Ultima atualização 10 de agosto

Sou Segura investe em capacitação profissional e mentorias

Camila Maximo, presidente da Sou Segura
Camila Maximo, presidente da Sou Segura

EXCLUSIVO – A capacitação profissional passou a ocupar o centro da estratégia da Sou Segura em 2026. Sob a presidência de Camila Máximo, a entidade reformulou parte de sua atuação para ampliar o contato direto com as mulheres do mercado de seguros e criar programas que possam interferir concretamente em suas carreiras.

Camila acompanha a Sou Segura desde os primeiros anos e assumiu a presidência com uma avaliação: a entidade havia conquistado espaço institucional, participava dos principais eventos do setor, mas precisava voltar a se aproximar de sua base. “A gente estava muito focada em fazer eventos, em participar de grandes eventos. Mas estava faltando chegar na mulher mesmo e fazer uma mudança real na vida delas”, afirma.

Uma das primeiras iniciativas foi a concessão de 25 bolsas integrais de MBA, em parceria com a USP e com patrocínio específico para o projeto. As profissionais selecionadas puderam optar pelos cursos de Gestão de Projetos, Gestão de Negócios e Gestão de Recursos Humanos. As aulas começaram em maio e terão duração de um ano e meio.

A iniciativa integra uma estratégia mais ampla de educação. A Sou Segura está buscando novas parcerias com instituições de ensino para facilitar o acesso das associadas a cursos e programas de desenvolvimento. Também passou a substituir parte das tradicionais contrapartidas oferecidas aos patrocinadores por ações realizadas dentro das próprias empresas.

Mentoria ganha nova dimensão

A mentoria permanece como um dos principais programas da entidade. Neste ano, uma parcela das vagas será destinada a profissionais indicadas pelas empresas patrocinadoras, enquanto as demais continuarão abertas às mulheres do mercado.

O programa reúne mentores homens e mulheres e atende profissionais em diferentes momentos da carreira. Antes dos encontros, os voluntários recebem treinamento específico, inclusive para trabalhar vieses que possam interferir na relação com as mentoradas.

A experiência acumulada também levou a Sou Segura a incorporar uma estrutura de apoio psicológico e de combate à violência durante o período das mentorias. A decisão veio após situações nas quais os próprios mentores perceberam sinais de violência ou de ambientes profissionais hostis relatados pelas participantes. A entidade acompanha os encontros por meio de questionários e encaminha casos que demandem atendimento especializado.

Para Camila, a procura pela mentoria mostra que a discussão sobre participação feminina avançou, mas ainda existe uma distância importante entre a presença das mulheres no mercado e sua progressão para os cargos mais altos.

Ela percebe maior número de mulheres em diretorias e posições de CEO, principalmente nas grandes companhias e multinacionais. Também houve mudança nos eventos do setor: antes convidadas principalmente para painéis de diversidade, hoje executivas começam a ocupar discussões técnicas. A própria Sou Segura passou a ser procurada para indicar especialistas para diferentes temas.

O avanço, porém, não significa que a questão esteja resolvida. “São poucas as empresas que levam isso a sério, que colocam isso como indicadores sérios”, diz Camila. A entidade utiliza referências dos princípios de empoderamento das mulheres da ONU Mulheres para avaliar aspectos como presença feminina nas diretorias e participação de mulheres negras. Empresas que anteriormente não possuíam sequer estatísticas sobre o tema, segundo ela, já começam a apresentar planos de ação.

Certificação está nos planos

Para 2027, Camila pretende avançar justamente na mensuração desses resultados. A Sou Segura estuda desenvolver uma certificação voltada às políticas e aos indicadores relacionados às mulheres dentro das organizações. A proposta ainda está sendo estruturada, mas poderá considerar informações como presença feminina na liderança, diferenças salariais e políticas corporativas. A ideia é criar uma avaliação independente da relação de patrocínio mantida pela entidade com as empresas.

“A ideia dessa certificação, que é um sonho que a gente tem, é ver como a gente viabiliza, tentar trazer mais essa parte técnica”, explica. A intenção está alinhada a outro objetivo da gestão: reduzir a dependência da Sou Segura de patrocínios institucionais e buscar recursos vinculados a programas específicos, como ocorreu com as bolsas de MBA. Camila entende que a sustentabilidade financeira permitirá desenvolver projetos mais consistentes e contratar profissionais especializados quando necessário.

No ano em que a marca Sou Segura completa cinco anos, a entidade também tornou gratuita a associação para todas as mulheres. Ao mesmo tempo, está reformulando sua plataforma para melhorar a comunicação e oferecer conteúdos exclusivos às participantes.

Uma pesquisa realizada com as associadas apontou dois interesses principais: conteúdo direcionado e networking. Embora a rede seja considerada qualificada pelas participantes, Camila reconhece que ainda é necessário criar mais oportunidades para que essas conexões aconteçam.

A resposta pode estar em encontros menores, organizados de acordo com interesses específicos e em novos canais digitais. Para as profissionais mais jovens, a Sou Segura estuda inclusive comunidades em aplicativos de mensagens, acompanhando uma geração menos habituada ao uso de e-mails e newsletters.

A aproximação com as novas gerações também deverá acontecer antes da entrada no mercado de trabalho. Camila quer levar o setor de seguros às universidades e estuda iniciativas para atrair jovens mulheres, inclusive por meio de programas de aprendizagem.

No longo prazo, a presidente pretende transformar a Sou Segura em um centro de referência sobre a participação feminina no mercado de seguros, capaz de produzir informação, indicar profissionais e colaborar com as empresas na construção e avaliação de políticas. “Eu quero que a gente seja referência quando se fala de mulher”, avisa.

Apesar dos avanços registrados nos últimos anos, Camila considera prematuro tratar a desigualdade como uma questão superada. Diferenças salariais permanecem, a ascensão profissional continua desigual e mulheres ainda enfrentam obstáculos diferentes dos encontrados pelos homens ao longo da carreira.

“Eu acho que a gente está longe de ter superado esses temas. Ainda tem muito, muito a se fazer.”

Kelly Lubiato

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