Ultima atualização 16 de setembro

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Fraude em seguros avança em volume e sofisticação

Relatório global da FRISS mostra avanço paralelo de esquemas oportunistas e fraudes apoiadas por tecnologia; apenas 9% das seguradoras pesquisadas têm IA totalmente implementada

A fraude em seguros está avançando em duas frentes diferentes: de um lado, esquemas oportunistas, de maior volume e menor complexidade; de outro, operações organizadas que passam a utilizar inteligência artificial, identidades sintéticas e conteúdos falsificados.

A conclusão faz parte do relatório The State of Insurance Fraud 2026, divulgado pela FRISS, empresa especializada em tecnologia para detecção de fraude e avaliação de riscos no mercado segurador. Conforme apresenta o estudo, 58% dos profissionais consultados afirmam ter percebido aumento no volume ou na complexidade das fraudes. A FRISS relaciona o movimento principalmente à combinação entre pressão econômica, avanço tecnológico e atuação de grupos organizados.

Entre os fatores apontados como capazes de impulsionar a fraude nos próximos dois anos, pressões econômicas aparecem em primeiro lugar, citadas por 67% dos respondentes. Avanços nas tecnologias utilizadas pelos fraudadores foram mencionados por 60%, enquanto redes organizadas aparecem com 58%.

Apesar do avanço de esquemas mais sofisticados, as irregularidades de baixa complexidade continuam sendo as mais frequentes. A fraude oportunista, caracterizada pelo exagero ou aumento de um sinistro legítimo, foi apontada por 44% dos respondentes como o tipo mais observado. Alegações falsas de lesões aparecem em seguida, com 29%, enquanto esquemas ligados ao crime organizado representam 13%.

Para a FRISS, essa configuração exige abordagens diferentes. Fraudes de alto volume demandam automação e capacidade de triagem em escala, enquanto operações organizadas requerem análise mais aprofundada, compartilhamento de informações e ferramentas capazes de identificar padrões ainda desconhecidos.

O Seguro Auto aparece como a principal preocupação: 71% dos participantes identificaram o segmento como sua maior exposição a fraudes. O percentual não significa que 71% de todos os casos ocorram no ramo, mas indica a concentração da preocupação dos profissionais pesquisados.

Segundo o estudo, a combinação entre grande quantidade de sinistros, necessidade de processamento rápido e dependência de documentos, imagens e avaliações de terceiros ajuda a explicar a exposição do segmento.

A inteligência artificial aparece dos dois lados da disputa. Embora o setor já utilize a tecnologia para análise de padrões e detecção de irregularidades, a adoção ainda é limitada. Apenas 9% das seguradoras pesquisadas afirmam ter sistemas de IA ou machine learning totalmente implementados para combater fraude.

Outros 36% estão em fase piloto ou de implementação parcial e 36% planejam adotar a tecnologia. Já 19% disseram não possuir planos atuais de implementação.

Entre as empresas que já utilizam IA, mesmo em projetos-piloto, 70% apontam maior velocidade na detecção de fraudes como um dos benefícios. Outros 45% citam melhora na qualidade da carteira e 35%, redução de falsos positivos.

Do lado dos fraudadores, os principais riscos associados à inteligência artificial estão na criação de documentos e identidades sintéticas, citada por 76% dos participantes, e na produção de evidências por meio de deepfakes, mencionada por 71%.

“Da mesma forma que o mercado está se protegendo com o uso de IA, os fraudadores têm utilizado esta tecnologia a seu favor, porém num ritmo de adoção muito mais alto”, afirma Dino Draghi, Client Success Manager Latin America da FRISS.

Segundo o executivo, a companhia vem observando aumento no uso de documentos falsificados e conteúdos produzidos por IA para sustentar alegações de sinistros.

O estudo também chama atenção para a chamada IA agêntica, capaz de executar ações e processos com maior grau de autonomia. Para 78% dos profissionais consultados, esse tipo de tecnologia deve influenciar a fraude em seguros nos próximos dois anos. Em contraste, apenas 2% afirmam estar muito bem preparados para enfrentar esse cenário.

Na avaliação da FRISS, sistemas agênticos podem ampliar a escala dos ataques ao automatizar tentativas de fraude, testar vulnerabilidades em diferentes seguradoras e coordenar operações com menor intervenção humana.

A preocupação ocorre enquanto boa parte do setor ainda utiliza ferramentas mais tradicionais. Regras automáticas e bases externas de consulta aparecem em 60% das respostas cada, enquanto modelos de IA e machine learning são utilizados por 20%.

Compartilhamento de dados entra no radar

A sofisticação das fraudes também amplia a discussão sobre colaboração entre seguradoras. O compartilhamento de dados e alertas foi apontado por 76% dos participantes como a principal forma de cooperação para combater o problema. Forças-tarefa conjuntas entre companhias aparecem com 56%, enquanto parcerias entre seguradoras, reguladores e autoridades policiais foram citadas por 51%.

Para a FRISS, a lógica é que grupos organizados não atuam necessariamente dentro dos limites de uma única empresa. Um mesmo fraudador pode testar processos em diferentes seguradoras, fazendo com que informações isoladas tenham menor capacidade de identificar padrões.

O relatório aponta, porém, obstáculos para uma resposta conjunta. Restrições orçamentárias e de recursos aparecem como principal barreira, com 27%, seguidas pela dificuldade de acompanhar a evolução das técnicas de fraude, com 24%. Qualidade dos dados internos e estruturas organizacionais fragmentadas aparecem com 16% cada.

Nesse cenário, a avaliação da FRISS é que o combate à fraude deverá combinar automação para lidar com grandes volumes de ocorrências, tecnologias mais avançadas para identificar esquemas sofisticados e maior troca de informações entre participantes do mercado.

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