os fundamentos dos negócios permanecem praticamente os mesmos, independentemente do tamanho da companhia. Para avaliar se uma proposta realmente entrega algo diferente, John sugere três perguntas recorrentes: “Por que eu? Por que agora? Por que isto?”.
Se as respostas não forem convincentes, explicou, a empresa corre o risco de oferecer apenas mais uma versão daquilo que já existe. A discussão também trouxe um alerta às grandes organizações: na avaliação dos participantes, tamanho, marca e histórico não garantem permanência no mercado quando a companhia perde a capacidade de observar mudanças no comportamento dos consumidores.
O impacto da inteligência artificial sobre o emprego também entrou no debate. John reconheceu que diversas atividades deverão desaparecer ou ser profundamente modificadas, mas fez uma distinção importante: em muitos casos, a substituição poderá ocorrer não diretamente pela IA, mas por profissionais que souberem utilizá-la melhor. “Não acho que a IA vá simplesmente tomar o emprego. Será um funcionário que sabe usar IA que poderá tomar o seu emprego”, alertou John.
Telemática ainda esbarra na confiança
Para o mercado segurador, um dos pontos mais interessantes do painel surgiu na discussão sobre telemática e privacidade. Powers destacou uma contradição no comportamento dos consumidores: muitas pessoas compartilham sua localização com aplicativos de entrega sem grandes preocupações, mas demonstram resistência quando uma seguradora mede seu comportamento ao volante.
A tecnologia também evoluiu para interpretar melhor o contexto em que determinados comportamentos acontecem. Uma frenagem brusca em Manhattan, por exemplo, pode ter significado completamente diferente da mesma ocorrência em uma rodovia do Meio-Oeste americano. A análise, portanto, precisa considerar ambiente, velocidade e circunstâncias da condução, e não simplesmente registrar um evento isolado.
Esse refinamento é particularmente importante à medida que seguradoras utilizam mais dados para precificação, prevenção de acidentes e desenvolvimento de produtos baseados no comportamento do motorista. O uso dos dados do cliente deverá provocar uma grande transformação no setor de seguros, com benefícios diretamente perceptíveis pelo consumidor.
“Entre eles estão respostas mais rápidas, redução do ciclo de sinistros e maior precisão na análise das informações disponíveis. Powers também acredita que a tecnologia pode contribuir para controlar custos de reparação e combater fraudes, dois fatores que acabam pressionando o preço dos seguros.
Apesar da velocidade das transformações tecnológicas, John fez uma ressalva importante para empreendedores e empresas que esperam resultados imediatos da IA. Construir um negócio continua exigindo tempo, teste e relacionamento com clientes.
Segundo ele, empresas que antes poderiam levar cerca de dez anos para alcançar maturidade passaram a fazê-lo em aproximadamente sete. A IA talvez reduza esse período para cinco anos, mas não elimina etapas essenciais, como projeto-piloto, prova de conceito, aquisição de clientes, tratamento de reclamações e ajustes do produto.
Kelly Lubiato, de Las Vegas







